Caro Sr. Presidente da República Federativa do Brasil.Venho por meio desta comunicação manifestar meu total apoio ao seu esforçode modernização do nosso país.
Como cidadão comum, não tenho muito mais aoferecer além do meu trabalho, mas já que o tema da moda é ReformaTributária, percebi que posso definitivamente contribuir mais. Vouexplicar:Na atual legislação, pago na fonte 27,5% do meu salário.
Como pode ver, souum brasileiro afortunado. Sou obrigado a concordar que é pouco dinheiro parao governo fazer tudo aquilo que promete ao cidadão em tempo de campanhaeleitoral.Mesmo juntando ao valor pago por dezenas de milhões de assalariados!
Minha sugestão, é invertermos os percentuais.A partir do próximo mês autorizo o Governo a ficar com 72,5% do meu salário.Portanto, eu receberia mensalmente apenas 27,5% do resultado do meu Trabalhomensal.Funcionaria assim:
Eu fico com 27,5% limpinhos, sem qualquer ônus.O Governo fica com 72,5% e leva as contas de:-Escola,-Convênio médico,-Despesas com dentista,-Remédios,-Materiais escolares,-Condomínio,-Água,-Luz,-Telefone,-Energia,-Supermercado,-Gasolina,-Vestuário,-Lazer,-Pedágios,-Cultura,-CPMF,-IPVA,-IPTU,-ISS,-ICMS,-IPI,-PIS,-COFINS,-Segurança,-Previdência privada e qualquer taxa extra que por ventura sejarepentinamente criada por qualquer dos Poderes Executivo, Legislativo eJudiciário.
Um abraço Sr. Presidente e muito boa sorte, do fundo do meu coração!Ass: Um trabalhador que já não mais sabe o que fazer para conseguirsobreviver com dignidade.PS: Podemos até negociar o percentual !!!Agora vejam só a farra do Congresso
Nacional :Salário:.......................................R$ 12 milAuxílio-moradia................................R$ 3 mil;Verba para despesas "comprovadas...............R$ 7 mil;Verba para assessores..........................R$ 3,8 mil;Para 'trabalharem' no recesso..................R$ 25,4 mil;Verba de gabinete mensal.......................R$ 35 mil;
Transporte: Passagens aéreas de ida e volta a Brasília/mês;]Direito a "contratar" 20 servidores para seu gabinete;13º e 14º salários, no fim e no início de cada ano legislativo; e 90 dias deférias anuais e folga remunerada de 30 dias.ISSO PARA CADA UM DOS
514 DEPUTADOS !!!!Esse dinheiro sai dos cofres públicos, ou seja, do nosso bolso !!!Mostre sua indignação e envie este texto a todos os seus amigos e conhecidospara que protestem junto aos deputados federais e senadores.TENHA SANTA PACIÊNCIA! ! ! !
E-mail que recebi de um amigo, achei interessante.
março 31, 2006
março 29, 2006
NO DIA EM QUE EU MORRER

Este é um testemunho para minha vida inteira (ou pelo menos enquanto esta página estiver publicada). Quero revelar a vocês que me conhecem e aos que não me conhecem que no dia em que eu morrer e entre os lamentos de alguém (se houver) ouvirem algo do tipo:
--Ele sempre foi tão bom.
--Ele tinha tantos amigos.
--Ele foi um ótimo filho, sempre amou a família.
Se por acaso ouvirem isso, por favor desconsiderem. Para os os que me conhecem(ou pensam que sim) eu vos digo:
Nunca fui tão bom assim, nem com os outros , nem comigo; na verdade às vezes sou até ruim quando quero. Não sei a quem estou dirigindo estas palavras, pois sei que nunca tive e certamente jamais terei muitos amigos (aliás, esta palavra é meio controversa para mim). Emfim, nunca fui um tal com muitos amigos, mas não me arrependo por não ser diferente, acostumei-me assim.
Nunca fui um bom filho, por que nunca soube exercer este papel, poderia fazê-lo agora, mas não consigo, não consigo forçar-me. Nunca amei o que chamam de família , por que nunca soube como era, mas sempre almejei tê-la. Amo meus consanguíneos(pelo menos os mais próximos)
mas não tanto a ponto de rejeitar uma opurtunidade de deixa-los se assim convier meu destino.
Se ouvirem ou lerem algo assim sobre mim, eu vos digo: nunca foi verdade, como talvez também estas palavras não sejam. Esta é uma carta para dizer que ainda não achei o que procuro, mas também não temo se eu morrer e não conseguir achar.
Tudo o que eu me lembro até agora é que eu queria ter sido como a água, que mesmo ínfima diante de uma rocha consegue atravessá-la, ou mesmo diante de um obstáculo sempre consegue descobrir novos rumos. Nunca fui água, às vezes fui rocha, mas tenho certeza de que sempre fui um obstáculo, afinal, como dizia Frank Sinatra, em uma de suas cançoes, EU FIZ MEU PRÓPRIO CAMINHO.
março 26, 2006
PALAVRAS QUE EU QUERIA TER ESCRITO...
Depois da cinza morta destes dias,
Quando o vazio branco destas noites
Se gastar, quando a névoa deste instante
Sem forma, sem imagem, sem caminhos,
Se dissolver, cumprindo o seu tormento,
A terra emergirá pura do mar
De lágrimas sem fim onde me invento.
POR SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN
Quando o vazio branco destas noites
Se gastar, quando a névoa deste instante
Sem forma, sem imagem, sem caminhos,
Se dissolver, cumprindo o seu tormento,
A terra emergirá pura do mar
De lágrimas sem fim onde me invento.
POR SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN
TUDO TORNOU-SE NEGRO
Vários quadros sem pintura,
peças intocadas de argila,
foram dispostas diante de mim,
como seu corpo um dia esteve.
Todos os cinco horizontes girando ao redor de sua alma.
como a terra ao redor do sol.
agora o ar que eu provei e respirei mudou de rumo
E tudo que eu te ensinei era tudo
eu sei q você me deu tudo o que pudia...
e agora minhas amargas maos
se arranham para alcançar as nuvens
o que era tudo?
As imagens foram banhadas em preto,
tatuando tudo...(marcando para sempre)
eu dou uma caminhada a fora
sou cercado por algumas crianças brincando,
eu posso sentir suas risadas,
então por que eu desanimo?
E os pensamentos confusos giram minha cabeça,
estou girando,
quão rápido o sol pode cair,
e agora minhas amargas maos,
seguram vidros quebrados.
O que era tudo?
todas as imagens se foram,
todas banhadas em preto,
marcando para sempre...
Todo o amor tornou-se mal,
tornou meu mundo negro,
marcando tudo que vejo,
tudo o que sou,
tudo o que sempre serei...
Eu sei que algum dia você terá uma linda vida,
e eu sei que você será uma estrela,
no céu de outro alguém,
mas por que, por que...
...Por que, por que não pode ser no meu?
Letra traduzida da música "Black" do Pearl Jam.
peças intocadas de argila,
foram dispostas diante de mim,
como seu corpo um dia esteve.
Todos os cinco horizontes girando ao redor de sua alma.
como a terra ao redor do sol.
agora o ar que eu provei e respirei mudou de rumo
E tudo que eu te ensinei era tudo
eu sei q você me deu tudo o que pudia...
e agora minhas amargas maos
se arranham para alcançar as nuvens
o que era tudo?
As imagens foram banhadas em preto,
tatuando tudo...(marcando para sempre)
eu dou uma caminhada a fora
sou cercado por algumas crianças brincando,
eu posso sentir suas risadas,
então por que eu desanimo?
E os pensamentos confusos giram minha cabeça,
estou girando,
quão rápido o sol pode cair,
e agora minhas amargas maos,
seguram vidros quebrados.
O que era tudo?
todas as imagens se foram,
todas banhadas em preto,
marcando para sempre...
Todo o amor tornou-se mal,
tornou meu mundo negro,
marcando tudo que vejo,
tudo o que sou,
tudo o que sempre serei...
Eu sei que algum dia você terá uma linda vida,
e eu sei que você será uma estrela,
no céu de outro alguém,
mas por que, por que...
...Por que, por que não pode ser no meu?
Letra traduzida da música "Black" do Pearl Jam.
"POR QUE NÃO NASCI EU UM SIMPLES VAGA-LUME?"
Bailando no ar gemia inquieto vaga-lume:
--"Quem me dera que fosse aquela loura estrela,
que arde eterno azul, como uma eterna vela!"
Mas a estrela , fitando a lua, com ciúme:
--Pudesse eu copiar a transparente lume,
que, da grega coluna à gótica janela,
contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela!"
Mas a lua, fitando o sol, com azedume:
--"Mísera! Tivesse eu aquela enorme, aquela
claridade imortal, que toda a luz resume!"
Mas o sol, inclinando a rútila capela:
--Pesa-me esta brilhante auréola de nume...
enfara-me esta azul e desmedida umbela...
por que não nasci eu um simples vaga-lume?"
Poema de Machado de Assis entitulado: "Círculo Vicioso"
Especial atenção ao pessimismo machadiano.
--"Quem me dera que fosse aquela loura estrela,
que arde eterno azul, como uma eterna vela!"
Mas a estrela , fitando a lua, com ciúme:
--Pudesse eu copiar a transparente lume,
que, da grega coluna à gótica janela,
contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela!"
Mas a lua, fitando o sol, com azedume:
--"Mísera! Tivesse eu aquela enorme, aquela
claridade imortal, que toda a luz resume!"
Mas o sol, inclinando a rútila capela:
--Pesa-me esta brilhante auréola de nume...
enfara-me esta azul e desmedida umbela...
por que não nasci eu um simples vaga-lume?"
