março 18, 2006

A RUA LAMACENTA

A propósito do feriadão cristão que nos levou ao mar, à montanha ou simplesmente à vagabundagem por quatro benditos dias, lembrei de Buda - que falava de maneira semelhante a Cristo.Cristo disse: Não pode uma árvore boa dar maus frutos nem uma árvore má dar frutos bons.

Pelos frutos, a conhecereis.Buda disse: Não importa o que o homem faça, seus atos servem à virtude ou ao vício. Toda ação acarreta frutos.Os dois falavam de uma velha lei do hinduísmo - anterior portanto ao budismo e ao cristianismo - a lei do karma, que regula a "ação e a reação, a causa e o efeito".

Na verdade, o karma é uma lei natural, a semente que germina é karma, mas o budismo a formulou como: "O que somos hoje é o resultado dos pensamentos de ontem. O que seremos amanhã é o resultado dos pensamentos de hoje".

E Buda também disse que "o homem é aquilo que pensa que é".Gosto de fundamentar algumas afirmações dizendo que Buda disse antes. Como ninguém sabe ao certo tudo que Buda disse, o respaldo de Buda dá credibilidade ao que quero dizer.

Mas Buda disse mesmo que "o homem é o que pensa e acaba se tornando o que pensou". Ou seja, que a realidade do homem é decorrente da representação que ele faz de si mesmo e de terceiros.

Seus pensamentos acabam gerando suas circunstâncias, logo, seus sofrimentos são fruto dos pensamentos que carrega. O budismo é uma doutrina interessante porque em nenhum momento fala de Deus nem afirma a sua existência.

Não é uma metafísica. A preocupação do budismo é com o homem e o sofrimento do homem.O príncipe Sidartha Gautama aos 29 anos deixou o seu palácio, abandonou mulher e filho, e foi peregrinar pelo mundo em busca de sabedoria.

No princípio seguiu uns monges mendicantes e passou um bom tempo a jejuar mas desistiu da mortificação quando constatou que ela só aumentava o apego. Começou a caminhar, observar e meditar sozinho e, muitos anos depois, se "iluminou": tornou-se um Buda, um "desperto".


Para Buda tudo é Maya, ilusão. Só existe um lugar: o aqui. Só existe um tempo: o agora. A realidade está restrita ao momento presente e sua primeira descoberta foi a impermanência: Tudo muda, de estados físicos a pensamentos.

O que parece existir apenas flui e pessoas e sentimentos são transitórios. Nada pode ser considerado fixo, nem a verdade. O que se deve buscar é um nível de compreensão adequado para o que somos agora, porque amanhã não seremos o que somos hoje.

Não devemos nos apegar ao transitório, somente permanece em nós o Atman - a alma imortal. Mas acumulamos karma a vida inteira porque carregamos todo o passado conosco. Assim, o primeiro ensinamento de Buda é evitar o apego.

Carregar erros e acertos passados impede que a atenção se fixe no presente, a única realidade, o único momento em que podemos zerar o karma. Quem carrega o passado não consegue produzir bons frutos.Os budistas zen têm maneiras interessantes de passar suas lições.

Usam "koans". O koan é uma história curta que traz em si uma sabedoria nem sempre evidente e meditar sobre os koans é aprendizado. O zen é a vertente japonesa do budismo e os japoneses são minimalistas.

O hai-kai e o koan são minimalistas e alguns são incompreensíveis. Mas um dos mais evidentes é o koan da Rua Lamacenta:"Dois monges peregrinos passavam por uma cidade e encontraram uma jovem que hesitava em atravessar uma rua lamacenta com medo de sujar as roupas.

Um dos monges pegou a mocinha no colo e carregou-a até o outro lado da rua. Continuaram a caminhar calados até que a noite chegou e se abrigaram numa hospedaria.

Quando se sentaram para jantar um dos monges não agüentou e censurou o companheiro: - Não se espera que um monge budista carregue lindas mocinhas no colo.

Jantaram em silêncio, porque as histórias budistas são recheadas de silêncio, e quando terminaram o outro respondeu: - Eu só carreguei a mocinha até o outro lado da rua lamacenta."

Embora treinados na mesma doutrina, um dos monges largou a mocinha do outro lado da rua, o outro a carregou por um dia inteiro. O bem ou o mal, depositados do outro lado da rua, perdem grande parte do valor que atribuímos a eles.

Quando a depositamos no outro lado da rua lamacenta, a mocinha deixa de existir. E não é sábio fazer a caminhada carregando a mocinha.

Texto que li em um blog.

março 16, 2006

UMA PESSOA MAIS OU MENOS


" A gente pode
Morar numa casa mais ou menos,
Numa cidade mais ou menos,
E até ter um governo mais ou menos.


A gente pode
Dormir numa cama mais ou menos,
Comer um feijão mais ou menos,
Ter um transporte mais ou menos,
E ate ser obrigado a acreditar mais ou menos no futuro.


A gente pode
Olhar em volta e sentir que tudo está
Mais ou menos.
Tudo bem...
O que a gente não pode mesmo,nunca,de jeito nenhum,
É amar mais ou menos,
É sonhar mais ou menos,


É ser amigo mais ou menos,
É namorar mais ou menos,
É ter fé mais ou menos,
É acreditar mais ou menos.
Senão a gente corre o risco de se tornar
Uma pessoa mais ou menos".

Chico Xavier

À MINHA AMADA TERESA


Era noite, chovia muito. entrei em casa e logo depois disso notei a sala vazia. Era um silêncio ensurdecedor. Pus o casaco, ainda molhado, em cima do sofá, fechei o guada-chuva e o pus encostado à porta.

Adentrei a sala, olhei...de um canto a outro e nao a achei.
Na cozinha, não havia nada sobre a mesa. Olhei o armario; e em seguida a pia...e nao me espantei com a pilha de louça ainda por lavar. Também não a encontrei.

Procurei nos fndos da casa, mas só havia o escuro e os caes. Percorri o quarto de casal - no escuro mesmo - e nada dela. Preocupei-me por um segundo.

Fui até meu quarto - único cômodo a procurar - e a avistei logo da porta, que estava entre - aberta.

Estava proxima a janela, parecia apreciar a lua que não via no céu nublado. no entanto, deletei-me em ver a pouca luz desse luar cobrir Theresa por completo. Iluminando-a.

Notei que também ela me havia visto, porém, nada pronunciou. Entendi.
Aproximei-me e com os labios cerrados, a acariciei. Ela, no entanto, estava fria. Não se mexeu.

Sentei-me numa cadeira junto a ela, tirei seu manto e continuei a tocá-la. Percorri meus dedos por todos os seus; e por fim encontrei uma pequena farpa. Tirei-a. Tornou-se a brilhar.

Todas as noites quando chego, vou ver Theresa junto à janela. Sei que ela me espera. Só tenho Theresa e ela a mim.

Todas as noites volto a tocar Theresa. Toco-a de A à Z.
Theresa fala através de mim e quão sincera ela é. Está velha, descascando. Theresa sofre se não a toco - Não sofra Theresa.

No início ela não me sorria, agora nós dois sorrimos...sempre...sempre que a toco. Por isso, todas as noites volto a tocar Theresa junto à janela. E ela a mim.
Obrigado Theresa...Minha máquina de escrever.

março 14, 2006

VOCÊ TEM SAUDADE DE QUÊ?


"Ah, que saudade que eu tenho da aurora da minha vida, da minha infância querida que os anos não trazem mais".


Casimiro de Abreu - Poeta das Saudades.

DETALLE DE LA MOSCA


As mulheres reclamam que, nós homens, costumeiramente estamos sujando o banheiro quando usamos o sanitário para urinar.

E, pelo visto, essa fama de má pontaria corre o mundo. No aeroporto Schiphol de Amsterdã, na Holanda, o problema foi resolvido. Desenharam uma mosca dentro do vaso e o resultado surgiu imediatamente.

Depois da idéia, os chamados "danos colaterais" foram reduzidos em 80 por cento. Agora, as autoridades resolveram implantar a idéia em outros locais públicos.




Coriosidades de um blog.

SÓ PODIA SER NO BRASIL



CLIQUE NA FOTO PARA LER OS DETALHES.

CINEMA É UM NADA A VER...

O vilão é sempre um estrangeiro. O vilão sempre parece morto, mas nunca o está. Sempre seram concedidas a ele uma ou duas ressurreições. Quando vilão captura o herói, conta a ele todos os detalhes do seu plano para destruir e/ou conquistar a Terra, incluindo os horários, as datas e os locais. O vilão quando finalmente consegue capturar o herói, tem uma recaída de camaradagem e planeja um método de execução que dá ao herói tempo suficiente para conseguir escapar.

Os vilões dos anos 40 e 50 são os alemães, nos anos 60 e 70 são os asiáticos , nos anos 70 e 80 são os soviéticos e nos anos 90 são os terroristas do Oriente Médio. Uma caixa de cigarros no bolso da camisa, uma medalha, ou algum outro objetos pode bloquear um tiro e salvar a vida do herói. Durante uma luta em um local fechado, alguém sempre é atirado por uma janela ou vidraça.


O vendedor de armas é sempre roubado com suas próprias armas. Todos os asiáticos são mestres em artes marciais. A pessoas que tem os maiores planos e sonhos, sempre morre primeiro durante a guerra. Quando um herói e um vilão estão lutando, eles sempre se tornam superhumanos, eles podem levar chutes na cabeça, cinqüenta socos na cara que continuarão lutando.


No meio de uma perseguição de carros, há sempre dois homens carregando uma vidraça (que acaba estraçalhada por um dos carros). O herói pode contar quantas balas o inimigo atirou, ele sempre sabe quando o cartucho está vazio. Fugitivos sempre encontram uniformes (ou roupas comuns) com o seu número de manequim. Um herói escondido, que faz algum barulho é sempre salvo por um gato. Um policial sempre consegue arrombar uma porta trancada na primeira tentativa.


Heróis do esporte sempre conseguem encontrar a sua amada no meio de 100.000 espectadores. Há sempre Coca-Cola no futuro. As memórias sempre aparecem em preto e branco. Mulheres sexualmente satisfeitas sempre aparecem com os cabelos soltos. Um fósforo na escuridão sempre fornece a luz de um holofote.


Criaturas do espaço falam inglês. Cachorros sempre lambem a face de uma pessoa boa, e sempre latem para uma má. As pessoas sempre estão tomando banho quando uma mensagem importante é gravada na secretária eletrônica. Um mudo, um cego ou um surdo na maior parte das vezes são testemunhas de um assassinato. Uma mulher inteligente sempre usa óculos. Sempre há um lugar vazio ao lado de uma pessoa sentada em um banco em um local público, como uma praça por exemplo.


Cartões de crédito e grampos funcionam perfeitamente em fechaduras. Elevadores estão sempre no andar onde está o herói ou o vilão para leva-lo à qualquer outro andar, mas se o herói está sendo caçado o elevador nunca vem. Se o herói ou o vilão durante uma perseguição pega um elevador, o outro consegue alcança-lo pelas escadas, mesmo que tenha que subir 20 andares. Relâmpagos e trovões sempre ocorrem ao mesmo tempo.


Nenhuma criança pode morrer... mesmo se ela for eletrocutada por um fio de alta tensão capaz de matar um dinossauro (Jurassic Park). Se você pegar um taxi cinematográfico não perca tempo esperando pelo troco. Os motoristas nem sabe o que é isso, apenas diga obrigado. Quando pagar a conta de um restaurante pegue uma nota qualquer em sua carteira sem olhar e pague.

QUALQUER QUE SEJA

"Qualquer que seja a profissão da tua escolha, o meu desejo é que te tornes forte e ilustre ou pelo menos notável, que te levantes acima da obscuridade comum".



