abril 20, 2006

SUPER NANNY

(Beijinho, beijinho e tchau, tchau...)



O SBT realmente não me surpreende, por vez ou outra vejo o anuncio de um de seus novos programas made-in-algum-lugar. O dito cujo se chama Super Nanny, nunca assisti, mas parece ser uma espécie de reality show com babá.



O nome é até sugestivo, já que Nanny em inglês norte-americano é algo como um apelido carinhoso para as Sisters de que os americanos tanto necessitam.


A/O Super Nanny veio para nos mostrar que não sabemos educar nossos filhos, precisando - se até recorrer ao SBT para tal proeza. A vida moderna anda tão super-veloz, agitada que não se tem tempo de ser nem mãe, nem pai.


Mas isso não é nenhuma novidade, é que eles ao em vez de simplesmente deixarem seus filhos a cargo da televisão, simplesmente chamam a super nanny, que seria a TV do novo século: ela anda, fala, entretém, não dá bronca e ainda se pode desligar (despedir) quando se bem entender.


Na minha época não tinha nenhuma Super Nanny, mas me lembro de uma que era Xuper, sem o Nanny só Xuper, isso mesmo com “x”. Lembro-me de ficar horas em frente à TV pela manhã antes de ir para escola e ficar esperando a musiquinha: “bom-dia amiguinhos já estou aqui, tenho muitas pra nos divertir...”.


Minha mãe nunca teve o hábito de me dar bom-dia, muito menos ter muitas coisas para nos divertir. Ela não tinha tempo, tinha que sair cedo para poder me criar com certo conforto. Lembro que descobri que entendia errado o que significava o nome do programa: “XOU DA XUXA”, eu pensava ser: “ SOU DA XUXA”, mas na verdade era: “ SHOW DA XUXA”.


Imaginem uma criança que nem sabe o que significa direito o título de um programa, se deixando “criar” pelo que ouve e ver na TV, quem garante que entendia as mensagens que a apresentadora tentava passar, quanta manipulação não fomos vítima?


Então, ao em vez de querer ser Super ou Xuper seja...esteja simplesmente presente para seus filhos, afinal menos é mais e sempre há tempo para o que se gosta.

abril 19, 2006

RESPOSTA AO TEMPO


Batidas na porta da frente é o tempo
Eu bebo um pouquinho pra ter argumento
Mas fico sem jeito, calado, ele ri
Ele zomba do quanto eu chorei
Porque sabe passar e eu não sei
Um dia azul de verão, sinto o vento
Há folhas no meu coração é o tempo
Recordo um amor que perdi, ele ri
Diz que somos iguais, se eu notei
Pois não sabe ficar e eu também não sei
E gira em volta de mim, sussurra que apaga os caminhos
Que amores terminam no escuro... sozinhos
Respondo que ele aprisiona, eu liberto
Que ele adormece as paixões, eu desperto
E o tempo se rói com inve...já de mim
Me vigia querendo a...prender
Como eu morro de amor pra tentar reviver
No fundo é uma eterna criança que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder me esquecer
No fundo é uma eterna criança que não soube amadurecer
Composição: Aldir Blanc/Cristovão Bastos
Interprete: Nana Caymi
Atenetei-me a letra desta música por que ela trata exatamente do tempo este que aprisiona, que não esquece, que de repente bate a sua porta e você persebe que não pode mais voltar atrás, as coisas que você deixou de fazer, te atormentarão alguns anos adiante quando você beber um pouco para ter argumento e aqueles pensamentos vierem a tona, aqueles que reinam no incosciente, que se apagam na realidade. O tempo te aprisiona? Te rouba as paixões?
Deixamos tudo a cargo do tempo, fazemos dele o senhor de nossos mundos, mas como diz a letra no fundo ele é uma eterna criança e a palavra fácil é uma coisa que não existe na vida de um adulto, então vamos responder ao tempo, antes que ele bata nossa porta cuspindo perguntas.

abril 16, 2006

A PERFEIÇÃO

O que me tranqüiliza é que tudo o que existe,
existe com uma precisão absoluta.
O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete não transborda nem uma fração de milímetro além do tamanho de uma cabeça de alfinete. Tudo o que existe é de uma grande exatidão.
Pena é que a maior parte do que existe com essa exatidão nos é tecnicamente invisível.
O bom é que a verdade chega a nós como um sentido secreto das coisas. Nós terminamos adivinhando, confusos, a perfeição.
(Clarice Lispector)

abril 12, 2006

HISTÓRIA SEM FIM

Num playground qualquer...