Poema de Machado de Assis entitulado: "Círculo Vicioso"
Especial atenção ao pessimismo machadiano.
março 20, 2006
O PEDIATRA - NELSON RODRIGUES
Saiu do telefone e anunciou para todo o escritório:— Topou! Topou!Foi envolvido, cercado por três ou quatro companheiros. O Meireles cutuca:— Batata?Menezes abre o colarinho: — "Batatíssima!".
Outro insiste:— Vale? Justifica?Fez um escândalo:— Se vale? Se justifica? Ó rapaz! É a melhor mulher do Rio de Janeiro! Casada e te digo mais: séria pra chuchu!Alguém insinuou: — "Séria e trai o marido?".
Então, o Menezes improvisou um comício em defesa da bem-amada:— Rapaz! Gosta de mim, entende? De mais a mais, escuta: o marido é uma fera! O marido é uma besta!Ao lado, o Meireles, impressionado, rosna:— Você dá sorte com mulher! Como você nunca vi! — E repetia, ralado de inveja: — Você tem uma estrela miserável!
Há três ou quatro semanas que o Menezes falava num novo amor imortal. Contava, para os companheiros embasbacados: — "Mulher de um pediatra, mas olha: — um colosso! ". Queriam saber: — "Topa ou não topa?".
Esfregava as mãos, radiante:— Estou dando em cima, salivando. Está indo.Todas as manhãs, quando o Menezes pisava no escritório, os companheiros o recebiam com a pergunta: — "E a cara?". Tirando o paletó, feliz da vida, respondia:— Está quase.
Ontem, falamos no telefone quatro horas! Os colegas pasmavam para esse desperdício: - "Isso não é mais cantada, é ...E o vento levou". Meireles sustentava o princípio que nem a Ava Gardner, nem a Cleópatra justificam quatro horas de telefone. Menezes protestava:— Essa vale!
Vale, sim senhor! Perfeitamente, vale! E, além disso, nunca fez isso! É de uma fidelidade mórbida! Compreendeu? Doentia!E ele, que tinha filhos naturais em vários bairros do Rio de Janeiro, abandonara todos os outros casos e dava plena e total exclusividade à esposa do pediatra.
Abria o coração no escritório:— Sempre tive a tara da mulher séria! Só acho graça em mulher séria!
Finalmente, após quarenta e cinco dias de telefonemas desvairados, eis que a moça capitula.
Toda a firma exulta. E o Menezes, passando o lenço no suor da testa, admitia: — "Custou, puxa vida! Nunca uma mulher me resistiu tanto!". E, súbito, o Menezes bate na testa:— É mesmo! Está faltando um detalhe!
O apartamento! Agarra o Meireles pelo braço: — "Tu emprestas o teu?". O outro tem um repelão pânico:— Você é besta, rapaz! Minha mãe mora lá! Sossega o periquito!Mas o Menezes era teimoso. Argumenta:— Escuta, escuta! Deixa eu falar.
A moça é séria. Séria pra burro. Nunca vi tanta virtude na minha vida. E eu não posso levar para uma baiúca. Tem que ser,olha: — apartamento residencial e familiar. É um favor de mãe pra filho caçula.
O outro reagia: — "E minha mãe? Mora lá, rapaz!". Durante umas duas horas, pediu por tudo:— Só essa vez. Faz o seguinte: — manda a tua mãe dar uma volta. Eu passo lá duas horas no máximo!
Tanto insistiu que, finalmente, o amigo bufa:— Vá lá! Mas escuta: — pela primeira e última vez! Aperta a mão do companheiro:— És uma mãe!
Pouco depois, Menezes ligava para o ser amado: — Arranjei um apartamento genial.Do outro lado, aflita, ela queria saber tudinho: "Mas é como, hein?".
Febril de desejo, deu todas as explicações: — "Um edifício residencial, na rua Voluntários. Inclusive, mora lá a mãe de um amigo. Do apartamento, ouve-se a algazarra das crianças". Ela, que se chamava Ieda, suspira:— Tenho medo!
Tenho medo!Ficou tudo combinado para o dia seguinte, às quatro da tarde. No escritório, perguntaram:— E o pediatra?Menezes chegou a tomar um susto. De tanto desejar a mulher, esquecera completamente o marido.
E havia qualquer coisa de pungente, de tocante, na especialidade do traído, do enganado. Fosse médico de nariz e garganta, ou simplesmente de clínica geral, ou tisiólogo, vá lá. Mas pediatra!
O próprio Menezes pensava: — "Enquanto o desgraçado trata de criancinhas, é passado pra trás!". E, por um momento, ele teve remorso de fazer aquele papel com um pediatra. Na manhã seguinte, com a conivência de todo o escritório, não foi ao trabalho.
Os colegas fizeram apenas uma exigência: — que ele contasse tudo, todas as reações da moça. Ele queria se concentrar para a tarde de amor. Tomou, como diria mais tarde, textualmente, "um banho de Cleópatra". A mãe, que era uma santa, emprestou-lhe o perfume.
Cerca do meio-dia, já pronto e de branco, cheiroso como um bebê, liga para o Meireles:— Como é? Combinaste tudo com a velha?— Combinei. Mamãe vai passar a tarde em Realengo. Menezes trata de almoçar. "Preciso me alimentar bem", era o que pensava.
Comeu e reforçou o almoço com uma gemada. Antes de sair de casa, ligou para Ieda:— Meu amor, escuta. Vou pra lá. E ela:— Já?Explica:— Tenho que chegar primeiro. E olha: vou deixar a porta apenas encostada. Você chega e empurra.
Não precisa bater. Basta empurrar.Geme: — "Estou nervosíssima!".E ele, com o coração aos pinotes:— Um beijo bem molhado nesta boquinha.— Pra ti também.
Às três e meia, ele estava no apartamento, fumando um cigarro atrás do outro. Às quatro, estava junto à porta, esperando.
Ieda só apareceu às quatro e meia. Ela põe a bolsa em cima da mesa e vai explicando:— Demorei porque meu marido se atrasou. Menezes não entende: — "Teu marido?", e ela:— Ele veio me trazer e se atrasou. Meu filho, vamos que eu não posso ficar mais de meia hora.
Meu marido está lá embaixo, esperando.Assombrado, puxa a pequena: — "Escuta aqui. Teu marido? Que negócio é esse? Está lá embaixo! Diz pra mim: — teu marido sabe?". Ela começou:— Desabotoa aqui nas costas. Meu marido sabe, sim.
Desabotoa. Sabe?! claro.Desatinado, apertava a cabeça entre as mãos: — "Não é possível! Não pode ser! Ou é piada tua?". Já impaciente, Ieda teve de levá-lo até a janela. Ele olha e vê, embaixo, obeso e careca, o pediatra. Desesperado, Menezes gagueja: — "Quer dizer que...".
E, continua: "Olha aqui. Acho melhor a gente desistir. Melhor, entende? Não convém. Assim não quero".Então, aquela moça bonita, de seio farto, estende a mão:— Dois mil cruzeiros. É quanto cobra o meu marido. Meu marido é quem trata dos preços. Dois mil cruzeiros.Menezes desatou a chorar.
Outro insiste:— Vale? Justifica?Fez um escândalo:— Se vale? Se justifica? Ó rapaz! É a melhor mulher do Rio de Janeiro! Casada e te digo mais: séria pra chuchu!Alguém insinuou: — "Séria e trai o marido?".
Então, o Menezes improvisou um comício em defesa da bem-amada:— Rapaz! Gosta de mim, entende? De mais a mais, escuta: o marido é uma fera! O marido é uma besta!Ao lado, o Meireles, impressionado, rosna:— Você dá sorte com mulher! Como você nunca vi! — E repetia, ralado de inveja: — Você tem uma estrela miserável!
Há três ou quatro semanas que o Menezes falava num novo amor imortal. Contava, para os companheiros embasbacados: — "Mulher de um pediatra, mas olha: — um colosso! ". Queriam saber: — "Topa ou não topa?".
Esfregava as mãos, radiante:— Estou dando em cima, salivando. Está indo.Todas as manhãs, quando o Menezes pisava no escritório, os companheiros o recebiam com a pergunta: — "E a cara?". Tirando o paletó, feliz da vida, respondia:— Está quase.
Ontem, falamos no telefone quatro horas! Os colegas pasmavam para esse desperdício: - "Isso não é mais cantada, é ...E o vento levou". Meireles sustentava o princípio que nem a Ava Gardner, nem a Cleópatra justificam quatro horas de telefone. Menezes protestava:— Essa vale!
Vale, sim senhor! Perfeitamente, vale! E, além disso, nunca fez isso! É de uma fidelidade mórbida! Compreendeu? Doentia!E ele, que tinha filhos naturais em vários bairros do Rio de Janeiro, abandonara todos os outros casos e dava plena e total exclusividade à esposa do pediatra.
Abria o coração no escritório:— Sempre tive a tara da mulher séria! Só acho graça em mulher séria!
Finalmente, após quarenta e cinco dias de telefonemas desvairados, eis que a moça capitula.
Toda a firma exulta. E o Menezes, passando o lenço no suor da testa, admitia: — "Custou, puxa vida! Nunca uma mulher me resistiu tanto!". E, súbito, o Menezes bate na testa:— É mesmo! Está faltando um detalhe!
O apartamento! Agarra o Meireles pelo braço: — "Tu emprestas o teu?". O outro tem um repelão pânico:— Você é besta, rapaz! Minha mãe mora lá! Sossega o periquito!Mas o Menezes era teimoso. Argumenta:— Escuta, escuta! Deixa eu falar.
A moça é séria. Séria pra burro. Nunca vi tanta virtude na minha vida. E eu não posso levar para uma baiúca. Tem que ser,olha: — apartamento residencial e familiar. É um favor de mãe pra filho caçula.
O outro reagia: — "E minha mãe? Mora lá, rapaz!". Durante umas duas horas, pediu por tudo:— Só essa vez. Faz o seguinte: — manda a tua mãe dar uma volta. Eu passo lá duas horas no máximo!