Machado de Assis

março 09, 2006

"NUNCA MAIS VOLTEI AO TRONO"

vou te contar uma historia venéria...
bom , tava eu esperando minha mãe para fazer as compras do mês, quando derrepente... começa akele velha conversa fora de hora, do seu estomago com suas tripas, me entende neh? akele feijao q não bateu bem na noite anterior...


eu jah tava fazendo cruz nas pernas de tanta dor, comecei ateh a soprar, sabe respiração cachorrinho?, hhehehehehe...pois eh ateh isso.
nessa hr aparece uma colega de faculdade aí eu pensei:FUDEU!
e se vier um gás? akele gás...e ela começou a falar do carnaval q tinha viajado , coisa e tal ....e eu jah roxo de dor, soh balançando a cabeça e dizendo q sim.


depois de alguns instantes de reza(nessas hrs qulaquer ateu apela)tudo bem, ela foi embora e entao a dor passou e eu respirei aliviado, olhei pro meu estomago e falei: isso nao te pertence mais! la la la la.


minha mae xegou depois de meia hr de espera entao fomos as compras...ela viu a sessao de mulher, akela com calcinha e c sabe neh, parou e nunca mais saiu e eu lah axando tudo um saco...
pois bem axo q nao soh eu axei tudo um saco, pq derrepente lah vem ele de novo: akele barulho de motocicleta engasgada, akela vontade de ir pro trono...


nao me segurei dessa vez e fui ao banheiro...ahhhhhhhhh...akele alivio, qnd eu olho, adivinha?! NO PAPER, e falei baixinho: ihhh , fudeu de novo, e isso tudo enqunto segurava a porta q tava quebrada... apelei pela segunda vez...TOC, TOC...bati na parede da privada vizinha, meu senso de ridiculo a essa altura jah tava alí, tb dentro do vaso.
perguntei: vizinho? tem papel aí?! e a resposta: CRI, CRI, CRI...silencio total.


nem deu tempo de implorar soh sei q foi uma metralhadora o negocio, era tiro pra tudo qnto eh lado...
tive q limpar com 2 dedos de papel q encontrei escondido no encaixe, pense...
sai, pensando no alivio e tal e fui encontrar minha mae(lavei a mao,calma!) falei pra ela do ocorrido e ela veio com akele papo: tah vendo, nao me ouve ,nunca eskente o feijao e sim ferva, sempre!


e eu: sim blz, agora eh tarde!entao ela me perguntou: ainda sente dor?respondi q nao, mas tava com akele velho palpite...
passou-se uns 10 min e parece q o metalica tinha voltado pro meu estomago, entao minha mae falou:vai comprar um remedio na farmacia e eu disse:nao, q nada vai passar, resistindo ao rock´in roll...


virei pra ela cruzando as pernas e mordendo o labio inferior e disse:tah bom eu me rendo vou comprar o remedio e fui...
enqnto eu ia,pensava:nao posso dizer q estou na merda(literalmente)vai ser uma vergonha, entao tomei folego e soltei: MOÇA VC TERIA AÍ ALGUMA COISA PARA INDISPOSIÇAO INTESTICIAL?


e ela: claro! como se entendesse meu problema. Na volta, mostrei o remedio para minha mae antes de tomar.
ela olhou, examinou e gritou vc eh doido? isso aqui eh um laxante! e eu: mae, fala baixo, ninguem precisa saber!
resumo da historia: depois de ir umas 4 vezes no banheiro(mas somente na 1 vez nao tinha papel)minha mae foi trocar o remedio, dessa vez trouxe um entope tudo, sabe dakeles?! pois eh desse mesmo, e ateh hj quase 40 dias depois, nunca mais voltei ao trono!



Este texto foi um recado que enviei a um amigo do orkut, note as expressões e falta de uma gramática bem aplicada, preferi preservar os erros para dar mais comicidade à situçao. ISSO REALMENTE ACONTECEU!

NÃO HÁ EXISTÊNCIA SEM O OLHAR QUE TROCAMOS ENTRE NÓS

Imaginaria-me agora em uma praia cinzenta e fria, sozinho. Só eu e o mar molhando meus pés. Penso que alguém ignorado sente o mesmo: isolado, angustiado, tomado pelo nada a correr por essa praia imaginando alcançar alguém que se disponha a me ver, a conversar comigo, a me notar como pessoa.


Penso que essa minha praia não seja diferente da rua a qual vim e vivi, como vivem tantos meninos e meninas, assim como eu, impossibilitado de existência social, restando-nos somente a praia, sempre a tocar nossos pés para nos lembrar que assim como a água, as pessoas podem também ser bastante frias.


Conseqüentemente, se corro em direção a nevoa que me cobre a vista e tento observar o vulto que penso ser alguém a me notar, corro...mas para onde? Para quem? Se alcanço o vulto, logo descubro que ele não estava acenando pra mim, não sou eu o notado, passo desapercebido.


O vulto passa por mim e eu por ele. Baixo minha cabeça e me pergunto se Rousseau estaria certo em afirmar que não há existência sem o olhar que trocamos entre nós.
Em seguida, uma outra pergunta me vem de relance. Volto o olhar pra mim, me observo e imagino se minhas roupas sujas e rasgadas fariam diferença se assim elas não fossem vistas. Se a possível alvura de minha pele determinaria meu potencial de ser notado, de existir.


Poderia o resto da vida viver nessa praia, mas não posso. Uso de malabarismos e às vezes piruetas, na esperança de que dessa forma olhem para mim. Muitas vezes não consigo. E então só o que posso fazer é observá-los protegidos por seus escudos de vidro, intocados em seu mundo.


Por quanto tempo me deixarão isolado na praia? Por quanto tempo me deixarão afogado na rua? Não tenho respostas, somente a água fria.


Nessas horas justifico o motivo de alguns iguais a mim, usarem de qualquer poder de atenção para ser notados. Muitas vezes, chegam até a quebrar o escudo de vidro, quão desesperados de existência eles estão, outros algumas vezes vão além, e não quebram somente o escudo, quebram suas vidas também, somente em busca da tão valiosa existência, escondida entre o poderio do dinheiro e alvura da pele.


Mais um de meus textos para a disciplina de Sociologia que não foi digno de nota.
Lembro que produzi este texto enquanto ouvia "yellow" do Coldplay, visualizei o clipe dessa musica e desandei a escrever, acho que exagerei na viagem um pouco.

OS DONOS DE SEU NARIZ

Todos deviam ser donos do seu nariz, mas infelizmente isto não acontece. Num país como o Brasil o sonho do nariz próprio continua inalcançável para a maioria. Só uma minoria privilegiada é dona do seu nariz. Poucos sabem que 70% dos brasileiros alugam seu nariz. O Governo vem tentando melhorar a situação através dos financiamentos do BNN para a aquisição do nariz próprio, mas com a correção monetária, reajustes, etc. o pobre acaba pagando pelo nariz muito mais do que pode.



Muitos vivem na ilusão de serem donos do seu nariz e na realidade não são. Mesmo os proprietários de nariz não têm direitos absolutos sobre ele. O nariz é um bem móvel. Qualquer transação envolvendo o nariz depende da fiscalização pública. Você descobre que o nariz não lhe pertence quando, por exemplo, pretende viajar para o exterior. Não há nenhum empecilho para você sair do país, ao contrario do que se pensa.


— O senhor tem completa liberdade de ir e vir.
— Sem papelada, sem nada? Posso sair quando quiser?
— Exato. Mas sem o nariz, claro.
— Como? Eu sou dono do meu nariz.


— Perdão. Seu nariz é uma concessão do Governo. Pertence ao Estado.
— Mas eu não posso viajar sem ele. Somos muito ligados.
— Bem. Para tirar um nariz do país é preciso passaporte, visto de saída, atestado de bons antecedentes, atestado de ideologia do nariz...E o depósito compulsório.
— Quanto?
— Os olhos da cara.


Todos os impostos e taxas que você paga ao Governo são pelo uso do seu nariz. O nariz, na realidade, é a única parte da sua anatomia sobre a qual o Governo tem todo o poder. O Estado não interfere no resto do seu corpo que, no caso de prisão arbitrária, só vai junto porque quer. Foi isso, na opinião de alguns juristas, que tornou o habeas-corpus supérfluo entre nós. E, convenhamos, um habeas-nasalus seria ridículo.


Eu alugo meu nariz e estou muito satisfeito com ele. Não conheço o proprietário. Pago o aluguel em dia, conservo o nariz em bom estado e não dou ao locador qualquer razão para queixa. Mas, teoricamente, o dono do meu nariz pode reclamá-lo quando quiser. Basta uma denúncia vazia de que eu estou metendo o meu — ou dele, no caso — nariz onde não devo e ele pode reaver o nariz. A situação é irrespirável.


Alguns proprietários de narizes alugados estão sempre vistoriando a sua propriedade. Acordam o locatário no meio da noite para ver como vai o nariz.
— Hum. Deixa ver. Parece bem. Este cravo aqui do lado...
— Vou espremer amanhã mesmo.
— Você limpa todos os dias?


— Por dentro e por fora.
— Olha aí: os óculos estão deixando marca. Não pode.
— Vou cuidar disto. Agora posso dormir? Estou meio resfriado...
— Que tipo de lenço você tem usado? De papel, espero. Lenço de pano irrita o nariz. Olhe lá, hein?


Alguns contratos de aluguel são extorsivos. Incluem uma cobrança por espirro, taxa-coriza, o diabo.
Existe uma espécie de bolsa do nariz onde os grandes proprietários compram, vendem e trocam seus narizes.
— Tenho um nariz bem grande em Petrópolis. Troco por dois pequenos na Zona Sul.
— Nariz novo. Vendo. Estilo grego.


— Compro um afilado. Qualquer zona menos Avenida Farrapos.
— Vendo um achatado, simpático, amplas narinas, na Independência.
— Reformado, como novo, troco por adunco ou arrebitado.


A questão do nariz reformado é, legalmente, um pouco confusa. Quem é dono do seu nariz pode alterá-lo como quiser, desde que obtenha uma licença da prefeitura. Um bom Pitanguy, hoje vale uma fortuna. Mas quem aluga o seu nariz e quer modificá-lo deve antes consultar o dono.
— Estou pensando em tirar um pouco aqui, estreitar aqui e baixar aqui.


— Impossível. Não posso permitir. A senhora quer diminuir a área total do meu nariz.
— Mas vai ficar um Tônia Carrero perfeito. Vai aumentar de valor.
— Sei não... Aumentam os impostos...
— O senhor pode aumentar o aluguel.
— Feito.


Os donos do seu nariz têm o poder e não há nada que você possa fazer a respeito. O seu nariz pode ter sido vendido a uma multinacional agora mesmo e você nem sabe.



Crônica de Luis Fernando Veríssimo.

MÍLTON E O CONCORRENTE

Mílton ainda não abriu a sua loja, mas o concorrente já abriu a dele; e já está anunciando, já está vendendo, já está liquidando a preços abaixo do custo. Mílton ainda está na cama, ao lado da amante, desta mulher ilegítima, que nem bonita é, nem simpática; o concorrente já está de pé, alerta, atrás do balcão.


A esposa — fiel companheira de tantos anos — está ao seu lado, alerta também. Mílton ainda não fez o desjejum (desjejum? Um cigarro, um pouco de vinho, isto é desjejum?) — o concorrente já tomou suco de laranja, já comeu ovo, torrada, queijo, já sorveu uma grande xícara de café com leite. Já está nutrido.


Mílton ainda está nu, o concorrente já se apresenta elegantemente vestido. Mílton mal abriu os olhos, o concorrente já leu os jornais da manhã, já está a par das cotações da bolsa e das tendências do mercado. Mílton ainda não disse uma palavra, o concorrente já falou com clientes, com figurões da política, com o fiscal amigo, com os fornecedores.


Mílton ainda está no subúrbio; o concorrente, vencendo todos os problemas do trânsito, já chegou ao centro da cidade, já está solidamente instalado no seu prédio próprio. Mílton ainda não sabe se o dia é chuvoso, ou de sol, o concorrente já está seguramente informado de que vão subir os preços dos artigos de couro. Mílton ainda não viu os filhos (sem falar da esposa, de quem está separado); o concorrente já criou as filhas, já formou-as em Direito e Química, já as casou, já tem netos.


Milton ainda não começou a viver.
O concorrente já está sentindo uma dor no peito, já está caindo sobre o balcão, já está estertorando, os olhos arregalados — já está morrendo, enfim.


Conto de Moacyr scliar.