- oi?
- oi!
- vamo brincar? To com um tédio...
- vamo!
- o que você acha de hoje a gente matar seus pais?
- não! Eu tive uma idéia melhor, o que você acha de a gente matar meu país?
- mas por que você mataria seus pais?
- ah, sei lá, eles já me deram tudo, se eles realmente me amam me darão suas vidas também.

Algum tempo depois no fantástico...

(a repórter).

- Susane? Você lembra dos seus pais?
- claro tia, eles me levavam pra passear, eu passeava no shopping, na faculdade, passeava e passeava.

(A repórter com uma cara do tipo: nessa profissão eu agüento cada uma!).

- que camisa linda! Foi presente da sua mãe, que você matou?
- não! (chora)... Eu mesma fiz, note que ela é de couro. Eu mesma tirei um pedaço das costas do meu pai. (chora)
- olha tia repórter, eu tenho umas fotos quer ver?
- mas Susane, aqui é você sufocando seus pais com um travesseiro enquanto eles dormem!
- ah, você nunca brincou de quem agüenta mais sem respirar?! Quando eles ficavam roxos eu parava.
- Susane? Você matou seus pais?
- você gostou da minha blusa, mas não falou da minha calça!
- foi você quem planejou tudo?
-... Me acho gorda nessa calça!
- você ou seu namorado que teve a idéia?
- hum... Bege, acho que vou pintar o teto de bege!
- ah tia repórter, você faz muitas perguntas, se ainda fosse a Gloria Maria: viajada, competente, vários passaportes...
- Susane, como você planejou tudo? (A repórter já fula da vida)
- buá, buá, buá...

(De repente o choro é interrompido)

- você não teria aí um colírio? É que choro com lágrima convence melhor.

(A repórter em off...)

- desisto! Assassina fila da...
- quem ela pensa que convence com esse teatro tipo malhação?!
- você viu a bunda dela? Só não é maior que sua falsidade, ai que ódio!
(suzane em off...)

- ai... Pensei que ela não fosse desistir nunca.
(ageita o cabelo, põe mini-saia, batom vermelho...)

O tutor de Susane pergunta:

- ei! Vai pra onde?
- tô atrasada! Tenho um encontro com um político brasileiro honesto, depois com o chapeleiro maluco, vou assistir a uma palestra do Lula, discursando em inglês e depois sair por aí ouvindo histórias da Carochinha.

VOCÊ É ABISMO OU PLANÍCIE?

Uma mulher conversando com outra (crise de meia-idade).

- Sabia que existem dois tipos de homem?
- Ah, é? Quais?
- Um é planície: Grande extensão de terreno plano ( pronunciou entediada), é aquele certo, tudo está no lugar, é reto, plano, você olha e já sabe o que vai encontrar, é chão pela frente e no fim de tudo isso, o horizonte, tão certo, tão natural.
- E o outro é abismo (pronunciou afoita): abismo é descoberta, praticamente insondável, quanto mais longe se vai, mas surpresa se tem, é sempre uma pergunta: O que será que existe além?!

Então, você (leitor) é planície ou abismo?

Autor:
- Posso ser Planalto?!

abril 08, 2006

LÍNGUAS

O americano queria comprar um imóvel no Rio.

- HOW MUCH?
- Como disse?
- HOW MUCH?
- Quanto? Temos vários planos de...
- I DON'T UNDERSTAND PORTUGUESE.
- Iiiih...
- DON'T YOU SPEAK ENGLISH?
- INGLISH, eu? Só de ginásio e assim mesmo já esqueci. Só ficou o AILOVIÚ. Ma o cavalheiro também vai me desculpar. Vir pro Brasil sem falar uma palavra de português, é dose.
- THIS BUILDING. THE LONG BEACH EXECUTIVE SUITE SERVICE...
- Isso. LONG BEACH EXECUTIVE SUITE SERVICE. Coisa finíssima. O preço total é este aqui. ANDERSTÃ? PRICE total.
- WHAT IS THE DOWN-PAYMENT?
- A entrada, é isso? THE ENTRANCE?
- WHAT?
- Assim não vai dar... Vocês americanos nem se dão ao trabalho de aprender nossa língua. No Brasil se fala português, meu chapa. Isto aqui não é colônia de vocês não.
- I DON'T UNDERSTAND.
- Vamos tentar de novo. LONG BEACH EXECUTIVE SUITE SERVICE. Vou falar bem compassado que é pra você entender. O PRICE total é este aqui. A entrada - ENTRANCE- é esta aqui.
- SWIMMING POOL?
- Ahn?
- CAR PARK?
- Ahn?
- PLAYGROUND?
- Playground! Agora está falando a minha língua!