Tanto insistiu que, finalmente, o amigo bufa:— Vá lá! Mas escuta: — pela primeira e última vez! Aperta a mão do companheiro:— És uma mãe!
Pouco depois, Menezes ligava para o ser amado: — Arranjei um apartamento genial.Do outro lado, aflita, ela queria saber tudinho: "Mas é como, hein?".
Febril de desejo, deu todas as explicações: — "Um edifício residencial, na rua Voluntários. Inclusive, mora lá a mãe de um amigo. Do apartamento, ouve-se a algazarra das crianças". Ela, que se chamava Ieda, suspira:— Tenho medo!
Tenho medo!Ficou tudo combinado para o dia seguinte, às quatro da tarde. No escritório, perguntaram:— E o pediatra?Menezes chegou a tomar um susto. De tanto desejar a mulher, esquecera completamente o marido.
E havia qualquer coisa de pungente, de tocante, na especialidade do traído, do enganado. Fosse médico de nariz e garganta, ou simplesmente de clínica geral, ou tisiólogo, vá lá. Mas pediatra!
O próprio Menezes pensava: — "Enquanto o desgraçado trata de criancinhas, é passado pra trás!". E, por um momento, ele teve remorso de fazer aquele papel com um pediatra. Na manhã seguinte, com a conivência de todo o escritório, não foi ao trabalho.
Os colegas fizeram apenas uma exigência: — que ele contasse tudo, todas as reações da moça. Ele queria se concentrar para a tarde de amor. Tomou, como diria mais tarde, textualmente, "um banho de Cleópatra". A mãe, que era uma santa, emprestou-lhe o perfume.
Cerca do meio-dia, já pronto e de branco, cheiroso como um bebê, liga para o Meireles:— Como é? Combinaste tudo com a velha?— Combinei. Mamãe vai passar a tarde em Realengo. Menezes trata de almoçar. "Preciso me alimentar bem", era o que pensava.
Comeu e reforçou o almoço com uma gemada. Antes de sair de casa, ligou para Ieda:— Meu amor, escuta. Vou pra lá. E ela:— Já?Explica:— Tenho que chegar primeiro. E olha: vou deixar a porta apenas encostada. Você chega e empurra.
Não precisa bater. Basta empurrar.Geme: — "Estou nervosíssima!".E ele, com o coração aos pinotes:— Um beijo bem molhado nesta boquinha.— Pra ti também.
Às três e meia, ele estava no apartamento, fumando um cigarro atrás do outro. Às quatro, estava junto à porta, esperando.
Ieda só apareceu às quatro e meia. Ela põe a bolsa em cima da mesa e vai explicando:— Demorei porque meu marido se atrasou. Menezes não entende: — "Teu marido?", e ela:— Ele veio me trazer e se atrasou. Meu filho, vamos que eu não posso ficar mais de meia hora.
Meu marido está lá embaixo, esperando.Assombrado, puxa a pequena: — "Escuta aqui. Teu marido? Que negócio é esse? Está lá embaixo! Diz pra mim: — teu marido sabe?". Ela começou:— Desabotoa aqui nas costas. Meu marido sabe, sim.
Desabotoa. Sabe?! claro.Desatinado, apertava a cabeça entre as mãos: — "Não é possível! Não pode ser! Ou é piada tua?". Já impaciente, Ieda teve de levá-lo até a janela. Ele olha e vê, embaixo, obeso e careca, o pediatra. Desesperado, Menezes gagueja: — "Quer dizer que...".
E, continua: "Olha aqui. Acho melhor a gente desistir. Melhor, entende? Não convém. Assim não quero".Então, aquela moça bonita, de seio farto, estende a mão:— Dois mil cruzeiros. É quanto cobra o meu marido. Meu marido é quem trata dos preços. Dois mil cruzeiros.Menezes desatou a chorar.
março 19, 2006
TRISTEZA DO INFINITO

Anda em mim, soturnamente, uma tristeza ociosa, sem objetivo, latente, vaga, indecisa, medrosa. (...)Uma tristeza que eu, mudo, fico nela meditando e meditando, por tudo e em toda a parte sonhando.
Tristeza de não sei donde, de não sei quando nem como... flor mortal, que dentro esconde sementes de um mago pomo. Dessas tristezas incertas, esparsas, indefinidas...
como almas vagas, desertas no rumo eterno das vidas. Tristeza sem causa forte, diversa de outras tristezas, nem da vida nem da morte gerada nas correntezas...
(...)Dessas tristezas sem fundo, sem origens prolongadas, sem saudades deste mundo, sem noites, sem alvoradas. Que principiam no sonho e acabam na Realidade, através do mar tristonho desta absurda Imensidade.
Certa tristeza indizível, abstrata, como se fosse a grande alma do Sensível magoada, mística, doce. Ah! tristeza imponderável, abismo, mistério, aflito, torturante, formidável...
ah! tristeza do Infinito!
(Cruz e Sousa)
março 18, 2006
APRENDER A PENSAR É DESCOBRIR O OLHAR
A diferença entre ver e olhar é tanto uma distinção semântica que se torna importante em nossos sofisticados jogos de linguagem tomados da tarefa de compreender a condição humana – e, nela, especialmente as artes –, quanto um lugar comum de nossa experiência.
Basta pensar um pouco e a diferença das palavras, uma diferença de significantes, pode revelar uma diferença em nossos gestos, ações e comportamentos.
Nossa cultura visual é vasta e rica, entretanto, estamos submetidos a um mundo de imagens que muitas vezes não entendemos e, por isso, podemos dizer que vemos e não vemos, olhamos e não olhamos. O tema ver-olhar – antigo como a filosofia e a arte – torna- se cada vez mais fundamental no mundo das artes e estas o território por excelência de seu exercício.
Mas se as artes nos ensinam a ver – olhar, é porque nos possibilitam camuflagens e ocultamentos. Só podemos ver quando aprendemos que algo não está à mostra e podemos sabê-lo. Portanto, para ver olhar, é preciso pensar.
Ver está implicado ao sentido físico da visão. Costumamos, todavia, usar a expressão olhar para afirmar uma outra complexidade do ver. Quando chamo alguém para olhar algo espero dele uma atenção estética, demorada e contemplativa, enquanto ao esperar que alguém veja algo, a expectativa se dirige à visualização, ainda que curiosa, sem que se espere dele o aspecto contemplativo. Ver é reto, olhar é sinuoso.
Ver é sintético, olhar é analítico. Ver é imediato, olhar é mediado. A imediaticidade do ver torna-o um evento objetivo. Vê-se um fantasma, mas não se olha um fantasma.
Vemos televisão, enquanto olhamos uma paisagem, uma pintura.A lentidão é do olhar, a rapidez é própria ao ver. O olhar é feito de mediações próprias à temporalidade.
Ele sempre se dá no tempo, mesmo que nos remeta a um além do tempo. Ver, todavia, não nos dá a medida de nenhuma temporalidade, tal o modo instantâneo com que o realizamos. Ver não nos faz pensar, ver nos choca ou nem sequer nos atinge.
As mediações do olhar, por sua vez, colocam-no no registro do corpo: no olhar – ao olhar - vejo algo, mas já vitimado por tudo o que atrapalha minha atenção retirando-a da espécie sintética do ver e registrando- a num gesto analítico que me faz passear por entre estilhaços e fragmentos a compor – em algum momento – um todo.
O olhar mostra que não é fácil ver e que é preciso ver, ainda que pareça impossível, pois no olhar o objeto visto aparece em seus estilhaços de ser e só com muito custo é que se recupera para ele a síntese que nos possibilita reconstruir o objeto.
É como se depois de ver fosse necessário olhar, para então, novamente ver. Há, assim, uma dinâmica, um movimento - podemos dizer - um ritmo em um processo de olhar-ver.
Ver e olhar se complementam, são dois movimentos do mesmo gesto que envolve sensibilidade e atenção.O olhar diz-nos que não temos o objeto e, todavia, nos dispõe no esforço de reconstituí-lo. O olhar nos faz perder o objeto que visto parecia capturado.
Para que reconstituí-lo? Para realmente captura-lo. Mas essa captura que se dá no olhar é dialética: perder e reencontrar são os momentos tensos no jogo da visão.
Há, entretanto, ainda outro motivo para buscar reconstruir o objeto do olhar: para não perder além do objeto, eu mesmo, que nasço, como sujeito, do objeto que contemplo – construo enquanto contemplo. Olhar é também uma questão de sobrevivência.
Ver, por sua vez, nos liberta de saber e pode nos libertar de ser. Se o olhar precisa do pensamento e ver abdica dele, podemos dizer que o sujeito que olha existe, enquanto que o sujeito que vê, não necessariamente existe.
Penso, logo existo: olho, logo existo. Eis uma formulação para nosso problema. Mas se não existo pelo ver, não estou implicado por ele nem à vida, nem à morte. Ver nos distancia da morte, olhar nos relaciona a ela.
O saber que advém do olhar é sempre uma informação sobre a morte. A morte é a imagem. A imagem é, antes, a morte. Ver não me diz nada sobre a morte é apenas um primeiro momento. Ver é um nascimento, é primeiro.
O olhar é a ruminação do ver: sua experiência alongada no tempo e no espaço e que, por isso, nos instaura em outra consistência de ser. Por isso, nossa cultura hipervisual dirige-se ao avanço das tecnologias do ver, mas não do olhar.
É natural que venhamos a desenvolver uma relação de mercadoria com os objetos visualizáveis e visíveis. O olhar implica, de sua parte, o invisível do objeto: a coisa. Ele nos lança na experiência metafísica. Desarvoranos a perspectiva, perturba-nos.