PROFESSOR UNIVERSITARIO PEDE TRABALHO ESCRITO À MÃO

Na última segunda - feira de fevereiro um professor universitário pediu a dois grupos de alunos que refizessem seus trabalhos e que estes sejam entregues feitos a mão.
A justificativa do professor, o qual ministra a disciplina de filosofia na Universidade Federal de Alagoas, para os alunos de comunicação social, foi que estes dois grupos de alunos estavam com trabalhos idênticos.
-- Parece que copiaram do mesmo site, justificou o docente.

O trabalho que valeria a nota do semestre constava de um trabalho escrito e de uma apresentação em sala sobre o tema abordado, no caso, sobre o filosofo Maquiavel.
Ao que tudo indica, os alunos seguiram a risca o que leram no site sobre o referido filósofo. Maquiavel foi conhecido por ensinar, em sua obra mais famosa, como manipular as situações e pessoas em favor próprio. Foi o que fizeram ao encontrar um vasto acervo de textos na rede mundial de computadores.

Os alunos, porém, justificaram seus atos.
-- Eu perguntei se o trabalho poderia ser feito pela internet e ele respondeu que sim. Desabafou uma das alunas.

Um outro aluno que também participou do trabalho dá sua versão:
-- Esse professor passa um trabalho, diz que quer uma apresentação e junto um trabalho escrito, nós fizemos isso, pois até para se copiar um texto pela internet tem de se lê-lo, conectá-lo, editá-lo. No máximo o que fizemos foi ter errado na escolha do site. Ironiza o aluno.

Segundo relato de outros que não estavam envolvidos no caso, o professor da disciplina havia colocado alguns nomes de filósofos no quadro-negro, e a falta de experiência didática desse professor fez com que vários alunos escolhessem o mesmo autor, entre eles os dos dois grupos citados anteriormente.

Há nisso tudo, um amplo despreparo do corpo docente do sistema de educação universitária brasileiro. Professores substitutos são postos em lugares que nunca deveriam estar, pois proporcionam aos alunos horas de “palavriados” sem que cause o menor interesse por parte dos alunos.

Por outro lado, temos uma procrastinação dos alunos por colocar sempre os docentes como causas imediatas do que não conseguem aprender e são nesses casos, de trabalhos feitos pela internet, que se evidencia isso. Alunos procuram a maneira mais fácil e cômoda de pesquisa didática, pois não encontram na biblioteca universitária nenhuma ou uma deficiente fonte de pesquisa.
Entre pesquisar em um livro rabiscado, rasgado e cujo algumas palavras ainda vêem escritas com ph ( pharmácia, photografia) e outras ainda com tio (criãnça), penso que os alunos escolherão as siglas mais conhecidas no mundo as WWWs, onde no lugar da caneta tem-se o CTRL + V – CTRL + C e para as horas de necessidade gramaticais, sem dúvida o velho Word serve tanto quanto o Aurélio.



Sou aluno de comunicação social (Jornalismo) dessa universidade. Defendo um aprendizado sério e construtivo de ambos os lados. Mas infelizmente estamos falando do ensino público brasileiro.

março 08, 2006

CARNE BÊBADA

Severino ficou em casa vários dias por causa dos medicamentos e das reações a ele. Quando por fim despertou para ver uma manhã ensolarada, a qual não dava importância. Celebrou mesmo assim o evento. Estava consciente. Usando uma pá para revolver a terra numa pequena horta, passou seis horas fora de sua casa alugada.

Apesar de ser um trabalho fácil e contentador em outros dias, suas mãos não equilibravam direito o instrumento, havia meses que não mexia aquele barro seco. Mesmo com luvas, seus dedos ficavam quase imediatamente cheios de bolhas, que logo se romperam. Mas o solo era fértil e ele imaginava manhãs de verão, não muito distantes, em que iria carregar com os braços cheios, seu próprio milho e seus próprios tomates e abobrinhas para cozinhar.

Ficou nisso até o fim da tarde. Depois entrou em casa sentou-se no sofá e pegou um catálogo. Ficou lendo a lista e seus vários nomes e números durante a meia hora seguinte. Na maior parte do tempo, permaneceu absorto, mas tinha que fazê-lo.

As bolhas nas suas mãos estavam doendo. Levantou-se do sofá, foi até o armarinho da cozinha, onde guardava algumas pílulas analgésicas. Hesitou de início, não sabia se o remédio lhe causaria algum mal-estar. Pego-as e tomou duas com um copo de suco.

Naquele instante, quando estava a ponto de sentar de novo, Siva ouve um ruído de motor, alguém subindo pela rua.
Debruçou-se para olhar entre as festas da janela lacrada e viu um carro branco parar do lado de fora, do outro lado de sua rua. Não havia emblema nem dizeres: quatro janelas esfumaçadas em branco na parte de trás e pneus já há muito tempo rodados.

Houve um barulho. Nada de anormal. Alista telefônica havia caído do descanso de braço do sofá, encontrando a chão riscado com muita rapidez.
Dentro da casa alugada, Siva estava gritando.

Os olhos estavam piscando, imóvel e indefeso ali, ele só via a única saída de lugar nenhum. A porta da cozinha, já bastante distante de seus olhares vermelhos.
Na sala o que o atordoara, o que produziu aquele som insuportável aos seus ouvidos, não existia. Não conseguia ver a simples ação que moveu o objeto, o vento em suas folhas o empurrara para baixo.

Imóvel junto à janela, só existia então o silêncio.
Agora as cortinas começaram a se mexer novamente, como havia notado em outras vezes, quase titubeantes.

Ficou então esperando por uma resposta durante alguns minutos. Seu grito teve forcas quase para sair de sua boca, o que impossibilitou de alguém o ouvir. Não alguém que ele quisesse que ouvisse.

Severino recobrando os sentidos, voltando ao seu estado normal.
Não imediatamente. Era gradual, até que por fim recobrou totalmente a consciência. Então voltou a si. Começou a absorver sensações, impressões.

Estava jogado no chão de barriga para baixo.
O rosto e as costelas saltavam em dor nos pontos em que os pregos do assoalho o tinham encostado. Sentiu-se esmurrado e chutado. Foi algo que o ruído despertou. Um domínio dentro de si, em sua casa alugada.

Estava em sua mais absoluta escuridão.
Moveu a cabeça e o piso raspou sua face esquerda, enquanto o prego pontiagudo e solto engolia-lhe o olho. Estendeu os dedos para toca-lo.

Sentiu que o soalho a algum tempo precisava de concerto, suas pecas estavam soltas, fiapentas e velhas, soltando talas a qualquer um que as pressionasse.
Tateou com a mão e descobriu que o tapete terminava a uns poucos centímetros de onde estava caído. Para além estava a mesinha do telefone.

Lembrou-se de ter ouvido sua irmã, Arlete, lhe falar que caso precisasse de ajuda, ligasse.
Deu-se conta de uma pressão em seu rosto. Trouxe o dedo indicador até ele e sentiu um corrimento contínuo e grosso no seu olho esquerdo, o qual cobria mais ainda o breu de suas vistas. Era então por isso que não podia enxergar.

O prego enferrujado tinha soltado pedaços de seu metal e perfurado um pequeno centímetro — Ele não conseguia nem abrir o outro olho dormente.
De uma certa distância uma voz falou:

— Aposto que podia ter sido pior! A vida é assim mesmo, cruel!
Aquelas palavras soaram ironicamente lentas. Captou também um graduado leve e curto som, da voz estranha. Podia pressentir que estava a certa altura do chão.

— Onde você está? Perguntou Siva surpreso ao falar.
— Não importa. Disse a voz.
— O que você quer?
— Tudo ao seu tempo. Mais uma vez a voz.

Quando aquelas palavras partiram, só havia silêncio.
— Posso sentir o cheiro de sua alma. Sabe disso?
Ele estava quase alegre em ouvir a voz novamente. O som restabelecia alguma sensação de lugar e distância, algum instante para respirar.

Uma leve pausa, curta, amedrontadora. E então a estranha voz cospe uma risada breve.
Outra pausa.
E agora um novo ruído.

Algo sendo deslocado. Não só podia ouvi-lo, mas também senti-lo através da extensão da madeira que estava caído.
Ele estava indo em sua direção. Desta vez mais forte. Ergueu os ombros e se sentou para ficar voltado à direção de onde vinha — Era o vento vindo solto da janela não mais trancada.

— Levante-se. Disse a voz.
— Levante-se. Você ainda pode ver com um olho.
Ele sacudiu uma perna, sacudiu outra. Então sentiu algo frio e
deslizante tocar o chão de seu pé — Era seu suor acumulado na madeira encerada.
— Você sabe onde está? Perguntou a voz.
— Você já esteve aqui outras vezes.

Ele podia visualizar um vulto pequeno e escuro em meio às cortinas brancas. Não pode ser! Pensou ele — Mas estava ali.
Teve vontade de vomitar. Seu estomago se contraiu.
Ele ficou imóvel, deixando o soalho suportar seu peso, enquanto este rangia contra o chão.

— Mova-se. Disse a voz.
Estava preso no chão. Pensava-se assim.
— Vamos! — Pelo menos tente. Disse em seguida.
Sentia –se pálido.
— Você quer uma mãozinha? — perguntou ironicamente o vulto — mantenha-se vivo e eu o deixarei ir.

Ela ia matá-lo, pensou Siva, tinha certeza disso.
Mesmo assim escolheu viver nem que fosse por mais alguns segundos.
Andou um pouco para o lado e enxergou fosca a janela. Agora ele estava a sua esquerda — e se confidenciou que talvez pudesse ir em direção aquilo.

Impossível, só haviam duas saídas. E uma delas era a janela.
— passaram-se trinta segundos. Sobra um minuto e meio — falou o vulto em voz alta — decidi não te avisar sobre o início da contagem — ironizou.

A coisa ficou olhando enquanto o sangue de Siva corria atravessando seu corpo e indo direto para a outra extremidade da sala. Ultrapassando a porta de entrada.
Achou isso notável. O modo como o líquido havia corrido imponente entre as frestas do piso, continuando a correr até o instante em que não tinha mais chão diante de si.

Era alguma coisa antropozoomórfica, pensou Siva, algum trejeito involuntário fez com que percebesse um algo mais de animalesco naquele ser.
Percebendo a gravidade do momento, algo o fez abandonar uma investida contra a coisa. Mesmo que conseguisse não poderia. Mal se mantinha em pé. E se fizesse sem sucesso? O que viria a seguir.

— Sabe? Isso não se pode imitar. Mesmo nos filmes, toda a equipe se prepararia, iria muito sutilmente determinar o curso de seu sangue, antes deste se precipitar além da borda do piso — comentou com Siva, a coisa, e este sem entender nada.

E agora um metal, uma espécie de gancho começou a tinir. A coisa o estava arrastando no chão, uma serie rápida de ruídos arrastados — ele escutava o tinir, sentia o riscar pelo piso, fazendo seus pés formigarem.

O barulho estava mais perto. Ele imaginou a ponta do metal na sua direção, fria e pontiaguda.
O vulto o estava alcançando, restava só alguns passos de distância.
Ele podia ouvir a respiração dele.

As riscadas cessaram, não conseguia ouvi-las andando em sua direção.
E afastou-se para trás...
...um passo. Até que apoiou o pé esquerdo e sentiu o empossado chão, nenhum espaço livre, só um líquido viscoso e logo estava caindo para trás, sem controle.

Deslizando.
Ele foi caindo, caindo, caindo.
Precipitou-se às cegas para baixo, sabendo que algo o esperava quando finalmente encontrasse o solo de novo. Algo ruim.

Quando ele piscou ao acordar, a porta da sala havia sido aberta.
Claridade. Um feixe de luzes fortes, brilhando nos seus olhos. Tentou erguer uma das mãos, proteger os olhos. Mas exigia um esforço grande, grande demais. Deixou o braço cair no chão, e fechou os olhos novamente.

A criatura ergueu o gancho e girou-o, fazendo-o brilhar num arco em direção ao pescoço de Siva, e isso foi a ultima coisa de que ele se deu conta naquele instante.
Severino Gerson dos Santos, beirava os quarenta e dois anos. Tinha mulher e filha.
Seu quadro psicológico o definia ainda como maníaco-depressivo.

Sua irmã, Arlete, havia alugado aquela casa uns cinco meses atrás. No penúltimo mês, Siva tinha quase perdido os dedos das mãos. Cavou o chão de cimento até encontrar terra, num de seus ataques.