Crônica de Luís Fernanado Veríssimo.

O PINTO FOI PRO JÔ!

Cara pintada, blush (é assim que se escreve?), cabelos e sobrancelhas tingidos. Assim é Pinto, o padre. Ou melhor, o polêmico Padre Pinto, da Bahia. Ele está no Jô. Sinceramente, ele tem tudo para ser uma dessas figuras carimbadas das colunas sociais, fugindo a regra de autoridade religiosa.
É incrível como ele adora falar de si mesmo, das muitas celebridades com as quais se relaciona e, infelizmente, não contém seus pensamentos mais estravagantes - num instante do pgm, chegou a ponto de pronunciar um palavrão: "eu quero que eles se...", parou dizendo ao Jô que não se podia dizer no ar.
Antes de terminar, pediu que o Jô fosse padrinho junto à Globo para que possa apresentar um programa na madrugada, falando de Jesus e recebendo grupos musicais de jovens. Padre Pinto está deslocado... dentro da igreja.
POR NONATO ALBUQUERQUE.

BUDA E A FLOR DE LÓTUS

Hoje é o dia do Jornalista e aqueles que assim como eu, pertecerão também um dia a esta lista, desejo tão fielmante quanto Buda que possamos enfim enchergar as coisas como elas realmente são.


Buda reuniu seus discípulos, e mostrou uma flor de lótus - símbolo da pureza, porque cresce imaculada em águas pantanosas.

- Quero que me digam algo sobre isto que tenho nas mãos
- perguntou Buda.

O primeiro fez um verdadeiro tratado sobre a importância das flores.
O segundo compôs uma linda poesia sobre suas pétalas.
O terceiro inventou uma parábola usando a flor como exemplo.

Chegou a vez de Mahakashyao.
Este aproximou-se de Buda, cheirou a flor, e acariciou seu rosto com uma das pétalas.

- É uma flor de lótus - disse Mahakashyao. Simples e bela. - Você foi o único que viu o que eu tinha nas mãos - disse Buda.

Autor Desconhecido.

abril 07, 2006

ORIGEM DOS NOMES DOS ESTADOS

Acre: vem de áquiri, touca de penas usada pelos índios munducurus. Alagoas: o nome é derivado dos numerosos lagos e rios que caracterizam o litoral alagoano.
Amapá: Nome de uma árvore muito abundante na região.
Amazonas: nome de mulheres guerreiras que teriam sido vistas pelo espanhol Orellana ao desbravar o rio. Para Lokotsch, vem de amasuru, que significa águias retumbantes.
Bahia: o nome foi dado pelos descobridores em função de sua grande enseada.
Ceará: vem de siará, canto da jandaia, uma espécie de papagaio. Espírito Santo: denominação dada pelo donatário Vasco Fernandes Coutinho que ali desembarcou em 1535, num domingo dedicado ao Espírito Santo.
Goiás: do tupi, gwa ya, nome dos índios guaiás, gente semelhante, igual. Maranhão: Do tupi, mba´ra, mar, e nã, corrente, rio que semelha o mar, primeiro nome dado ao rio Amazonas.
Mato Grosso: o nome designa uma região com margens cobertas de espessas florestas, segundo antigos documentos.
Minas Gerais: o nome deve-se às muitas minas de ouro espalhadas por quase todo o estado.
Pará: do tupi, pa´ra, que significa mar, designação do braço direito do Amazonas, engrossado pelas águas do Tocantins.
Paraíba: do tupi, pa´ra, rio, e a´iba, ruim, impraticável. Paraná: do guarani pa´ra, mar, e nã, semelhante, rio grande, semelhante ao mar. Pernambuco: do tupi, para´nã, rio caudaloso, e pu´ka, gerúndio de pug., rebentar, estourar. Relativo ao furo ou entrada formado pela junção dos rios Beberibe e Capibaribe.
Piauí: do tupi, pi´au, piau, nome genérico de vários peixes nordestinos. Piauí é o rio dos piaus.
Rio de Janeiro: o nome deve-se a um equívoco: Martim Afonso de Souza descobriu a enseada a 1º de janeiro de 1532 e a confundiu com um grande rio.
Rio Grande do Norte: derivado do rio Potengi, em oposição a algum rio pequeno, próximo, ou ao estado do Sul.
Rio Grande do Sul: vem do canal que liga a lagoa dos Patos ao oceano. Rondônia: o nome do estado é uma homenagem ao marechal Rondon. Santa Catarina: nome dado por Francisco Dias Velho a uma igreja construída no local sob a invocação daquela santa.
São Paulo: denominação da igreja construída ali, pelos jesuítas, em 1554 e inaugurada a 25 de janeiro, dia da conversão do santo.
Sergipe: do tupi, si´ri ü pe, no rio dos siris, primitivo nome do rio junto à barra da capitania.
Tocantins: nome de tribo indígena que habitou as margens do rio. É palavra tupi que significa bico de tucano.