Por isso o evitamos. Todavia, ainda que a mediação implicada no olhar faça dele um acontecimento esparso, pois o olhar exige que se passeie na imagem e esse passear na imagem traça a correspondência ao que não é visto, é o olhar que nos devolve ao objeto – mas não nos devolve o objeto - não sem antes dar-nos sua presença angustiada.
O olhar está, em se tratando do uso filosófico do conceito, ligado à contemplação, termo que usamos para traduzir a expressão Theorein, o ato do pensamento de teor contemplativo, ou seja, o pensar que se dá no gesto primeiro da atenção às coisas até a visão das idéias tal como se vê na filosofia platônica.
Paul Valéry disse que uma obra de arte deveria nos ensinar que não vimos aquilo que vemos. Que ver é não ver. Dirá Lacan: ver é perder. Perder algo do objeto, algo do que contemplamos, por que jamais podemos contemplar o todo.
O que se mostra só se mostra por que não o vemos. Neste processo está implicado o que podemos chamar o silêncio da visão: abrimo-nos à experiência do olhar no momento em que o objeto nos impede de ver.
Uma obra de arte não nos deixa ver. Ela nos faz pensar. Então, olhamos para ela e vemos.
Márcia Tiburi - Filósofa
Basta pensar um pouco e a diferença das palavras, uma diferença de significantes, pode revelar uma diferença em nossos gestos, ações e comportamentos.
Nossa cultura visual é vasta e rica, entretanto, estamos submetidos a um mundo de imagens que muitas vezes não entendemos e, por isso, podemos dizer que vemos e não vemos, olhamos e não olhamos. O tema ver-olhar – antigo como a filosofia e a arte – torna- se cada vez mais fundamental no mundo das artes e estas o território por excelência de seu exercício.
Mas se as artes nos ensinam a ver – olhar, é porque nos possibilitam camuflagens e ocultamentos. Só podemos ver quando aprendemos que algo não está à mostra e podemos sabê-lo. Portanto, para ver olhar, é preciso pensar.
Ver está implicado ao sentido físico da visão. Costumamos, todavia, usar a expressão olhar para afirmar uma outra complexidade do ver. Quando chamo alguém para olhar algo espero dele uma atenção estética, demorada e contemplativa, enquanto ao esperar que alguém veja algo, a expectativa se dirige à visualização, ainda que curiosa, sem que se espere dele o aspecto contemplativo. Ver é reto, olhar é sinuoso.
Ver é sintético, olhar é analítico. Ver é imediato, olhar é mediado. A imediaticidade do ver torna-o um evento objetivo. Vê-se um fantasma, mas não se olha um fantasma.
Vemos televisão, enquanto olhamos uma paisagem, uma pintura.A lentidão é do olhar, a rapidez é própria ao ver. O olhar é feito de mediações próprias à temporalidade.
Ele sempre se dá no tempo, mesmo que nos remeta a um além do tempo. Ver, todavia, não nos dá a medida de nenhuma temporalidade, tal o modo instantâneo com que o realizamos. Ver não nos faz pensar, ver nos choca ou nem sequer nos atinge.
As mediações do olhar, por sua vez, colocam-no no registro do corpo: no olhar – ao olhar - vejo algo, mas já vitimado por tudo o que atrapalha minha atenção retirando-a da espécie sintética do ver e registrando- a num gesto analítico que me faz passear por entre estilhaços e fragmentos a compor – em algum momento – um todo.
O olhar mostra que não é fácil ver e que é preciso ver, ainda que pareça impossível, pois no olhar o objeto visto aparece em seus estilhaços de ser e só com muito custo é que se recupera para ele a síntese que nos possibilita reconstruir o objeto.
É como se depois de ver fosse necessário olhar, para então, novamente ver. Há, assim, uma dinâmica, um movimento - podemos dizer - um ritmo em um processo de olhar-ver.
Ver e olhar se complementam, são dois movimentos do mesmo gesto que envolve sensibilidade e atenção.O olhar diz-nos que não temos o objeto e, todavia, nos dispõe no esforço de reconstituí-lo. O olhar nos faz perder o objeto que visto parecia capturado.
Para que reconstituí-lo? Para realmente captura-lo. Mas essa captura que se dá no olhar é dialética: perder e reencontrar são os momentos tensos no jogo da visão.
Há, entretanto, ainda outro motivo para buscar reconstruir o objeto do olhar: para não perder além do objeto, eu mesmo, que nasço, como sujeito, do objeto que contemplo – construo enquanto contemplo. Olhar é também uma questão de sobrevivência.
Ver, por sua vez, nos liberta de saber e pode nos libertar de ser. Se o olhar precisa do pensamento e ver abdica dele, podemos dizer que o sujeito que olha existe, enquanto que o sujeito que vê, não necessariamente existe.
Penso, logo existo: olho, logo existo. Eis uma formulação para nosso problema. Mas se não existo pelo ver, não estou implicado por ele nem à vida, nem à morte. Ver nos distancia da morte, olhar nos relaciona a ela.
O saber que advém do olhar é sempre uma informação sobre a morte. A morte é a imagem. A imagem é, antes, a morte. Ver não me diz nada sobre a morte é apenas um primeiro momento. Ver é um nascimento, é primeiro.
O olhar é a ruminação do ver: sua experiência alongada no tempo e no espaço e que, por isso, nos instaura em outra consistência de ser. Por isso, nossa cultura hipervisual dirige-se ao avanço das tecnologias do ver, mas não do olhar.
É natural que venhamos a desenvolver uma relação de mercadoria com os objetos visualizáveis e visíveis. O olhar implica, de sua parte, o invisível do objeto: a coisa. Ele nos lança na experiência metafísica. Desarvoranos a perspectiva, perturba-nos.
Por isso o evitamos. Todavia, ainda que a mediação implicada no olhar faça dele um acontecimento esparso, pois o olhar exige que se passeie na imagem e esse passear na imagem traça a correspondência ao que não é visto, é o olhar que nos devolve ao objeto – mas não nos devolve o objeto - não sem antes dar-nos sua presença angustiada.
O olhar está, em se tratando do uso filosófico do conceito, ligado à contemplação, termo que usamos para traduzir a expressão Theorein, o ato do pensamento de teor contemplativo, ou seja, o pensar que se dá no gesto primeiro da atenção às coisas até a visão das idéias tal como se vê na filosofia platônica.
Paul Valéry disse que uma obra de arte deveria nos ensinar que não vimos aquilo que vemos. Que ver é não ver. Dirá Lacan: ver é perder. Perder algo do objeto, algo do que contemplamos, por que jamais podemos contemplar o todo.
O que se mostra só se mostra por que não o vemos. Neste processo está implicado o que podemos chamar o silêncio da visão: abrimo-nos à experiência do olhar no momento em que o objeto nos impede de ver.
Uma obra de arte não nos deixa ver. Ela nos faz pensar. Então, olhamos para ela e vemos.
Márcia Tiburi - Filósofa
A RUA LAMACENTA
A propósito do feriadão cristão que nos levou ao mar, à montanha ou simplesmente à vagabundagem por quatro benditos dias, lembrei de Buda - que falava de maneira semelhante a Cristo.Cristo disse: Não pode uma árvore boa dar maus frutos nem uma árvore má dar frutos bons.
Pelos frutos, a conhecereis.Buda disse: Não importa o que o homem faça, seus atos servem à virtude ou ao vício. Toda ação acarreta frutos.Os dois falavam de uma velha lei do hinduísmo - anterior portanto ao budismo e ao cristianismo - a lei do karma, que regula a "ação e a reação, a causa e o efeito".
Na verdade, o karma é uma lei natural, a semente que germina é karma, mas o budismo a formulou como: "O que somos hoje é o resultado dos pensamentos de ontem. O que seremos amanhã é o resultado dos pensamentos de hoje".
E Buda também disse que "o homem é aquilo que pensa que é".Gosto de fundamentar algumas afirmações dizendo que Buda disse antes. Como ninguém sabe ao certo tudo que Buda disse, o respaldo de Buda dá credibilidade ao que quero dizer.
Mas Buda disse mesmo que "o homem é o que pensa e acaba se tornando o que pensou". Ou seja, que a realidade do homem é decorrente da representação que ele faz de si mesmo e de terceiros.
Seus pensamentos acabam gerando suas circunstâncias, logo, seus sofrimentos são fruto dos pensamentos que carrega. O budismo é uma doutrina interessante porque em nenhum momento fala de Deus nem afirma a sua existência.
Não é uma metafísica. A preocupação do budismo é com o homem e o sofrimento do homem.O príncipe Sidartha Gautama aos 29 anos deixou o seu palácio, abandonou mulher e filho, e foi peregrinar pelo mundo em busca de sabedoria.
No princípio seguiu uns monges mendicantes e passou um bom tempo a jejuar mas desistiu da mortificação quando constatou que ela só aumentava o apego. Começou a caminhar, observar e meditar sozinho e, muitos anos depois, se "iluminou": tornou-se um Buda, um "desperto".
Para Buda tudo é Maya, ilusão. Só existe um lugar: o aqui. Só existe um tempo: o agora. A realidade está restrita ao momento presente e sua primeira descoberta foi a impermanência: Tudo muda, de estados físicos a pensamentos.
O que parece existir apenas flui e pessoas e sentimentos são transitórios. Nada pode ser considerado fixo, nem a verdade. O que se deve buscar é um nível de compreensão adequado para o que somos agora, porque amanhã não seremos o que somos hoje.
Não devemos nos apegar ao transitório, somente permanece em nós o Atman - a alma imortal. Mas acumulamos karma a vida inteira porque carregamos todo o passado conosco. Assim, o primeiro ensinamento de Buda é evitar o apego.
Carregar erros e acertos passados impede que a atenção se fixe no presente, a única realidade, o único momento em que podemos zerar o karma. Quem carrega o passado não consegue produzir bons frutos.Os budistas zen têm maneiras interessantes de passar suas lições.