Quando os enfermeiros chegaram na casa, o encontraram nu, caído e todo envolto em sangue. Suas roupas estavam empilhadas no chão. Parecendo-lhes terem sido arrancadas do corpo.
Siva usara um pequeno objeto contorcido e pontiagudo para perfurar seu próprio olho. Alegou não ter cometido o ato, responsabilizando um ser com corpo de gato e cabeça de gente.

Depois que a mulher o abandonou, Arlete foi obrigada a tranca-lo na casa.
Em seu último ataque Severino havia até tomado álcool combustível. Morreu com síncope. Era alcoólatra.


Conto Baseado em um fato real(familiar). Ano de produçao: 2003.

A BIOÉTICA É PARA QUEM?

O sertão vai virar mar e o mar vai virar sertão. Talvez Antônio Conselheiro não soubesse precisamente o que significaria estas palavras profetizadas por ele, o fato é que desde sempre de algum modo e em algum lugar o homem, ou menos uma pequena parcela dele, preocupou-se como conviver em equilíbrio com este planeta e com os recursos naturais que ele nos oferece.

Assim como nossos avós, Antônio Conselheiro sabia a sua maneira, que a natureza tem um papel muito significativo na vida de qualquer ser humano. Nessa terra todos sabemos, em se plantando tudo dá, mas nada é para sempre. Como usar os recursos naturais a que dispomos de maneira salutar?

Essa pergunta talvez nunca seja respondida e se for, alguém nos acude pois será tarde demais.
Sabemos que já passamos por uma era glacial— ao menos a mais recente — e sobrevivemos a ela. Contudo, o que parece mera ficção pode sim acontecer.

No filme O dia depois de amanhã, acontece exatamente isso: um superaquecimento global e um excessivo aumento dos níveis de água dos oceanos. O enredo já sabemos e não é preciso assistir a nenhum filme hollywoodiano. Dramas cinematográficos à parte, o que provavelmente não deixaria de acontecer seria o descaso das autoridades, como acorre no filme, as quais só lamentam quando somente há o mínimo a fazer.

Não é preciso contudo, que se pense que este fato está longe de acontecer. Nota-se a cada verão um aumento sensivelmente notado na temperatura e um inverno cada vez mais frio — levando-se em consideração a proporção de cada continente e suas subdivisões regionais. Está na hora desde de já que nós, habitantes também deste planeta, nos mexamos e que paremos de só cuidar do quintal de nossa casa, cuidemos também desse imenso depósito de lixo que se tornou a Terra para a humanidade.

Levando-se em conta, a imensa dimensão do nosso planeta, se se pensar em quantos condicionadores de ar estará ligado neste momento, sem dúvida não restará nem a mais tenra das camadas que nos proteja do derretimento das calotas polares, sem falar na rápida vaporização da água do mar a qual aumentaria os níveis pluviométricos. Assim com tanta chuva, não restará de pé ou em superfície, se quer uma palmeira onde cante qualquer pássaro que dirá um sabiá.

Logo, é inevitável que haja preocupações com respeito à natureza e a natureza das coisas com que a tratamos. Desligar o condicionador de ar não resolverá o problema, mas é uma pequena atitude que certamente fará diferença se a tomarmos como exemplo para fazer mais coisas desse tipo, e quem sabe assim nos reste mais alguns anos de sobrevivência neste planeta.

Texto produzido para a disciplina de filosofia.

RECONHECIMENTO: A MOTIVAÇAO DE EXISTIR


Não foi por acaso que Rousseau, Adam Smith e Hegel destacaram o valor do reconhecimento dentre todos os processos elementares. Ele é, de fato, duplamente excepcional. Inicialmente, por seu próprio conteúdo: é o reconhecimento que determina, mais do que qualquer outra ação, a entrada do indivíduo na existência especificamente humana.

Efetivamente, quando uma criança explora ou transforma o mundo a seu redor, recebe também confirmação de sua existência, quando imita um adulto, ela se reconhece como o sujeito de suas próprias ações e, portanto, como um ser existente. Assim, o primeiro reconhecimento que a criança recebe vem de pessoas superiores: seus pais ou seus substitutos; depois, o papel é retomado por outras solicitações encarregadas pela sociedade para exercer essa função. Logo, toda coexistência é um reconhecimento.


A ASPIRAÇÃO AO RECONHECIMENTO

A aspiração ao reconhecimento pode ser consciente ou inconsciente, acionando mecanismos racionais ou irracionais. Posso tentar captar o olhar dos outros por meio das diferentes facetas de meu ser, meu físico ou minha inteligência, minha voz ou meu silêncio.
Sob essa ótica, as roupas exercem um papel particular, pois são literalmente o campo de encontro entre o olhar dos outros e minha vontade, fazendo com que me situe em relação aos mesmos; quero ser parecido com eles ou com alguns dentre eles e não com todos, ou com ninguém. Portanto, escolho minhas roupas em função dos outros, mesmo que seja para lhes dizer que me são indiferentes.

O reconhecimento atinge todas as esferas de nossa existência e suas diferentes formas, e nenhuma pode substituir a outra: conseguem no máximo, proporcionar, conforme o caso, algum consolo.
Tenho necessidade de receber reconhecimento tanto no plano profissional como em minhas relações pessoais, no amor e na amizade; e a fidelidade de meus amigos não pode, na verdade, compensar a perda de um amor, assim como nem toda a intensidade da vida privada consegue apagar uma derrota na vida política.

Hegel afirmou que a demanda de reconhecimento podia acompanhar a luta pelo poder; mas ela pode também se articular com relações em que a presença de uma hierarquia permite que se evitem conflitos. A superioridade e a inferioridade dos parceiros, são, com freqüência, reveladas antecipadamente: cada um aspira nada menos do que a aprovação do outro.

O reconhecimento proveniente dos inferiores, por sua vez, não é de se desprezar, embora seja muitas vezes dissimulado: o patrão, bem sabemos, tem necessidade de seu servidor não menos do que o inverso, o professor tem confirmado seu sentimento de existir pelos alunos que dele dependem, o cantor precisa, todas as noites, dos aplausos de seus admiradores, e os pais vivem o trauma da partida dos filhos, que pareciam, todavia, ser os únicos a pedir reconhecimento.

Essas variantes de reconhecimento se opõem em conjunto a situações igualitárias, no interior das quais surgem mais facilmente os sentimentos de rivalidade. Essas situações, por se só, são numerosas: o amor, a amizade, o trabalho, parte da vida em família.
Enfim, a pessoa pode tornar-se sua própria e única forma de reconhecimento, seja seguindo o caminha do autismo, recusando todo contato com o mundo exterior, seja desenvolvendo exageradamente seu orgulho e reservando-se o direito exclusivo de apreciar seus próprios méritos, ou seja, por fim suscitando em si uma encarnação de Deus que serve para aprovar ou desaprovar nossos comportamentos:
assim, o santo busca superar sua necessidade de reconhecimento humano e contenta-se em apenas fazer o bem.


A CONFORMIDADE E A DISTINÇÃO

Devemos agora distinguir duas formas de reconhecimento as quais todos aspiramos, mas em proporções as mais diversas. A esse propósito, poderíamos falar de um reconhecimento de conformidade e de um reconhecimento de distinção. Essas duas categorias opõem-se uma a outra: quero ser considerado diferente dos outros ou semelhante a eles.
Aquele que deseja se mostrar o melhor, o mais forte, o mais bonito, o mais brilhante, quer evidentemente se sobressair entre os demais; é uma atitude particularmente freqüente na juventude. Existe, porém, um outro tipo de reconhecimento que é antes uma característica da infância e, mais tarde, da maturidade, sobretudo nas pessoas que não têm uma vida pública intensa e cujas relações íntimas estão estabilizadas:
obtêm seu reconhecimento pelo fato de se conformarem, tão escrupulosamente quanto possível, aos usos e normas que consideram apropriados a sua condição. Essas crianças e esses adultos sentem-se satisfeitos quando se vestem como convém à sua faixa etária ou de acordo com seu meio social, quando podem enriquecer suas conversações com comentários adequados, quando provam que pertencem efetivamente a seu grupo.

AS RENÚNCIAS

Certas formas de renúncia a toda e qualquer forma de reconhecimento são radicais. Assim, por exemplo, o autismo, grave anomalia do psiquismo que condena a pessoa a ficar fechado em si mesma, a recusar qualquer contato, troca ou comunicação com os outros.
Não importa a origem desse distúrbio, orgânico ou funcional, o efeito é o mesmo: ao recusar o contato o doente afasta qualquer risco de lhe faltar reconhecimento ou de não receber confirmação de seu valor.

Podemos comparar ao autismo certas atitudes menos patológicas. Podemos perguntar, por exemplo, se o difundido uso das drogas pesadas ou leves, entre os adolescentes ( ou do álcool, mais tarde ) não corresponde a uma recusa em buscar o reconhecimento dos outros.
Quando se está viajando, tem-se a sensação de plenitude, de auto-suficiência, que permite não mais nos preocuparmos com as reações dos que nos cercam. Na mesma faixa etária, a música tem papel semelhante, que eu escuto de preferência muito alto ou com fones de ouvidos: também serve de camada isolante entre mim e o mundo exterior, ela me envolve como um casulo, dispensando-me de solicitar um reconhecimento.

Por conseguinte, podemos observar, tanto nas crianças como nos adolescentes, a tendência à solidão ou à indiferença quanto ao julgamento dos outros, com freqüência, depois de decepções afetivas ou de situações que causaram um sentimento de abandono.
Esconder-se por trás da carapaça da indiferença possibilita, evidentemente, evitar futuras decepções. É claro que tais atitudes de retraimento podem ser interpretadas pelos outros como orgulho ou desprezo, provocando, assim, além da rejeição inicial provavelmente imaginária, uma rejeição real. Esse mecanismo é um exemplo dentre outros onde, como dizem os lógicos, a representação produz a coisa representada.

A renúncia sob o nome de orgulho é uma das mais conhecidas. Pode-se restringir o sentido dessa palavra ( de acordo com o grande número de seus usos ) para designar a renúncia a toda e qualquer confirmação de meu valor por um juízo externo e sua substituição por uma auto-aprovação, confirmação de que só eu detenho o privilégio.
O indivíduo orgulhoso louva a si mesmo: primeiramente, porque sendo orgulhoso jamais se digna a partilhar sua auto-apreciação com os outros (despreza-os demais para tanto); depois porque o orgulho não exige necessariamente um elogio: posso ser orgulhoso e severo comigo mesmo, o importante é que só eu tenho o direito de me julgar.
O orgulhoso é, portanto, na superfície, todo modéstia, visto que não pede nada aos outros, não é vaidoso no sentido da palavra; mas sua auto-estima é bem maior do que a do vaidoso que confia no julgamento dos outros. De onde, sem dúvida, origina-se a fórmula de Rousseau : “ O amor de si, deixando de ser um sentimento absoluto (isto é, introduzindo-se no mundo social), torna-se orgulho nas grandes almas, vaidade nas pequenas.”

O orgulhoso é uma das melhores aproximações possíveis do ser auto-suficiente. Para não depender dos outros, admitindo sua incompletude, procura fazer tudo sozinho: é hábil tanto no plano físico quanto no mental, sabe sempre cuidar de si. Sua vontade de autonomia o conserva em boa saúde, pois enfermidade é dependência.
Ou então, é um ser ascético, desprovido de necessidades: come pouco, vive duramente. Suspeita-se duramente que os santos cristãos nutriam um grande orgulho; aquele que diz “não tenho necessidade de nada” subentende-se: tenho tudo; sonha ser deus.
Na verdade, o orgulho nos induz a fazer a separação entre o reconhecimento de nossa existência e a confirmação de nosso valor: mostro indiferença quanto a esta mas não àquele. Minha tranqüilidade de espírito provém não do juízo positivo que faço de mim, mas do fato de que esse juízo, positivo ou negativo, é reservado a mim; entretanto tenho sempre necessidade dos outros para me sentir existir, mesmo que não lhes peça que me aprovem.