Usam "koans". O koan é uma história curta que traz em si uma sabedoria nem sempre evidente e meditar sobre os koans é aprendizado. O zen é a vertente japonesa do budismo e os japoneses são minimalistas.
O hai-kai e o koan são minimalistas e alguns são incompreensíveis. Mas um dos mais evidentes é o koan da Rua Lamacenta:"Dois monges peregrinos passavam por uma cidade e encontraram uma jovem que hesitava em atravessar uma rua lamacenta com medo de sujar as roupas.
Um dos monges pegou a mocinha no colo e carregou-a até o outro lado da rua. Continuaram a caminhar calados até que a noite chegou e se abrigaram numa hospedaria.
Quando se sentaram para jantar um dos monges não agüentou e censurou o companheiro: - Não se espera que um monge budista carregue lindas mocinhas no colo.
Jantaram em silêncio, porque as histórias budistas são recheadas de silêncio, e quando terminaram o outro respondeu: - Eu só carreguei a mocinha até o outro lado da rua lamacenta."
Embora treinados na mesma doutrina, um dos monges largou a mocinha do outro lado da rua, o outro a carregou por um dia inteiro. O bem ou o mal, depositados do outro lado da rua, perdem grande parte do valor que atribuímos a eles.
Quando a depositamos no outro lado da rua lamacenta, a mocinha deixa de existir. E não é sábio fazer a caminhada carregando a mocinha.
Texto que li em um blog.
Pelos frutos, a conhecereis.Buda disse: Não importa o que o homem faça, seus atos servem à virtude ou ao vício. Toda ação acarreta frutos.Os dois falavam de uma velha lei do hinduísmo - anterior portanto ao budismo e ao cristianismo - a lei do karma, que regula a "ação e a reação, a causa e o efeito".
Na verdade, o karma é uma lei natural, a semente que germina é karma, mas o budismo a formulou como: "O que somos hoje é o resultado dos pensamentos de ontem. O que seremos amanhã é o resultado dos pensamentos de hoje".
E Buda também disse que "o homem é aquilo que pensa que é".Gosto de fundamentar algumas afirmações dizendo que Buda disse antes. Como ninguém sabe ao certo tudo que Buda disse, o respaldo de Buda dá credibilidade ao que quero dizer.
Mas Buda disse mesmo que "o homem é o que pensa e acaba se tornando o que pensou". Ou seja, que a realidade do homem é decorrente da representação que ele faz de si mesmo e de terceiros.
Seus pensamentos acabam gerando suas circunstâncias, logo, seus sofrimentos são fruto dos pensamentos que carrega. O budismo é uma doutrina interessante porque em nenhum momento fala de Deus nem afirma a sua existência.
Não é uma metafísica. A preocupação do budismo é com o homem e o sofrimento do homem.O príncipe Sidartha Gautama aos 29 anos deixou o seu palácio, abandonou mulher e filho, e foi peregrinar pelo mundo em busca de sabedoria.
No princípio seguiu uns monges mendicantes e passou um bom tempo a jejuar mas desistiu da mortificação quando constatou que ela só aumentava o apego. Começou a caminhar, observar e meditar sozinho e, muitos anos depois, se "iluminou": tornou-se um Buda, um "desperto".
Para Buda tudo é Maya, ilusão. Só existe um lugar: o aqui. Só existe um tempo: o agora. A realidade está restrita ao momento presente e sua primeira descoberta foi a impermanência: Tudo muda, de estados físicos a pensamentos.
O que parece existir apenas flui e pessoas e sentimentos são transitórios. Nada pode ser considerado fixo, nem a verdade. O que se deve buscar é um nível de compreensão adequado para o que somos agora, porque amanhã não seremos o que somos hoje.
Não devemos nos apegar ao transitório, somente permanece em nós o Atman - a alma imortal. Mas acumulamos karma a vida inteira porque carregamos todo o passado conosco. Assim, o primeiro ensinamento de Buda é evitar o apego.
Carregar erros e acertos passados impede que a atenção se fixe no presente, a única realidade, o único momento em que podemos zerar o karma. Quem carrega o passado não consegue produzir bons frutos.Os budistas zen têm maneiras interessantes de passar suas lições.
Usam "koans". O koan é uma história curta que traz em si uma sabedoria nem sempre evidente e meditar sobre os koans é aprendizado. O zen é a vertente japonesa do budismo e os japoneses são minimalistas.
O hai-kai e o koan são minimalistas e alguns são incompreensíveis. Mas um dos mais evidentes é o koan da Rua Lamacenta:"Dois monges peregrinos passavam por uma cidade e encontraram uma jovem que hesitava em atravessar uma rua lamacenta com medo de sujar as roupas.
Um dos monges pegou a mocinha no colo e carregou-a até o outro lado da rua. Continuaram a caminhar calados até que a noite chegou e se abrigaram numa hospedaria.
Quando se sentaram para jantar um dos monges não agüentou e censurou o companheiro: - Não se espera que um monge budista carregue lindas mocinhas no colo.
Jantaram em silêncio, porque as histórias budistas são recheadas de silêncio, e quando terminaram o outro respondeu: - Eu só carreguei a mocinha até o outro lado da rua lamacenta."
Embora treinados na mesma doutrina, um dos monges largou a mocinha do outro lado da rua, o outro a carregou por um dia inteiro. O bem ou o mal, depositados do outro lado da rua, perdem grande parte do valor que atribuímos a eles.
Quando a depositamos no outro lado da rua lamacenta, a mocinha deixa de existir. E não é sábio fazer a caminhada carregando a mocinha.
Texto que li em um blog.
março 16, 2006
UMA PESSOA MAIS OU MENOS

" A gente pode
Morar numa casa mais ou menos,
Numa cidade mais ou menos,
E até ter um governo mais ou menos.
A gente pode
Dormir numa cama mais ou menos,
Comer um feijão mais ou menos,
Ter um transporte mais ou menos,
E ate ser obrigado a acreditar mais ou menos no futuro.
A gente pode
Olhar em volta e sentir que tudo está
Mais ou menos.
Tudo bem...
O que a gente não pode mesmo,nunca,de jeito nenhum,
É amar mais ou menos,
É sonhar mais ou menos,
É ser amigo mais ou menos,
É namorar mais ou menos,
É ter fé mais ou menos,
É acreditar mais ou menos.
Senão a gente corre o risco de se tornar
Uma pessoa mais ou menos".
Chico Xavier
À MINHA AMADA TERESA

Era noite, chovia muito. entrei em casa e logo depois disso notei a sala vazia. Era um silêncio ensurdecedor. Pus o casaco, ainda molhado, em cima do sofá, fechei o guada-chuva e o pus encostado à porta.
Adentrei a sala, olhei...de um canto a outro e nao a achei.
Na cozinha, não havia nada sobre a mesa. Olhei o armario; e em seguida a pia...e nao me espantei com a pilha de louça ainda por lavar. Também não a encontrei.
Procurei nos fndos da casa, mas só havia o escuro e os caes. Percorri o quarto de casal - no escuro mesmo - e nada dela. Preocupei-me por um segundo.
Fui até meu quarto - único cômodo a procurar - e a avistei logo da porta, que estava entre - aberta.
Estava proxima a janela, parecia apreciar a lua que não via no céu nublado. no entanto, deletei-me em ver a pouca luz desse luar cobrir Theresa por completo. Iluminando-a.
Notei que também ela me havia visto, porém, nada pronunciou. Entendi.
Aproximei-me e com os labios cerrados, a acariciei. Ela, no entanto, estava fria. Não se mexeu.
Sentei-me numa cadeira junto a ela, tirei seu manto e continuei a tocá-la. Percorri meus dedos por todos os seus; e por fim encontrei uma pequena farpa. Tirei-a. Tornou-se a brilhar.
Todas as noites quando chego, vou ver Theresa junto à janela. Sei que ela me espera. Só tenho Theresa e ela a mim.
Todas as noites volto a tocar Theresa. Toco-a de A à Z.
Theresa fala através de mim e quão sincera ela é. Está velha, descascando. Theresa sofre se não a toco - Não sofra Theresa.
No início ela não me sorria, agora nós dois sorrimos...sempre...sempre que a toco. Por isso, todas as noites volto a tocar Theresa junto à janela. E ela a mim.
Obrigado Theresa...Minha máquina de escrever.
março 14, 2006
VOCÊ TEM SAUDADE DE QUÊ?
DETALLE DE LA MOSCA

As mulheres reclamam que, nós homens, costumeiramente estamos sujando o banheiro quando usamos o sanitário para urinar.
E, pelo visto, essa fama de má pontaria corre o mundo. No aeroporto Schiphol de Amsterdã, na Holanda, o problema foi resolvido. Desenharam uma mosca dentro do vaso e o resultado surgiu imediatamente.
Depois da idéia, os chamados "danos colaterais" foram reduzidos em 80 por cento. Agora, as autoridades resolveram implantar a idéia em outros locais públicos.
Coriosidades de um blog.
CINEMA É UM NADA A VER...
O vilão é sempre um estrangeiro. O vilão sempre parece morto, mas nunca o está. Sempre seram concedidas a ele uma ou duas ressurreições. Quando vilão captura o herói, conta a ele todos os detalhes do seu plano para destruir e/ou conquistar a Terra, incluindo os horários, as datas e os locais. O vilão quando finalmente consegue capturar o herói, tem uma recaída de camaradagem e planeja um método de execução que dá ao herói tempo suficiente para conseguir escapar.
Os vilões dos anos 40 e 50 são os alemães, nos anos 60 e 70 são os asiáticos , nos anos 70 e 80 são os soviéticos e nos anos 90 são os terroristas do Oriente Médio. Uma caixa de cigarros no bolso da camisa, uma medalha, ou algum outro objetos pode bloquear um tiro e salvar a vida do herói. Durante uma luta em um local fechado, alguém sempre é atirado por uma janela ou vidraça.
O vendedor de armas é sempre roubado com suas próprias armas. Todos os asiáticos são mestres em artes marciais. A pessoas que tem os maiores planos e sonhos, sempre morre primeiro durante a guerra. Quando um herói e um vilão estão lutando, eles sempre se tornam superhumanos, eles podem levar chutes na cabeça, cinqüenta socos na cara que continuarão lutando.
No meio de uma perseguição de carros, há sempre dois homens carregando uma vidraça (que acaba estraçalhada por um dos carros). O herói pode contar quantas balas o inimigo atirou, ele sempre sabe quando o cartucho está vazio. Fugitivos sempre encontram uniformes (ou roupas comuns) com o seu número de manequim. Um herói escondido, que faz algum barulho é sempre salvo por um gato. Um policial sempre consegue arrombar uma porta trancada na primeira tentativa.
Heróis do esporte sempre conseguem encontrar a sua amada no meio de 100.000 espectadores. Há sempre Coca-Cola no futuro. As memórias sempre aparecem em preto e branco. Mulheres sexualmente satisfeitas sempre aparecem com os cabelos soltos. Um fósforo na escuridão sempre fornece a luz de um holofote.
Criaturas do espaço falam inglês. Cachorros sempre lambem a face de uma pessoa boa, e sempre latem para uma má. As pessoas sempre estão tomando banho quando uma mensagem importante é gravada na secretária eletrônica. Um mudo, um cego ou um surdo na maior parte das vezes são testemunhas de um assassinato. Uma mulher inteligente sempre usa óculos. Sempre há um lugar vazio ao lado de uma pessoa sentada em um banco em um local público, como uma praça por exemplo.
Cartões de crédito e grampos funcionam perfeitamente em fechaduras. Elevadores estão sempre no andar onde está o herói ou o vilão para leva-lo à qualquer outro andar, mas se o herói está sendo caçado o elevador nunca vem. Se o herói ou o vilão durante uma perseguição pega um elevador, o outro consegue alcança-lo pelas escadas, mesmo que tenha que subir 20 andares. Relâmpagos e trovões sempre ocorrem ao mesmo tempo.
Nenhuma criança pode morrer... mesmo se ela for eletrocutada por um fio de alta tensão capaz de matar um dinossauro (Jurassic Park). Se você pegar um taxi cinematográfico não perca tempo esperando pelo troco. Os motoristas nem sabe o que é isso, apenas diga obrigado. Quando pagar a conta de um restaurante pegue uma nota qualquer em sua carteira sem olhar e pague.
Os vilões dos anos 40 e 50 são os alemães, nos anos 60 e 70 são os asiáticos , nos anos 70 e 80 são os soviéticos e nos anos 90 são os terroristas do Oriente Médio. Uma caixa de cigarros no bolso da camisa, uma medalha, ou algum outro objetos pode bloquear um tiro e salvar a vida do herói. Durante uma luta em um local fechado, alguém sempre é atirado por uma janela ou vidraça.
O vendedor de armas é sempre roubado com suas próprias armas. Todos os asiáticos são mestres em artes marciais. A pessoas que tem os maiores planos e sonhos, sempre morre primeiro durante a guerra. Quando um herói e um vilão estão lutando, eles sempre se tornam superhumanos, eles podem levar chutes na cabeça, cinqüenta socos na cara que continuarão lutando.
No meio de uma perseguição de carros, há sempre dois homens carregando uma vidraça (que acaba estraçalhada por um dos carros). O herói pode contar quantas balas o inimigo atirou, ele sempre sabe quando o cartucho está vazio. Fugitivos sempre encontram uniformes (ou roupas comuns) com o seu número de manequim. Um herói escondido, que faz algum barulho é sempre salvo por um gato. Um policial sempre consegue arrombar uma porta trancada na primeira tentativa.
Heróis do esporte sempre conseguem encontrar a sua amada no meio de 100.000 espectadores. Há sempre Coca-Cola no futuro. As memórias sempre aparecem em preto e branco. Mulheres sexualmente satisfeitas sempre aparecem com os cabelos soltos. Um fósforo na escuridão sempre fornece a luz de um holofote.
Criaturas do espaço falam inglês. Cachorros sempre lambem a face de uma pessoa boa, e sempre latem para uma má. As pessoas sempre estão tomando banho quando uma mensagem importante é gravada na secretária eletrônica. Um mudo, um cego ou um surdo na maior parte das vezes são testemunhas de um assassinato. Uma mulher inteligente sempre usa óculos. Sempre há um lugar vazio ao lado de uma pessoa sentada em um banco em um local público, como uma praça por exemplo.
Cartões de crédito e grampos funcionam perfeitamente em fechaduras. Elevadores estão sempre no andar onde está o herói ou o vilão para leva-lo à qualquer outro andar, mas se o herói está sendo caçado o elevador nunca vem. Se o herói ou o vilão durante uma perseguição pega um elevador, o outro consegue alcança-lo pelas escadas, mesmo que tenha que subir 20 andares. Relâmpagos e trovões sempre ocorrem ao mesmo tempo.
Nenhuma criança pode morrer... mesmo se ela for eletrocutada por um fio de alta tensão capaz de matar um dinossauro (Jurassic Park). Se você pegar um taxi cinematográfico não perca tempo esperando pelo troco. Os motoristas nem sabe o que é isso, apenas diga obrigado. Quando pagar a conta de um restaurante pegue uma nota qualquer em sua carteira sem olhar e pague.
QUALQUER QUE SEJA
"Qualquer que seja a profissão da tua escolha, o meu desejo é que te tornes forte e ilustre ou pelo menos notável, que te levantes acima da obscuridade comum".
Machado de Assis
Machado de Assis
março 09, 2006
"NUNCA MAIS VOLTEI AO TRONO"
vou te contar uma historia venéria...
bom , tava eu esperando minha mãe para fazer as compras do mês, quando derrepente... começa akele velha conversa fora de hora, do seu estomago com suas tripas, me entende neh? akele feijao q não bateu bem na noite anterior...
eu jah tava fazendo cruz nas pernas de tanta dor, comecei ateh a soprar, sabe respiração cachorrinho?, hhehehehehe...pois eh ateh isso.
nessa hr aparece uma colega de faculdade aí eu pensei:FUDEU!
e se vier um gás? akele gás...e ela começou a falar do carnaval q tinha viajado , coisa e tal ....e eu jah roxo de dor, soh balançando a cabeça e dizendo q sim.
depois de alguns instantes de reza(nessas hrs qulaquer ateu apela)tudo bem, ela foi embora e entao a dor passou e eu respirei aliviado, olhei pro meu estomago e falei: isso nao te pertence mais! la la la la.
minha mae xegou depois de meia hr de espera entao fomos as compras...ela viu a sessao de mulher, akela com calcinha e c sabe neh, parou e nunca mais saiu e eu lah axando tudo um saco...
pois bem axo q nao soh eu axei tudo um saco, pq derrepente lah vem ele de novo: akele barulho de motocicleta engasgada, akela vontade de ir pro trono...
nao me segurei dessa vez e fui ao banheiro...ahhhhhhhhh...akele alivio, qnd eu olho, adivinha?! NO PAPER, e falei baixinho: ihhh , fudeu de novo, e isso tudo enqunto segurava a porta q tava quebrada... apelei pela segunda vez...TOC, TOC...bati na parede da privada vizinha, meu senso de ridiculo a essa altura jah tava alí, tb dentro do vaso.
perguntei: vizinho? tem papel aí?! e a resposta: CRI, CRI, CRI...silencio total.
nem deu tempo de implorar soh sei q foi uma metralhadora o negocio, era tiro pra tudo qnto eh lado...
tive q limpar com 2 dedos de papel q encontrei escondido no encaixe, pense...
sai, pensando no alivio e tal e fui encontrar minha mae(lavei a mao,calma!) falei pra ela do ocorrido e ela veio com akele papo: tah vendo, nao me ouve ,nunca eskente o feijao e sim ferva, sempre!
e eu: sim blz, agora eh tarde!entao ela me perguntou: ainda sente dor?respondi q nao, mas tava com akele velho palpite...
passou-se uns 10 min e parece q o metalica tinha voltado pro meu estomago, entao minha mae falou:vai comprar um remedio na farmacia e eu disse:nao, q nada vai passar, resistindo ao rock´in roll...
virei pra ela cruzando as pernas e mordendo o labio inferior e disse:tah bom eu me rendo vou comprar o remedio e fui...
enqnto eu ia,pensava:nao posso dizer q estou na merda(literalmente)vai ser uma vergonha, entao tomei folego e soltei: MOÇA VC TERIA AÍ ALGUMA COISA PARA INDISPOSIÇAO INTESTICIAL?
e ela: claro! como se entendesse meu problema. Na volta, mostrei o remedio para minha mae antes de tomar.
ela olhou, examinou e gritou vc eh doido? isso aqui eh um laxante! e eu: mae, fala baixo, ninguem precisa saber!
resumo da historia: depois de ir umas 4 vezes no banheiro(mas somente na 1 vez nao tinha papel)minha mae foi trocar o remedio, dessa vez trouxe um entope tudo, sabe dakeles?! pois eh desse mesmo, e ateh hj quase 40 dias depois, nunca mais voltei ao trono!