O orgulhoso gostaria de apresentar suas atividades como livres de qualquer finalidade externa: age a sua maneira, porque é ele quem mais lhe agrada no mundo e não porque espera recompensa. Não que tal motivação seja impossível:
nem sempre fazemos tudo buscando reconhecimento, podemos também encontrar até na realização de um gesto, sem passar pela mediação do olhar aprovador. Mas, no orgulho, a mediação não está ausente, esta interiorizada.
A diferença pode parecer capciosa, no entanto, é real. Se alguém, seja marceneiro ou escritor, fizer bem seu trabalho, pode encontrar satisfação, seja no juízo positivo que tem de si mesmo (é a interiorização orgulhosa do julgamento dos outros), seja no próprio ato de realizá-lo, sem passar por nenhuma mediação (é o que se chama de “realização”).

Na superfície, o indivíduo orgulhoso é agradável em seu ambiente; mas, em profundidade, é frustrante. É agradável, pois não nos incomoda com apelos, não nos solicita continuamente e presta serviço com mais freqüência do que pede; tem comportamento modesto, ora, a modéstia nos outros é uma qualidade muita apreciada. Mas, se estou destinado a conviver com ele, descubro progressivamente os inconvenientes da situação.
Ele me recusa todo reconhecimento indireto ao não admitir sua própria incompletude. Se não tem necessidade de mim, para que eu sirvo? Uma pessoa dependente de mim pode causar-me preocupações e aborrecimentos; no entanto, ela me dá mais do que toma de mim: ela me faz com que me sinta necessário.
“sempre se tem necessidade de alguém que tenha necessidade de você”. Essa mãe se queixa do tempo que o filho lhe toma, essa mulher sofre por ter de visitar um prisioneiro, esse homem esta irritado por ter de cuidar de seu pai doente; mas o desaparecimento desses seres dependentes seria também um golpe nos seus sentimentos de existência.
A exigência de reconhecimento que o outro me faz é em si mesma um reconhecimento por mim. Ora, o orgulhoso não me faz qualquer pedido, mas busca minha aprovação, não admite sua fraqueza. Tenta sempre fazer tudo melhor que seu próximo, a ponto de este se sentir humilhado pela comparação. Nesse aspecto, o indivíduo vaidoso, insuportável na superfície, é bem mais agradável: sinaliza sempre a necessidade que tem de mim.
É o que já havia notado Adam Smith: o homem orgulhoso é mais respeitável, porém, mais difícil de conviver, o vaidoso que quer sempre agradar é uma companhia agradável: é fácil dar-lhe prazer.

A SOLUÇÃO

A solução para os que vivem próximos do orgulhoso seria, certamente, ir embora, mas ele não a suportaria e faz com que se saiba disso. O orgulhoso exerce sobre os outros um duplo constrangimento: exige que estejam presentes (o que confirma sua existência), mas não lhes pede nenhuma contribuição em particular, pelo contrário, ostenta sua completude (sua auto-aprovação).
É o que se passa com antigos maridos que desprezam suas esposas, mas não podem viver sem elas, pois têm o hábito de falar diante delas (não propriamente com elas), mesmo que seja para lhes dizer, especialmente, que elas não merecem escutá-los. O orgulhoso exige do próximo seu reconhecimento, mas não o admite; devido a isso, recusa-se a conceder o seu.
Artigo proposto à disciplina de psicologia como requisito a obtençao de nota.

março 04, 2006

ERA SÓ O QUE FALTAVA

Brad Pitt quer fazer papel homossexual, diz tablóide Publicidade da Folha Online .O ator norte-americano Brad Pitt, 42, um dos galãs mais bem pagos de Hollywood, pediu a seus agentes que lhe consigam um papel de homossexual.

A vontade teria surgido depois do estrondoso sucesso registrados por filmes com esta temática, como "O Segredo de Brokeback Mountain" e "Capote", ambos indicados ao Oscar deste ano nas categorias melhor filme, melhor diretor e melhor ator, entre outras.

O ator, atualmente namorado da também atriz Angelina Jolie, 30, quer atuar em um filme "que descreva a história definitiva de um amor gay", disse uma fonte próxima de Pitt segundo o tablóide inglês "The Sun". "Ele quer que seja uma história que agrade a homens e mulheres, e quer que este papel seja o mais arriscado de sua carreira.

Ele sabe que vai causar um choque, mas acha desafiador", disse a fonte segundo publica o jornal inglês nesta quarta-feira. Pitt já viveu um personagem gay no cinema. Ele interpretou Louis no filme "Entrevista com vampiro", de Neil Jordan. Na trama, ele era amado por Lestat, interpretado por Tom Cruise.

O filme, porém, adpatação do livro de Anne Rice, mostrou o romance homossexual de maneira mais indireta. Mas o trabalho, mesmo que apareça, deve ser guardado para o futuro. O ator, agora, só pensa em seu casamento e nos preparativos para a chegado do bebê de Angelina, prevista para julho.

março 02, 2006

EU VIVO ATRAVÉS DAS MÚSICAS

Os artistas que me desculpem, mas agradeço aos céus por existir a internet e sua pirataria musical. Em conseqüência disso pude ouvir desde Bach até Vanessa da mata, contudo, não é só a questão de pagar ou não, pagaria se tivesse dinheiro e se encontrasse nas lojas, talvez eu encontre Vanessa lá, sim, e seus ai, ai, ais...

Mas não encontrei Bach, na prateleira de forró e axé não cabiam. Somente o fato de poder ouvir e ter para mim nas horas em que eu preciso já me vale ser chamado de consumidor dos piratas ou genéricos. Onde eu compro tem até uma espécie de selo de autenticidade, se chama o clone cd & cia, com esse carimbo eu posso trocar se vier defeituoso e olha não tenho do que me queixar não!

Que Gustavo Santaolalla me perdoe... Ou não, por que só pelo frete de envio do cd eu iria pagar uma fortuna e isso sem contar a demora de chegar. Gustavo Santaolalla é espanhol - salvo engano - ele assina boa parte da trilha do filme: Diário de Motocicleta e O segredo de Brokeback Mountain. A maioria são sons instrumentais muito bem arranjados e postos nos filmes. Quando nessa vida eu teria condições financeiras – não agora - de conhecer o talento desse artista? Suas musicas estão agora comigo e me fará companhia, pretendo reproduzi-las somente para meus ouvidos e alma.

Agradeço ao deus mp3 por me proporcionar conhecer Johnny Cash e sua melódica Hurts, cantada num tom de quem já sabia a hora da morte, pois ele faleceu pouco tempo depois de gravá-la. Agradeço a Rufus Wainright por cantar tão expressivamente Maker Makes, já o conhecia através de Hallelujar, e também por eu poder ouvi-la, desculpe Rufus, mas seus direitos autorais são muito caros para alguém tão necessitado de coisa boa como eu e sua canção é uma delas.

Obrigado Willie Nelson por me embalar com He was a friend of mine e a você também Gustavo Santaolalla por sua linda e profunda Opening, com certeza ela me abriu um mundo de sentimentos e reflexões, que em mim já não existia. Obrigado por me proporcionar isso!

fevereiro 28, 2006

EU PENSO QUE...

" É melhor calar e deixar que os outros pensem que talvez você seja tolo, do que falar e acabar com a dúvida"



Provérbio de autoria desconehcida.

"MUITOS NICOLAIS JÁ SE FORAM"

Em um povo há a necessidade de um modelo, de um governante modelo, de um Estado modelo. E se para suprir essa necessidade, um “líder” tiver de ultrapassar alguns limites “éticos” e “morais”, então que o faça em prol deste povo e ele o venerará.

Esta bem que poderia ser uma frase extraída da obra O Príncipe, de Maquiavel, contudo, este livro trás mais do algumas frases de efeito. Este livro traz e revela toda uma maneira de governar, mostra e ensina que por traz de toda ação há em grande parte um plano meticuloso para que ela aconteça.

Aquele que matar sofrerá também a conseqüência da morte. Aquele que roubar, terá cortada às mãos. Essas eram algumas causas e conseqüências das punições praticadas nos tempos de Hamurabe. De certo, que o percurso dessa época até Maquiavel seja bem longo. Nos tempos do Príncipe não seria bem assim. Aquele que roubar... O fará em causa justa, “ensinaria a obra” - convém enfatizar que na obra de Nicolau não há nada que proponha diretamente este tipo de prática, contudo, explicita de maneira cuidadosa como se deve cobrar imposto sem que seja de mal grado fazê-lo.

Aquele que foi morto... Servirá como bode expiatório, servirá como exemplo, por que é assim que age um príncipe de verdade: severo quando necessário, misericordioso aos olhos do povo.
Contudo, esse povo deve exigir de seu governante quatro virtudes: clemência, benevolência, humanidade e religiosidade. Esta última com cautela, a igreja não devia ser bem vista ao governo de um príncipe, ainda mais se este quiser que seu reino esteja ao seu comando. Observa Maquiavel em sua obra, referindo-se a igreja católica e suas práticas nada ortodoxas, naquela época.

O príncipe foi escrito há pouco mais de quatro séculos, suas palavras jamais deixaram de ter seguidores e aprendizes. Nicolau morreu sem ver na prática – em Roma – suas idéias em andamento. Contudo, muitos Nicolais já se foram e por certo outros virão, logo, resta saber se a obra justifica o autor ou o autor a obra.





DISSERTAÇAO QUE EU IREI APRESENTAR A MEU PROF. DE FILOSOFIA ,UMA FIGURA APÁTICA, TANTO NADISCIPLINA COMO NA VIDA!

fevereiro 27, 2006

O SILÊNCIO DE BROKEBACK MOUNTAIN


Foi uma coisa totalmente inesperada, nunca ví algo assim antes. Foi chocante para mim.
Eu vou ao cinema a mais de 10 anos e nunca presenciei aquilo. A sala parecia um cemitério, um oco, um buraco negro, dava até para ouvir o som dos quadros do filme rodando no projetor. ninguém ria (quando convinha), ninguém tussia, ninguém respirava.

De certo não era em respeito a sensibilidade do filme, na certa esta reação era uma reação a falta desta. Quando observei algumas pessoas sairem da sala, não acreditei - já tinha lido e já tinham me falado a respeito disso - mas não acreditei. O que aqueles que sairam pensavam sobre o filme? Que era um drama pornô entre cowboys? Sim, por que escolheram a primeira cena mais íntima entre os dois para sairem. O filme é muito maior que suas cenas e acredito que aqueles que compraram o ingresso para vê-lo, já sabiam do que se tratava. Não acredito nesse choque todo das pessoas, acredito num falso moralismo que o impediram de proceguir até o final.

Eles devem se sentir tão culpados pelo que fazem escondidos ou entre quatro paredes que não admitem ver isso numa grande tela.

O filme é de uma sensibilidade impar, o contexto é emotivo, sincero. Qualquer um que goste tanto de cinema quanto eu irá admitir isso. O enredo caberia para um casal de homens, mulheres e até heteros é a história que emociona e não quem as vive, se trata apenas de sentimentos humanos e isso independe do sexo.

O silêncio serviu para uma coisa: ouvir melhor a trilha sonora que é simples e ao mesmo tempo complexa, embala e disnorteia, causa reflexao e te deixa pensar, assim como a vida!

NÃO PODEMOS JULGAR O QUE É CERTO NEM O QUE É ERRADO!

fevereiro 16, 2006

QUEREM ROUBAR MINHA IDENTIDADE





Pois é, é isso mesmo querem roubar minha identidade, não tem um lugar que eu chegue que uma pessoa não comente para mim que eu pareço com alguém, seja anônimo ou nao!

Esses caras aí em cima são aguns exemplos, depois de um tempo passei a verificar e concluie que não tenho nada a ver com esses caras, não estou me queichando não, mas uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Não quero parecer com esse ou aquele, já é tão dificil se sobressair entre os demais, mas me transformar só em um rosto...É complicado!

O que de comum entre eu e esses caras? As únicas coisas seriam as sobrancelhas grossas, o cabelo liso e escuro e o maxilar delineado, angular, somente isso e mais nada(penso).

Não posso impedir que me comparem com esses ou outros caras, mas me sinto um pouco frustrado!

De cima para baixo: Elijah Wood - Ator, Colin Farrel - Ator, Goran Visnjic - Ator, Caio Blat - Ator, Johnny Depp - Ator e Kevin Richardson - Cantor.