Este texto foi um recado que enviei a um amigo do orkut, note as expressões e falta de uma gramática bem aplicada, preferi preservar os erros para dar mais comicidade à situçao. ISSO REALMENTE ACONTECEU!
bom , tava eu esperando minha mãe para fazer as compras do mês, quando derrepente... começa akele velha conversa fora de hora, do seu estomago com suas tripas, me entende neh? akele feijao q não bateu bem na noite anterior...
eu jah tava fazendo cruz nas pernas de tanta dor, comecei ateh a soprar, sabe respiração cachorrinho?, hhehehehehe...pois eh ateh isso.
nessa hr aparece uma colega de faculdade aí eu pensei:FUDEU!
e se vier um gás? akele gás...e ela começou a falar do carnaval q tinha viajado , coisa e tal ....e eu jah roxo de dor, soh balançando a cabeça e dizendo q sim.
depois de alguns instantes de reza(nessas hrs qulaquer ateu apela)tudo bem, ela foi embora e entao a dor passou e eu respirei aliviado, olhei pro meu estomago e falei: isso nao te pertence mais! la la la la.
minha mae xegou depois de meia hr de espera entao fomos as compras...ela viu a sessao de mulher, akela com calcinha e c sabe neh, parou e nunca mais saiu e eu lah axando tudo um saco...
pois bem axo q nao soh eu axei tudo um saco, pq derrepente lah vem ele de novo: akele barulho de motocicleta engasgada, akela vontade de ir pro trono...
nao me segurei dessa vez e fui ao banheiro...ahhhhhhhhh...akele alivio, qnd eu olho, adivinha?! NO PAPER, e falei baixinho: ihhh , fudeu de novo, e isso tudo enqunto segurava a porta q tava quebrada... apelei pela segunda vez...TOC, TOC...bati na parede da privada vizinha, meu senso de ridiculo a essa altura jah tava alí, tb dentro do vaso.
perguntei: vizinho? tem papel aí?! e a resposta: CRI, CRI, CRI...silencio total.
nem deu tempo de implorar soh sei q foi uma metralhadora o negocio, era tiro pra tudo qnto eh lado...
tive q limpar com 2 dedos de papel q encontrei escondido no encaixe, pense...
sai, pensando no alivio e tal e fui encontrar minha mae(lavei a mao,calma!) falei pra ela do ocorrido e ela veio com akele papo: tah vendo, nao me ouve ,nunca eskente o feijao e sim ferva, sempre!
e eu: sim blz, agora eh tarde!entao ela me perguntou: ainda sente dor?respondi q nao, mas tava com akele velho palpite...
passou-se uns 10 min e parece q o metalica tinha voltado pro meu estomago, entao minha mae falou:vai comprar um remedio na farmacia e eu disse:nao, q nada vai passar, resistindo ao rock´in roll...
virei pra ela cruzando as pernas e mordendo o labio inferior e disse:tah bom eu me rendo vou comprar o remedio e fui...
enqnto eu ia,pensava:nao posso dizer q estou na merda(literalmente)vai ser uma vergonha, entao tomei folego e soltei: MOÇA VC TERIA AÍ ALGUMA COISA PARA INDISPOSIÇAO INTESTICIAL?
e ela: claro! como se entendesse meu problema. Na volta, mostrei o remedio para minha mae antes de tomar.
ela olhou, examinou e gritou vc eh doido? isso aqui eh um laxante! e eu: mae, fala baixo, ninguem precisa saber!
resumo da historia: depois de ir umas 4 vezes no banheiro(mas somente na 1 vez nao tinha papel)minha mae foi trocar o remedio, dessa vez trouxe um entope tudo, sabe dakeles?! pois eh desse mesmo, e ateh hj quase 40 dias depois, nunca mais voltei ao trono!
Este texto foi um recado que enviei a um amigo do orkut, note as expressões e falta de uma gramática bem aplicada, preferi preservar os erros para dar mais comicidade à situçao. ISSO REALMENTE ACONTECEU!
NÃO HÁ EXISTÊNCIA SEM O OLHAR QUE TROCAMOS ENTRE NÓS
Imaginaria-me agora em uma praia cinzenta e fria, sozinho. Só eu e o mar molhando meus pés. Penso que alguém ignorado sente o mesmo: isolado, angustiado, tomado pelo nada a correr por essa praia imaginando alcançar alguém que se disponha a me ver, a conversar comigo, a me notar como pessoa.
Penso que essa minha praia não seja diferente da rua a qual vim e vivi, como vivem tantos meninos e meninas, assim como eu, impossibilitado de existência social, restando-nos somente a praia, sempre a tocar nossos pés para nos lembrar que assim como a água, as pessoas podem também ser bastante frias.
Conseqüentemente, se corro em direção a nevoa que me cobre a vista e tento observar o vulto que penso ser alguém a me notar, corro...mas para onde? Para quem? Se alcanço o vulto, logo descubro que ele não estava acenando pra mim, não sou eu o notado, passo desapercebido.
O vulto passa por mim e eu por ele. Baixo minha cabeça e me pergunto se Rousseau estaria certo em afirmar que não há existência sem o olhar que trocamos entre nós.
Em seguida, uma outra pergunta me vem de relance. Volto o olhar pra mim, me observo e imagino se minhas roupas sujas e rasgadas fariam diferença se assim elas não fossem vistas. Se a possível alvura de minha pele determinaria meu potencial de ser notado, de existir.
Poderia o resto da vida viver nessa praia, mas não posso. Uso de malabarismos e às vezes piruetas, na esperança de que dessa forma olhem para mim. Muitas vezes não consigo. E então só o que posso fazer é observá-los protegidos por seus escudos de vidro, intocados em seu mundo.
Por quanto tempo me deixarão isolado na praia? Por quanto tempo me deixarão afogado na rua? Não tenho respostas, somente a água fria.
Nessas horas justifico o motivo de alguns iguais a mim, usarem de qualquer poder de atenção para ser notados. Muitas vezes, chegam até a quebrar o escudo de vidro, quão desesperados de existência eles estão, outros algumas vezes vão além, e não quebram somente o escudo, quebram suas vidas também, somente em busca da tão valiosa existência, escondida entre o poderio do dinheiro e alvura da pele.
Mais um de meus textos para a disciplina de Sociologia que não foi digno de nota.
Lembro que produzi este texto enquanto ouvia "yellow" do Coldplay, visualizei o clipe dessa musica e desandei a escrever, acho que exagerei na viagem um pouco.
Penso que essa minha praia não seja diferente da rua a qual vim e vivi, como vivem tantos meninos e meninas, assim como eu, impossibilitado de existência social, restando-nos somente a praia, sempre a tocar nossos pés para nos lembrar que assim como a água, as pessoas podem também ser bastante frias.
Conseqüentemente, se corro em direção a nevoa que me cobre a vista e tento observar o vulto que penso ser alguém a me notar, corro...mas para onde? Para quem? Se alcanço o vulto, logo descubro que ele não estava acenando pra mim, não sou eu o notado, passo desapercebido.
O vulto passa por mim e eu por ele. Baixo minha cabeça e me pergunto se Rousseau estaria certo em afirmar que não há existência sem o olhar que trocamos entre nós.
Em seguida, uma outra pergunta me vem de relance. Volto o olhar pra mim, me observo e imagino se minhas roupas sujas e rasgadas fariam diferença se assim elas não fossem vistas. Se a possível alvura de minha pele determinaria meu potencial de ser notado, de existir.
Poderia o resto da vida viver nessa praia, mas não posso. Uso de malabarismos e às vezes piruetas, na esperança de que dessa forma olhem para mim. Muitas vezes não consigo. E então só o que posso fazer é observá-los protegidos por seus escudos de vidro, intocados em seu mundo.
Por quanto tempo me deixarão isolado na praia? Por quanto tempo me deixarão afogado na rua? Não tenho respostas, somente a água fria.
Nessas horas justifico o motivo de alguns iguais a mim, usarem de qualquer poder de atenção para ser notados. Muitas vezes, chegam até a quebrar o escudo de vidro, quão desesperados de existência eles estão, outros algumas vezes vão além, e não quebram somente o escudo, quebram suas vidas também, somente em busca da tão valiosa existência, escondida entre o poderio do dinheiro e alvura da pele.
Mais um de meus textos para a disciplina de Sociologia que não foi digno de nota.
Lembro que produzi este texto enquanto ouvia "yellow" do Coldplay, visualizei o clipe dessa musica e desandei a escrever, acho que exagerei na viagem um pouco.
OS DONOS DE SEU NARIZ
Todos deviam ser donos do seu nariz, mas infelizmente isto não acontece. Num país como o Brasil o sonho do nariz próprio continua inalcançável para a maioria. Só uma minoria privilegiada é dona do seu nariz. Poucos sabem que 70% dos brasileiros alugam seu nariz. O Governo vem tentando melhorar a situação através dos financiamentos do BNN para a aquisição do nariz próprio, mas com a correção monetária, reajustes, etc. o pobre acaba pagando pelo nariz muito mais do que pode.
Muitos vivem na ilusão de serem donos do seu nariz e na realidade não são. Mesmo os proprietários de nariz não têm direitos absolutos sobre ele. O nariz é um bem móvel. Qualquer transação envolvendo o nariz depende da fiscalização pública. Você descobre que o nariz não lhe pertence quando, por exemplo, pretende viajar para o exterior. Não há nenhum empecilho para você sair do país, ao contrario do que se pensa.
— O senhor tem completa liberdade de ir e vir.
— Sem papelada, sem nada? Posso sair quando quiser?
— Exato. Mas sem o nariz, claro.
— Como? Eu sou dono do meu nariz.
— Perdão. Seu nariz é uma concessão do Governo. Pertence ao Estado.
— Mas eu não posso viajar sem ele. Somos muito ligados.
— Bem. Para tirar um nariz do país é preciso passaporte, visto de saída, atestado de bons antecedentes, atestado de ideologia do nariz...E o depósito compulsório.
— Quanto?
— Os olhos da cara.
Todos os impostos e taxas que você paga ao Governo são pelo uso do seu nariz. O nariz, na realidade, é a única parte da sua anatomia sobre a qual o Governo tem todo o poder. O Estado não interfere no resto do seu corpo que, no caso de prisão arbitrária, só vai junto porque quer. Foi isso, na opinião de alguns juristas, que tornou o habeas-corpus supérfluo entre nós. E, convenhamos, um habeas-nasalus seria ridículo.