FALTA DE ABSURDO

SE VOCÊ VIER A ALAGOAS NÃO SE ESQUEÇA: PROTEJA-SE, ELES PODEM TE LEVAR TUDO E DE REPENTE VC NEM SE DA CONTA QUE JÁ NÃO ESTÁ MAIS COM O QUE VOCÊ ESTAVA ANTES: A ADUCAÇAO.

POIS É, SE VOCÊ VIER A ALAGOAS SUJIRO CAUTELA E AFASTAMENTO E OLHA QUE EU NEM ESTOU FALANDO DA POLUIÇÃO NAS PRAIAS – NÃO TODAS. EU FALO DE ALGO TAMBÉM DE VITAL IMPORTÂNCIA, PRINCIPALMENTE PARA QUEM NÃO ESTÁ ACOSTUMADO POR AQUI.

OS ALAGOANOS, EM SUA MAIORIA, SÃO AS PESSOAS MAIS MAL-EDUCADAS QUE EU JÁ VI, PENSO QUE DE TODO O NORDESTE. SÃO MAL-EDUCADOS EM TUDO, NO TRANSITO, NOS CAIXAS, NA EDUCAÇÃO – DIDÁTICA - E ATÉ QUANDO PEDEM ESMOLAS, POIS É, ATÉ NISSO. O MODO COMO TRATAM SEUS PRÓPRIOS CONTERRANEOS É ASSUSTADOR, MAS TUDO ISSO PARA TURISTA NENHUM PODER VER OU OUVIR, AS VEZES , CREIO.

A DIFERENÇA É GRITANTE, FAÇA VOCÊ UM TESTE: SE FOR PEGAR CONDUÇÃO, NOTE A DIFERENÇA ENTRE O LITORAL E O CENTRO, POR EXEMPLO. NO LITORAL EXISTEM OS BONS DIAS, BOAS TARDES E BOAS NOITES, NO CENTRO NÃO, NO CENTRO EXISTE: NÃO EMPURRA QUE ÔNIBUS NÃO VAI FUGIR, PÕE A MINHA BOLSA NA POLTRONA VAZIA, PRA GUARDAR ENQUANTO EU SUBO, SOBE LOGO VOVÓ! DENTRE OUTRAS QUE VOCÊ, SE VIER A MACEIÓ COMPROVARÁ.

É UMA FALTA DE ABSURDO QUE UMA CAMISA E UMA BERMUDA FLORIDA, INFLUENCIEM NO MODO DE TRATAR O OUTRO, UM OUTRO ALAGOANO. SE VOCÊ FIZER UM TOM MAIS PUXADO PARA O “S” OU “R” AO FALAR, AÍ SIM É QUE A COISA MUDA DE FIGURA. A ADUCAÇÃO SURGE INSTANTANEAMENTE, É INCRIVEL.

O LITORAL DAQUI É UM DOS MAIS BONITOS DO MUNDO, PENA QUE AS PRAIAS NEM A CIDADE NÃO SEJAM DESERTAS OU PELO MENOS COM NATIVOS MUDOS.
CONCORDO COM SARTRE: “O INFERNO SÃO OS OUTROS” E COMPLEMENTARIA: “ O INFERNO SÃO OS OUTROS E OS DIABOS SÃO ALAGOANOS”.

fevereiro 11, 2006

SEU NOME EM HIERÓGLIFO

Encontrei num blog esse link curioso, basta que você digite seu nome onde é pedido, que ele é traduzido para os tempos dos faraós! http://www.upennmuseum.com/hieroglyphsreal.cgi

meu nome traduzido ficou o seguinte:

.


Está abreviado, observe o ponto no fim da figura. Não ia conseguir colocar tudo, meu nome é muito grande, aliás, nem sei se coloquei direto, na ordem!


fevereiro 10, 2006

ELA DIZ QUE NÃO TEM TEMPO PARA VOCÊ AGORA (A VIDA)

Você pensa que seus dias são insignificantes
E ninguém nunca pensa em você

Ela vai pelo seu próprio caminho
Ela vai pelo seu próprio caminho

Você diz que seus dias são comuns
E ninguém nunca pensa em você

Mas nós todos somos iguais
E ela mal pode respirar sem você

Ela diz que não tem tempo
Para você agora

Penso nas pessoas solitárias
Então penso no dia que ela encontrou você

Ou mentiu para si mesma
E viu tudo se dissolver ao seu redor
Ela diz que não tem tempo
Para você agora

Ela diz que não tem tempo
Para você agora
Pessoas solitárias tropeçam e caem
Mas meu coração estará aberto para você.

"she has no time" - Keane (traduzida).
www.vagalume.uol.com.br

fevereiro 09, 2006

UM TRISTE NOVEMBRO

Terça-feira, 22 de novembro de 2005, 01:33 am.

Sonhei com você esta noite, com você e esse seu sorriso que sempre me cativou e sempre me fez feliz. Tudo que me lembro do sonho é a sensação de paz.

Eu acordei com essa sensação e tentei mantê-la viva o maior tempo possível, estou escrevendo para dizer que estou em busca dessa paz e para lhe dizer que lamento por muitas coisas.

Desculpe ficar tanto tempo sem falar com você, eu me sinto perdido, sem rumo, sem bússola. Fico batendo nas coisas, até parece loucura. É a primeira vez que eu me sinto perdido, você era meu verdadeiro norte.

Eu podia ir para casa só na esperança de ouvir sua voz ao telefone, desculpe por ficar tão nervoso quando falamos pela última vez, ainda acho que houve um engano e espero que se possa corrigir isso.

Desculpe por não tentar encontrar palavras para dizer o que eu sentia. Era orgulhoso demais. Desculpe por não elogiar mais você, pelas roupas que usava e por seu cabelo estar mais bonito, desculpe por não insistir em ficar ao seu lado, para que nada nem ninguém jamais a tirasse de mim.


Ass: Um triste novembro.


Este texto originalmente seria um e-mail que eu mandaria para a mulher em questão. Não mandei, ela não merecia que fizesse isso. Se me arrependo de não te-la conhecido? Não!
Me arrependo dela ter conhecido a mim. Por me fazer pensar , nem que por um segundo, que ela merecia essas as palavras acima. A vida, um tédio...a vida.
P.S. talvez ao ver estas duras palavras, ela me ache estúpido demais. E já não sou? Afinal escrevi esse e-mail melodramático.

DURKHEIM ENTRE UM POETA E UM CIENTISTA

Gostaria antes de tudo de falar primeiramente não de Durkheim (1820-1903), mas da vida. No entanto, compreendo que assim estou tratando dela mesmo assim.
Ao fazer este pequeno discurso ideológico me reporto, mas intimamente, ao poeta Ferreira Gullar, que conseqüentemente me remete a Heidegger (1889-1976) quando diz:

“o ser se desvela na linguagem, mas não na linguagem científica propriamente dita, e sim na linguagem autentica da poesia.”

Penso que o cientificismo de Durkheim, que buscava solucionar os problemas sociais de sua época, se contraporá a mim enquanto estiver escrevendo.

Ao ver e ouvir o debate entre um poeta e um cientista, quis naquele instante me submeter ao racionalismo científico de Rogério Cezar, quando se trata de revelar o que de fato acontece com o mundo que nos cerca. Relato minha impaciência em descobrir se tudo que conheço, tenha vindo realmente de um imenso Big-Bang.

No entanto, ao mesmo tempo me submeti ao lugar de Gullar quando afirmou que o cheiro de uma flor, algo que o remeteu de certo a lembranças íntimas, era mais que sensações causadas por hormônios.
Contudo, não sei se a normalidade social de que falou Durkheim se enquadra aqui, mas gostaria de manter, assim como ele — considerando os devidos assuntos de que trata cada um — um certo controle e o poder de mim mesmo.


A função de pensamento Durkheimiano era também nos dizer que comportamo-nos segundo as regras previamente estabelecidas, assim entendi que tais regras são inerentes à vida biológica e, não tendo o indivíduo como substrato, têm como base a sociedade.

Logo, as coisas que vivenciaríamos simplesmente não aconteceria pelo fato de estarmos biologicamente preparados para isso, segundo entendi afirmar Rogério Cezar. Ousaria neste instante intrometer Goethe a argumentar comigo, para me certificar neste momento que a metodologia científica, seja ela de que ou de quem, acaba com a poesia da vida de que tanto defendeu Gullar.

“ Pensar é mais interessante que saber, mas é menos interessante que olhar.”(Goethe).

Não sei se a influência positivista de Durkheim me afeta, mas este debate me fez crer, que nem tudo é como simplesmente é: a água uma molécula ou as cores um processo físico da natureza. Desejo entender que esse tudo é algo ainda não explicado, pois a alma de tudo ainda não tem explicação.


Trabalho de sociologia que apresentei depois do encontro que deu título a esse texto. O detalhe é que a professora desta disciplina: sociologia, ao seu modo de ver, dicidiu não atribuir nota alguma " não é digno de nota" disse. E mais adiante: "limite-se em apenas fazer o que lhe foi pedido". Num ataque ao meu texto por ter sido filosófico-existencialista demais. O que eu posso dizer? universidade pública, professores limitados, alunos limitados.

AQUELE MOMENTO EM PARTICULAR

Minha base estava balançada. Minhas tentativas e meu jeito verdadeiro de me expor eram por vaidade.
Minhas andanças estavam envelhecendo e eu fiquei na sala balançando os meus sapatos.
Naquele tempo em particular, o amor tinha me desafiado a ficar.
Naquele momento em particular, eu sabia que não fugiria de novo.
Naquele mês em particular, eu estava pronto a me descobrir com você.
Aquele tempo em particular.

Nós achamos que um tempo poderia ser bom e por muito tempo sentamos e esperamos.
Nós achamos que um pequeno tempo separados poderia tirar as dúvidas que eram muitas.
Naquele tempo em particular, o amor me encorajou a ficar.
Naquele momento em particular, eu me ajudei a ser paciente.
Naquele mês em particular, nós precisamos de tempo para entender o que “nós” significávamos.
Aquele tempo em particular.

Eu sempre quis pra você o que você sempre queria pra si próprio.
E eu ainda quero salvar-nos das águas ou do inferno.
Eu continuei ignorando a inconstância que você sentia. E nesse meio tempo eu me perdi.
E nesse meio tempo eu me perdi.
Desculpe-me, eu me perdi.
Eu me perdi.

Você sabia que eu necessitava de mais tempo... De um tempo, perdido, sozinho, sem distrações.
Você sentia a necessidade de voar sozinha pra definir o que você queria.
Naquele tempo em particular, o amor me encorajou a deixá-la.
Naquele momento em particular, eu sabia que, ficando com você, estaria me estilhaçando.
Naquele mês em particular, foi duro pra que você acreditasse que eu ainda sinto aquele momento em particular.
letra de música, taduzida e adaptada. título original: "that particular time"

NE ME QUITTE PAR

Não me deixes,
Não me deixes,
É preciso esquecer,
Tudo se pode esquecer
Que já para trás ficou.
Esquecer o tempo dos mal-entendidos
E o tempo perdido a querer saber como
Esquecer essas horas,
Que de tantos porquês,
Por vezes matavam a última felicidade.

Não me deixes,
Não me deixes.
Te oferecerei
Pétalas de chuva
Vindas de países
Onde nunca chove;
Escavarei a terra
Até depois da morte,
Para cobrir teu corpo
Com ouro, com luzes.
Criarei um país
Onde o amor será rei,
Onde o amor será lei
E você a rainha.

Não me deixes,
Não me deixes.
Te Inventarei
Palavras absurdas
Que você compreenderá;
Te falarei
Daqueles amantes
Que viram de novo
Seus corações ateados;
Te contarei
A história daquele rei,
Que morreu por não ter
Podido te conhecer.

Não me deixes,
Não me deixes.
Quantas vezes não se reacendeu o fogo
Do antigo vulcão
Que julgávamos velho?
Até há quem fale
De terras queimadas
A produzir mais trigo;
Que a melhor primavera
É quando a tarde cai,
Vê como o vermelho e o negro
Se casam
Para que o céu se inflame.

Não me deixes,
Não me deixes,
Não me deixes.
Não vou chorar mais,
Não vou falar mais,
Escondo-me aqui
Para te ver
Dançar e sorrir,
Para te ouvir
Cantar e rir.
Deixa-me ser a sombra da tua sombra,
A sombra da tua mão,
A sombra do teu cão.