Eu alugo meu nariz e estou muito satisfeito com ele. Não conheço o proprietário. Pago o aluguel em dia, conservo o nariz em bom estado e não dou ao locador qualquer razão para queixa. Mas, teoricamente, o dono do meu nariz pode reclamá-lo quando quiser. Basta uma denúncia vazia de que eu estou metendo o meu — ou dele, no caso — nariz onde não devo e ele pode reaver o nariz. A situação é irrespirável.
Alguns proprietários de narizes alugados estão sempre vistoriando a sua propriedade. Acordam o locatário no meio da noite para ver como vai o nariz.
— Hum. Deixa ver. Parece bem. Este cravo aqui do lado...
— Vou espremer amanhã mesmo.
— Você limpa todos os dias?
— Por dentro e por fora.
— Olha aí: os óculos estão deixando marca. Não pode.
— Vou cuidar disto. Agora posso dormir? Estou meio resfriado...
— Que tipo de lenço você tem usado? De papel, espero. Lenço de pano irrita o nariz. Olhe lá, hein?
Alguns contratos de aluguel são extorsivos. Incluem uma cobrança por espirro, taxa-coriza, o diabo.
Existe uma espécie de bolsa do nariz onde os grandes proprietários compram, vendem e trocam seus narizes.
— Tenho um nariz bem grande em Petrópolis. Troco por dois pequenos na Zona Sul.
— Nariz novo. Vendo. Estilo grego.
— Compro um afilado. Qualquer zona menos Avenida Farrapos.
— Vendo um achatado, simpático, amplas narinas, na Independência.
— Reformado, como novo, troco por adunco ou arrebitado.
A questão do nariz reformado é, legalmente, um pouco confusa. Quem é dono do seu nariz pode alterá-lo como quiser, desde que obtenha uma licença da prefeitura. Um bom Pitanguy, hoje vale uma fortuna. Mas quem aluga o seu nariz e quer modificá-lo deve antes consultar o dono.
— Estou pensando em tirar um pouco aqui, estreitar aqui e baixar aqui.
— Impossível. Não posso permitir. A senhora quer diminuir a área total do meu nariz.
— Mas vai ficar um Tônia Carrero perfeito. Vai aumentar de valor.
— Sei não... Aumentam os impostos...
— O senhor pode aumentar o aluguel.
— Feito.
Os donos do seu nariz têm o poder e não há nada que você possa fazer a respeito. O seu nariz pode ter sido vendido a uma multinacional agora mesmo e você nem sabe.
Crônica de Luis Fernando Veríssimo.
Muitos vivem na ilusão de serem donos do seu nariz e na realidade não são. Mesmo os proprietários de nariz não têm direitos absolutos sobre ele. O nariz é um bem móvel. Qualquer transação envolvendo o nariz depende da fiscalização pública. Você descobre que o nariz não lhe pertence quando, por exemplo, pretende viajar para o exterior. Não há nenhum empecilho para você sair do país, ao contrario do que se pensa.
— O senhor tem completa liberdade de ir e vir.
— Sem papelada, sem nada? Posso sair quando quiser?
— Exato. Mas sem o nariz, claro.
— Como? Eu sou dono do meu nariz.
— Perdão. Seu nariz é uma concessão do Governo. Pertence ao Estado.
— Mas eu não posso viajar sem ele. Somos muito ligados.
— Bem. Para tirar um nariz do país é preciso passaporte, visto de saída, atestado de bons antecedentes, atestado de ideologia do nariz...E o depósito compulsório.
— Quanto?
— Os olhos da cara.
Todos os impostos e taxas que você paga ao Governo são pelo uso do seu nariz. O nariz, na realidade, é a única parte da sua anatomia sobre a qual o Governo tem todo o poder. O Estado não interfere no resto do seu corpo que, no caso de prisão arbitrária, só vai junto porque quer. Foi isso, na opinião de alguns juristas, que tornou o habeas-corpus supérfluo entre nós. E, convenhamos, um habeas-nasalus seria ridículo.
Eu alugo meu nariz e estou muito satisfeito com ele. Não conheço o proprietário. Pago o aluguel em dia, conservo o nariz em bom estado e não dou ao locador qualquer razão para queixa. Mas, teoricamente, o dono do meu nariz pode reclamá-lo quando quiser. Basta uma denúncia vazia de que eu estou metendo o meu — ou dele, no caso — nariz onde não devo e ele pode reaver o nariz. A situação é irrespirável.
Alguns proprietários de narizes alugados estão sempre vistoriando a sua propriedade. Acordam o locatário no meio da noite para ver como vai o nariz.
— Hum. Deixa ver. Parece bem. Este cravo aqui do lado...
— Vou espremer amanhã mesmo.
— Você limpa todos os dias?
— Por dentro e por fora.
— Olha aí: os óculos estão deixando marca. Não pode.
— Vou cuidar disto. Agora posso dormir? Estou meio resfriado...
— Que tipo de lenço você tem usado? De papel, espero. Lenço de pano irrita o nariz. Olhe lá, hein?
Alguns contratos de aluguel são extorsivos. Incluem uma cobrança por espirro, taxa-coriza, o diabo.
Existe uma espécie de bolsa do nariz onde os grandes proprietários compram, vendem e trocam seus narizes.
— Tenho um nariz bem grande em Petrópolis. Troco por dois pequenos na Zona Sul.
— Nariz novo. Vendo. Estilo grego.
— Compro um afilado. Qualquer zona menos Avenida Farrapos.
— Vendo um achatado, simpático, amplas narinas, na Independência.
— Reformado, como novo, troco por adunco ou arrebitado.
A questão do nariz reformado é, legalmente, um pouco confusa. Quem é dono do seu nariz pode alterá-lo como quiser, desde que obtenha uma licença da prefeitura. Um bom Pitanguy, hoje vale uma fortuna. Mas quem aluga o seu nariz e quer modificá-lo deve antes consultar o dono.
— Estou pensando em tirar um pouco aqui, estreitar aqui e baixar aqui.
— Impossível. Não posso permitir. A senhora quer diminuir a área total do meu nariz.
— Mas vai ficar um Tônia Carrero perfeito. Vai aumentar de valor.
— Sei não... Aumentam os impostos...
— O senhor pode aumentar o aluguel.
— Feito.
Os donos do seu nariz têm o poder e não há nada que você possa fazer a respeito. O seu nariz pode ter sido vendido a uma multinacional agora mesmo e você nem sabe.
Crônica de Luis Fernando Veríssimo.
MÍLTON E O CONCORRENTE
Mílton ainda não abriu a sua loja, mas o concorrente já abriu a dele; e já está anunciando, já está vendendo, já está liquidando a preços abaixo do custo. Mílton ainda está na cama, ao lado da amante, desta mulher ilegítima, que nem bonita é, nem simpática; o concorrente já está de pé, alerta, atrás do balcão.
A esposa — fiel companheira de tantos anos — está ao seu lado, alerta também. Mílton ainda não fez o desjejum (desjejum? Um cigarro, um pouco de vinho, isto é desjejum?) — o concorrente já tomou suco de laranja, já comeu ovo, torrada, queijo, já sorveu uma grande xícara de café com leite. Já está nutrido.
Mílton ainda está nu, o concorrente já se apresenta elegantemente vestido. Mílton mal abriu os olhos, o concorrente já leu os jornais da manhã, já está a par das cotações da bolsa e das tendências do mercado. Mílton ainda não disse uma palavra, o concorrente já falou com clientes, com figurões da política, com o fiscal amigo, com os fornecedores.
Mílton ainda está no subúrbio; o concorrente, vencendo todos os problemas do trânsito, já chegou ao centro da cidade, já está solidamente instalado no seu prédio próprio. Mílton ainda não sabe se o dia é chuvoso, ou de sol, o concorrente já está seguramente informado de que vão subir os preços dos artigos de couro. Mílton ainda não viu os filhos (sem falar da esposa, de quem está separado); o concorrente já criou as filhas, já formou-as em Direito e Química, já as casou, já tem netos.
Milton ainda não começou a viver.
O concorrente já está sentindo uma dor no peito, já está caindo sobre o balcão, já está estertorando, os olhos arregalados — já está morrendo, enfim.
Conto de Moacyr scliar.
A esposa — fiel companheira de tantos anos — está ao seu lado, alerta também. Mílton ainda não fez o desjejum (desjejum? Um cigarro, um pouco de vinho, isto é desjejum?) — o concorrente já tomou suco de laranja, já comeu ovo, torrada, queijo, já sorveu uma grande xícara de café com leite. Já está nutrido.
Mílton ainda está nu, o concorrente já se apresenta elegantemente vestido. Mílton mal abriu os olhos, o concorrente já leu os jornais da manhã, já está a par das cotações da bolsa e das tendências do mercado. Mílton ainda não disse uma palavra, o concorrente já falou com clientes, com figurões da política, com o fiscal amigo, com os fornecedores.
Mílton ainda está no subúrbio; o concorrente, vencendo todos os problemas do trânsito, já chegou ao centro da cidade, já está solidamente instalado no seu prédio próprio. Mílton ainda não sabe se o dia é chuvoso, ou de sol, o concorrente já está seguramente informado de que vão subir os preços dos artigos de couro. Mílton ainda não viu os filhos (sem falar da esposa, de quem está separado); o concorrente já criou as filhas, já formou-as em Direito e Química, já as casou, já tem netos.
Milton ainda não começou a viver.
O concorrente já está sentindo uma dor no peito, já está caindo sobre o balcão, já está estertorando, os olhos arregalados — já está morrendo, enfim.
Conto de Moacyr scliar.
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