Não me deixes,
Não me deixes.


Maysa - Ne Me Quitte Pas (Tradução)
music: Jacques Brel

fevereiro 08, 2006

CAFÉ-COM-LEITE

Não quero parecer grotesco, absurdo ou até mesmo racista, mas não posso deixar de expor meu ponto de vista sobre esse determinado assunto. Tenho assistido a “espetáculos” com relação às raças desse nosso Brasil e por vezes me vem certas indignações. “Temos que fazer nosso papel com relação aos negros”.

Dizem. Eu concordo, mas, eu neste século irei resolver um problema arraigado em tantos outros séculos atrás? Sou a favor de uma melhoria na qualidade de vida de qualquer pessoa, branco, negro ou amarelo, mas também, sou a favor de uma visão igualitária para todos, coisa que essas tais cotas não representam. Sinto como se tivesse deixando varias outras minorias (ou maiorias) de fora ao “valorizar” somente uma.

Sinto como se fosse um crime não ser negro, “não ter” um passado sofrido para ter direito a “regalias” que se tem agora. As cotas não vieram para melhorar, a meu ver, ao contrario, somente piora a questão do grau de valorização que uma raça tem de si a até mesmo a de outras. Esta, porém, é uma questão que caminho em não me aprofundar.

Tenho “vários” amigos negros. Converso, convivo, para mim nunca existiu essa coisa de branco e negro, estamos no Brasil, que é tem realmente uma cor ou outra? Somos todos humanos. Ao que tudo indica querem que eu me sinta péssimo por não me declarar negro e conseguir vagas em universidades, programas de extensão e outros.

O que leio todos os dias no jornal universitário é isso: programas de cotas, programas de cotas. Será que estou com preconceito às avessas? Com o tempo saberei por hoje não prefiro me declarar nem branco, nem negro... Café-com-leite (pardo).

fevereiro 05, 2006

AINDA SOMOS OS MESMOS?

Eu estou surpreso, sinceramente, quando decidi publicar este blog jamais imaginaria que ele fosse lido algum dia por alguém, bem estamos na internet, era digital e tudo mais, o que mais se espera?

Falando em internet e essa coisa toda, mais surpreso ainda foi o número de pessoas que me adicionaram naquele velho site de comunidades virtuais. É... o orkut.

Claro que adiciono todos , mesmo sem conhecer a maioria. Eu que a vida toda - falo até agora - sempre fui um fracasso para fazer novos amigos ou até mesmo me comunicar com um estranho na rua dando-lhe um simples bom dia, estou com mais de 200 de "amigos".

O que é importante nisso não é quantidade, ninguém passa a vida sem ter pelos dois ou três amigos, lógico eu não fui e nem sou diferente, tenho sim esses dois ou três - agora sim o número é importante.

O fato é, não importa se tenho três ou duzentos amigos, nunca me senti totalmente ligado a nenhum, talvez pelo fato de que tanta ironia, sarcasmos e julgos, cansem uma certa hora. Nunca deixei de falar com nenhum deles - até dou bom dia quando os encontro na rua - mas será que chegamos a conversar alguma vez? Também me faço essa pergunta.

Nunca soube se ter "amigos de verdade" era bom ou não, mas ter amigos virtuais estou descobrindo que sim, nunca gostei tanto da frase : Oi, como vc está? Que recebo diariamente pela internet, coisa que os de carne e osso nunca fizeram.

Será que esta nova atmosfera social - a virtual - veio para salvar indivíduos como eu, não muito sociavéis? nao sei. Só sei que Elis Regina estava errada: Nós ainda somos os mesmos, mas com certeza não vivemos como nossos pais.

fevereiro 04, 2006

TRISTEMENTE ERRADO

Você tem sido minha amizade mais preciosa.
Mas agora sem o seu sorriso, sem o seu abraço,
não posso ir a você para me consolar,
porque estamos passando dos limites durante toda essa mudança...

Este sofrimento me surpreende.
Ele queima no meu estômago,
e não consigo parar de dar de cara com certas coisas.

Eu pensei que seríamos simples juntos,
Eu pensei que seríamos felizes juntos,
Pensei que seríamos sem limites juntos,
Eu pensei que seríamos preciosos juntos,
Mas eu estava tristemente errado...

Você tem sido minha alma gêmea e algo mais.
Eu lembro do momento em que conheci você...
Com você eu soube que a face de Deus era bela,
Com você eu vi diversão e contentamento.

Essa perda está me adormecendo
Ela atravessa meu peito,
e eu não consigo parar de desistir de tudo...

Pensei que estaríamos explorando juntos,
Pensei que estaríamos nos inspirando juntos,
Eu pensei que estaríamos voando juntos,
Pensei que estaríamos com raiva juntos,
Mas eu estava tristemente errado...

Se eu tivesse uma conta para todas as filosofias que eu
compartilhei,
Se eu tivesse um centavo para todas as possibilidades que eu
concedi,
Se eu tivesse uma moeda para cada mão jogada para o alto,
Minha riqueza poderia inverter isso sem menor gravidade...

Eu pensei que seríamos talentosos juntos,
Eu pensei que estaríamos nos curando juntos,
Eu pensei que estaríamos crescendo juntos,
Pensei que seríamos aventureiros juntos,
Mas eu estava tristemente errado...

Eu pensei que seríamos atraentes juntos,
Pensei que estaríamos evoluindo juntos
Eu pensei que teríamos filhos juntos
Eu pensei que seríamos uma família juntos
Mas eu estava tristemente errado...


letra de música, traduzida e adaptada. título original: simple together.
http://www.letras.mus.br

SINTO-ME COMO NIETZCHE



“Nasci no dia 31 de Dezembro de 1981. Faça as contas para saber quantos anos não tenho. Que "não tenho", sim; porque o número que vai encontrar se refere aos anos que não tenho mais, para sempre perdidos no passado. Os que ainda tenho, não sei, ninguém sabe...

Golpes duros na vida me fizeram descobrir a literatura e a poesia. Ciência dá saberes à cabeça e poderes para o corpo. Literatura e poesia dão pão para corpo e alegria para a alma.
Ciência é fogo e panela : coisas indispensáveis na cozinha. Mas poesia é o frango com quiabo, deleite para quem gosta...Quando jovem, Albert Camus disse que sonhava com um dia em que escreveria simplesmente o que lhe desse na cabeça. Estou tentando me aperfeiçoar nessa arte, embora ainda me sinta amarrado por algumas mortalhas acadêmicas e gramaticais.

Sinto-me como Nietzche, que dizia haver abandonado todas as ilusões de verdade. Ele nada mais era que um palhaço e um poeta. O primeiro nos salva pelo riso. O segundo pela beleza.

Com a literatura e a poesia comecei a realizar meu sonho quase fracassado de ser escritor: comecei a fazer textos com “palavras”. Leituras de prazer especial: Nietzche, T.S.Elliot, Kierkegaard, Camus, Angelus Silésius, Guimarães Rosa, Saramago, Tao Te Ching, o livro de Eclesiastes, Bachelard, Octávio Borges, Barthes, Michael Ende, Fernando Pessoa, Adélia Prado, Manoel de Barros. Pintura: Bosch, Brueghel, Grünnevald, Monet, Dali, Larsson.
Música: Canto Gregoriano, Bach, Beethoven, Brahms, Chopin, César Franck, Keith Jarret, Milton, Chico, Tom Jobim.

Sou um tanto psicanalista, embora heterodoxo. Minha heterodoxia está no fato de que acredito que no mais profundo do inconsciente mora a beleza. Com o que concordam Sócrates, Nietzche e Fernando Pessoa (leia o poema "Eros e Psique", de Fernando Pessoa).
Exerço a arte com prazer. Minhas conversar com meus “eus” são a maior fonte de inspiração de que tenho para minhas crônicas e contos. Já tive medo de morrer. Não tenho mais. Tenho Tristeza. A vida é muito boa. Mas a Morte é minha companheira. Sempre conversamos e aprendo com ela. Quem não se torna sábio ouvindo o que a Morte tem a dizer está condenado a ser tolo a vida inteira."



Livre adaptação do texto: Rubens Alves...por ele mesmo.

AQUELE CARA


Você já viu aquele cara que de tão tímido, mal olhava ou sequer olhou para cima algum dia, para o céu? Já observou que esse cara ao entrar num ônibus nem sequer olha para o lado, com medo do olhar amedrontador de todo aquele povo que ele nunca conheceu?

Aquele cara nunca ousou abordar qualquer pessoa que fosse, pois era tímido demais. Nunca ousou olhar no olho de nenhuma garota do colégio. Ela era linda, ele...não se sabe.

Aquele cara jamais saia para festas, clubes ou aniversários. Estar fora do quarto, para ele, era um absurdo. O seu eu-mundo estava no escuro onde dormia.

Aquele cara, ainda hoje, talvez seja inocente, imaturo para o mundo que o cerca.
Aquele cara no mínimo vivia para si só, porque assim ele era feliz. Aliás, ele sorriu algum dia? Era assim que ele vivia, acordava, dormia.

Aquele cara era eu.

fevereiro 03, 2006

O BOM SAMARITANO

Era um dia comum. Fui ao centro da cidade hoje com minha mãe. Perambulamos bastante por suas ruas estreitas, estávamos pesquisando alguns artigos para pintura artística — meu atual passatempo e subterfúgio terapêutico.

O que mais me impressionou nisso tudo foi o fato de ela — minha mãe — estar apoiando, a sua maneira, esse dote artístico. Sua reação ao ver minhas telas não foi a que eu esperava, ao contrário manteve-se neutra, absorta. Fato evidenciado no dito popular, que ela mesma pronunciava caso a perguntassem o que achava:

— É como .. de Guede, nem cheira e nem fede!
Perguntei-lhe em dado instante o motivo pelo qual estava me incentivando. Respondeu que porque sim. E mais nada. Aceitei, meio incrédulo.

Mesmo apesar de ela não me colocar em seus braços e me dizer:
— Muito bem filho. Estou muito orgulhosa por você ser um grande artista. Pelo menos para mim! Mesmo assim aceitei.

No entanto — a coisa do Guede — já era um grande começo em nossa relação, não tão mãe e filho assim. Só o fato de ela ter gastado seu suado dinheiro em algo que até agora não houve retorno, para mim já foi o suficiente. Considero esta a forma que ela sabe de me dar afeto materno.

Ao fim do dia, encontramos um velho conhecido meu — sabe aqueles dias em que não se quer encontrar ninguém? principalmente de longa data, ou até mesmo aqueles dias em que se reza para não encontrar tal pessoa? — pronto! Lá estava essa pessoa, a nossa frente.

Ele veio em nossa direção, nos parou, me cumprimentou e então deu um beijo na testa de minha mãe, como forma de cumprimento a esta.
Você sabe o que é alguém que é aos olhos de todos um bom samaritano? O tipo de pessoa, que se não fosse tamanho egoísmo e inveja, gostaríamos de ser? Era ele. E quem ele pensa que é?

Em todos esses vinte e poucos nunca beijei minha mãe nem sequer no rosto, que dirá na testa!
Fez-me sentir a pior pessoa do mundo, o pior filho do mundo. Maldito acaso!

CONSELHO: Nunca atravesse a vida sem olhar os dois lados antes. Pode ser que apareça um espertinho para lhe lembrar o quão podre e miserável você é, e ainda por cima ele pode dá um beijo na testa de sua mãe, a pessoa que você tem menos contato afetivo. Quando se gostaria que fosse o contrário.

texto de 2001

SAIR OU FICAR EM CASA?

Realmente não sei a que se resume a vida. Principalmente a minha.
Ontem resolvi sair de casa — como tinha feito no dia anterior. Queria me livrar da angustia, da solidão que escolhi para mim. As paredes e as salas vazias, todo o tempo me lembravam disso.

Pois bem, no meio da tarde recebi um telefonema, era um convite para uma festa de aniversário, a qual me animou a sair.

Pus um som, desses que se põe quando se quer animar e ter coragem para enfrentar a desgraça que é a vida sem a proteção de suas paredes e salas.

Enquanto ia no ônibus, não deixava de pensar na minha condição miserável de um jovem à deslizar pelos vinte, sozinho e sem amigos.
Dramas à parte, repetia para mim mesmo:

— vai ser bom você sair, esquecer um pouco quem você é! Mas quem sou eu?
O meu signo do zodíaco dizia que eu era livre para tudo, exceto tentar ser alguém que não sou.
Depois de lida esta frase, nunca mais pude esquece-la! E olha que eu nem se quer procurei a seção de horóscopos no jornal.

No entanto, como se não bastasse, ainda encontro também Drummond e sua dúvida:
O que é o homem? Que sonho, que sombra? Mas existe o homem?

Depois de tantos questionamentos filosóficos, concordei comigo mesmo que ia ser bom assistir um filme qualquer e esquecer a minha deprimente existência.

Se por um lado as paredes vazias de minha casa gritavam com seu silencio que sou um cara completamente sozinho, a rua seria ainda pior. E não é pelo seu barulho não!

Nem ir ao cinema hoje em dia se pode mais. Todos aqueles casaizinhos e beijinhos e apelidozinhos. Ao passo que achava a cena idiota, também me deprimia — no bom sentido — se é que existe se deprimir no bom sentido.

Aqueles jovens — em minha idade — vivendo, beijando, beijando, vivendo. E eu ali, na fila do cinema, tendo que assistir tudo isso. E o que é ainda pior; acabo encontrando um conhecido, que esfrega sua namorada na minha cara, visto que tinha notado que eu estava sozinho.

Enfim, tudo isso só me fez querer voltar para casa. Pelo menos ela era mais delicada em me dizer que sou um nada, e que não adianta sair dela, pois lá fora é ainda pior. Além de ouvir que você é um indivíduo anormal, também vê. Ou seja, dois sentidos reforçam melhor uma idéia do que um só. Logo, é melhor eu ficar em casa!

texto de 2001

FREITAS, O IMPERFEITO

Freitas era diferente. Quando nascera, os médicos logo pensaram:
— Nossa! Coisa igual não deve haver na face da terra.

Freitas quando ainda era criança percebia, mesmo de seu berço, que todos o olhavam diferente. O que será que eu tenho? Pensava aquela criança.

Freitas cresceu, tornou-se rapaz, mas ainda se perguntava o que o fazia diferente dos outros. Para ele era tudo muito estranho, não se via tão distante dos da sua idade assim. Mas ele sabia que havia algo errado.

— Meu Deus, o que será? Pensava.
Numa manhã de domingo, pensou em falar com sua mãe a respeito de tal assunto. Ela, notando o ar preocupado do filho — há muito tempo — apenas ignorava. O tratava como fazia sempre: Como um filho.

Freitas prosseguia com sua dúvida. Preferiu não desabafar com sua mãe.
Um dia Freitas, assustado com o modo com que todos o olhavam, decidiu ir desesperadamente para casa. Chegou. Pôs-se em frente ao espelho e olhou-se, como se nunca tivera feito antes. Tocou seu cabelo, deslizou sua mão pela face, observou o formato de sua boca, tocou a ponta de seu nariz e em seguida repetiu o gesto, mas desta vez no espelho. Pensava:

O que há de errado? Pareço tão normal: meu cabelo é duro e crespo, meu rosto é largo demais, meus olhos não combinam nem se encontram, meu nariz é pontudo e intimidador. Em que posso ser diferente? não entendo!

Freitas, no dia seguinte, levantou-se como de costume e seguiu o padrão: não escovou os dentes, não penteou o cabelo, vestiu meia branca de algodão com sapato social. Enfim, nada de novo.

Depois de pronto, olhou-se e brincou consigo: — Eu diria que hoje, na escala do PH, estou entre sete e quatorze (básico). Estava feliz. Havia esquecido por alguns segundos suas angústias, ou seja, havia perdido alguns milhares de elétrons (estava mais positivo).

Freitas saiu de casa, andou um pouco e encontrou novamente aqueles olhares. Lembrou-se outra vez que se sentia diferente. Inclinou a cabeça para baixo, em direção aos seus pés e subiu o olhar, analisando todo o corpo.

Mas como? Não há nada de errado. Pensou.
Avistou um amigo pela rua e ao se aproximar ouviu:

— Nossa, Freitas... Parabéns, como você se veste mal, e quão feio você é. Gostaria de ser assim. Sentiu-se mal com aqueles altivos elogios.
Será que é isso? Será que não sou não perfeito demais como deveria? Mas sempre fiz de tudo para ser como todo mundo.

Na escola, tornou a ouvir das meninas: Freitas você é demais. Como você não sabe ler tão bem, e não falar então, nem se fala...Ah! Freitas...
E ele se perguntou:

Será que eu sou um imperfeito tão perfeito assim? Sentia-se angustiado. Todos eram tão mais ou menos imperfeitos, ele não. Ele era perfeitamente imperfeito. E Freitas foi ganhando cada vez mais elétrons, dia-após-dia.

Certo dia retornou ao velho espelho e conseguiu ver o que antes não podia: um cabelo macio e liso, um rosto alinhado, simétrico, um olhar tão harmonioso que só o vira igual no rosto de crianças. E o nariz então... que regular, que bem posto, que bem desenhado. Deprimiu-se com essa visão.

— Era por isso. Todos aqueles olhares e elogios (na certa falsos). O que eu faço? Vejo-me igual ou diferente, de agora em diante?

Freitas enlouquece. Torna-se um eremita. Rasga sua face de canto a outro e passa a usar uma máscara. Refugia-se numa ilha deserta e nunca mais se sabe dele.

Freitas não queria ser João, ou Pedro, ou Marcos. Freitas só queria ser Freitas, o imperfeito.

CARO AMIGO...

Há muito tempo não nos falamos. Eu sei...eu sei que é difícil te achar aí neste seu mundo. Sei também que é muito difícil conversar com alguém. Pergunto-me hoje, se não te sentes infeliz. Tão sozinho, sem os teus demais.

Escrevo-te, pois também tenho esta dúvida, que ao contrário de te não vivo em meu mundo e muito menos sem os meus demais.
Acordei e me dei conta que existe algo muito pior do que estar só. É a escolha ente alguém e algo. Isso me sufoca de uma forma; que só as lágrimas — só estas mesmas — conseguem me entender. Às vezes, no entanto, não as controlo e elas caem...caem sem meu consentimento.

Quando se ama alguém com todas as letras maiúsculas e se quer muito alguma coisa. Parece-me, às vezes, que tudo é tão distante desse alguém. Penso, porém, se para que eu possa ter tais coisas, será preciso abdicar de quem se tanto...tanto quero. Se for assim, caro amigo, esta dúvida é ainda mais cruel. Conviver com a certeza de que eu fatalmente terei de escolher, em algum instante, entre uma coisa ou outra...é algo que só a morte seria a melhor delas.

Ninguém compreende a minha fuga. E não espero que tu também o faças. Pois aqui, neste mundo de todos nós, foge-se de várias maneiras. Escolhi a nicotina, talvez pensando que sumirei um dia envolto em sua fumaça... Talvez envolto em sua fumaça eu suma por um instante. Acredito, porém, que esse é o único momento que desapareço que não fico diante da dúvida.

Quando estou com minha amada: a quem posso olhar de cima, a quem vejo sem constrangimento todas as singularidades de seu rosto, a quem admiro a presença. Também me esqueço. Mas, só quando me afasto é que o corpo e a mente começam a sofrer e te digo caro amigo, se existe algo pior quero senti-lo.

Às vezes, penso num mundo onde eu possa ter uma bela família e uma bela carreira, onde eu não possa me importar com mais nada. Em outras, não me vejo... Não vejo com essa bela carreira, não me vejo com vida alguma. Mas sei também, que as duas coisas juntas nunca acontecerão.

Termino caro amigo, dizendo que também já fui só, sofri muito. Mas você, você construiu seu próprio mundo, sozinho, e se acostumou com ele. Mas a dúvida de não saber que caminho seguir, se posso construir alguma coisa , isso sim...isso sim é sufocante.

Ass: H.

fevereiro 02, 2006

VIDA, VIDA, SE EU ME CHAMASSE MARGARIDA SERIA UMA RIMA...

Parece que a vida anda em baixa, de novo, no meio de escritores jovens. Um saco, a vida.
Embora qualquer criança saiba o que é, não temos boas definições de vida, talvez por ser tão óbvia - é difícil definir o óbvio. Cristo dizia que a trazia consigo, junto com o Caminho e a Verdade. Buda agourava que só conseguimos nos livrar dela depois de rompida a famosa Roda de renascimentos e mortes. Darwin arriscava que era mutação. Um cara a quem admiro pelas boas definições disse que é "a modalidade de existência dos corpos albuminóides".

Não pensem que a pérola é de algum estudante de Biologia, é de Engels, no Anti-Dühring, filosofia marxista sobre o mundo orgânico. Vai ver que tentava evitar confusões com "dom divino", essas coisas, sempre tento aliviar pro lado de Engels mas a definição é lamentável. Para Bandeira, por dedução, era a "desejada das gentes"; o que não espanta porque Bandeira era tuberculoso e já nasceu de óculos.Embora não definida, a vida é - indubitavelmente - protegida no Estado moderno, a começar pelas Constituições. Supõe-se que a aludida seja a humana, mas também são protegidas a vida das baleias, do mico-leão e do pau-brasil.

Fora o voto dos escritores jovens, a vida é eleita por unanimidade.Não foi sempre assim. Esta proteção, que nos parece tão natural, é relativamente recente na História, outros bens foram tutelados antes da vida. A alma. A propriedade, sempre. O próprio corpo sem vida foi protegido antes de que se pensasse em apoiar o direito à vida. Quem não viu representada a tragédia da filha do herói, que desafiou o poder para dar sepultura ao irmão?Mas, hoje, a vida é mais do que um direito: é um dever. O que talvez seja um perigo. Quando transformamos o relativo em absoluto, eliminamos as oposições externas e as contradições internas começam a ser geradas. A desvalorização da vida é uma reação à obrigatoriedade da vida.

A filosofia existencial do ser e do nada foi formulada e ficcionalizada na Europa antes da guerra: - Terça-feira. Nada. Existi. - Silenciou nos anos 40 porque os jovens filósofos deviam estar sofrendo de medo, indignação, revolta, tudo menos tédio e nojo, e muito ocupados em salvar a própria pele. A possibilidade da morte dá significado à vida.Voltou nos fifties, na América, quando James Dean fazia "pegas" de blusão de couro, topete e costeleta, junto com outros outsiders, arriscando a vida por nada; era o retorno do nada. Rebel without a cause foi toda uma geração - e a causa que faltava não era só um princípio inaugural mas uma ideologia.

As décadas se sucederam e, neste meio-tempo, os hippies cantaram make love, not war: rolava a guerra do Vietnam, Eros e Tânatos voltavam a atuar juntos, amor e guerra se opunham, a velha dialética era restabelecida e parece que foram tempos felizes. Ou, ao menos, coerentes: queimavam as convocações de alistamento, deixavam o cabelo crescer e a luz do sol entrar, os tempos eram de Aquarius e ninguém queria morrer antes de ver a new age chegar. A paz garantiu o surgimento dos punks e a popularização da droga pesada, o mundo começou a ficar escuro. O Universo conspirou, veio a Aids. No final dos 80, Cazuza gemia: Ideologia, eu quero uma pra viver.O cotidiano é alienante. Viver para trabalhar e consumir, trabalhar e consumir para viver, viver para trabalhar e consumir, foi o círculo absurdo criado pela sociedade do Ocidente e os jovens exumaram o falecido tédio e seus corolários: o mais grave deles, a desvalorização da vida.

Com certa razão, nenhuma griffe compensa a "pena de viver" - é preciso mais, muito mais.É claro que estamos falando do jovem ocidental, de classe média e com algum acesso à cultura. Talvez no Oriente Médio seja diferente. Lá, hoje, eles têm causas que valem uma vida. E porque ela é ameaçada todos os dias e porque eles a sacrificam por uma causa, talvez acreditem que a vida é mesmo o bem supremo. Será enquanto não for.Portanto, jovens entediados do decadente mundo ocidental, providenciai urgentemente uma ideologia - pela qual matareis e morrereis - para não morrer de vida. Só está pronto para viver quem está pronto para morrer e vida pode ser, mesmo, doença mortal.