Blog do Ligeirinho

"PÓLO DE ATRAÇÃO"


Toda palavra chama outra palavra.
Toda palavra é um ímã verbal, polo de atração variável que inaugura sempre novas constelações.
Uma palavra é tudo na linguagem, mas é também a fundação de todas as transgressões da linguagem, a base onde se afirma sempre uma antilinguagem Uma palavra é, todavia, o homem Duas palavras já são o abismo Uma palavra pode abrir uma porta Duas palavras a fecham.
Roberto Juarroz (1925-1995) Séptima poesia vertical/1982.

ÍH...DOLOS!


Atentem-se ao SBT, está aberta a temporada de caça a um novo ídolo musical brasileiro.
Se é realmente caça nao se sabe, mas o que vemos são presas fáceis, "bestas" humanas dispostas a tipo de humilhação. Produtores musicais sem nenhum pudor e escrúpulos, estão a solta, cuidado!


É lamentável ver e ouvir as audições desse programa. Pessoas(presas) sem nenhum tipo de talento(em sua maioria), a não ser aquele para ser humilhado em rede nacional. O nome desse programa que deveria ser FREAK SHOW: Freak = aberrações.


Não sei se sinto pena dos candidatos(por serem alvos) ou dos jurados por se privilegiar do lugar que ocupam na hora de ouvir os candidatos.
Foi uma visão bestial, candidatos e suas sobrancelhas feitas(homens)
e jurados e suas críticas do tipo: Olha a roupa dele.


Minha crítica: Será que na audição de Recife só existiam bichinhas desvairadas? O que era aquilo?!(sem homofobismo nenhum).
Eu não parei de rir um só minuto, deu até para entender, por um segundo, o motivo de tanta farpa por parte dos jurados, era a visão do inferno, só que repetidas vezes.

Que desespero é esse que leva pessoas a isso? Que desejo de fama é esse? Fama não, que esse era de outro canal. Que desejo é esse de ser um Pop Star? Pop star? Isso me lembra Bro´z , Rouge = Falência. Eles não existem mais, seriam eles então pobre star?! Opa! Pobre?
Se é pobre então pode. Pode? Pode! Pode ganhar o Big Brother.

abril 06, 2006

BOSSA + NOVA

Bossa-nova mesmo é ser presidente
desta terra descoberta por Cabral.
Para tanto basta ser tão simplesmente
simpatico...risonho...original...


depois de desfrutar da maravilha de ser
presidente do Brasil,
voar da Velha Cap pra Brasília,
ver o Alvorada e voar de volta ao Rio.
voar...voar...voar...


voar...voar pra bem distante
até Versalhes, onde duas mineirinhas valsinhas
dançam como debutante...
interesante!


mandar parente a jato pro dentista,
almoçar com tenista campeão,
também pode ser um bom artista,
exclusivista,
tomando com Dilermando
umas aulinhas de violão.


isso é viver como se aprova,
é ser um presidente bossa-nova!
Bossa-nova
muito nova
nova mesmo
ultra nova...


CHAVES, Juca. A culpa é do governo! A verdadeira história do país em música, verso e prosa. São Paulo, Maltese, 1993.

abril 05, 2006

"OMBRO AMIGO"

- Homem gosta de homem!

Disse, corajosamente, o cartunista Miguel Paiva (Radical Chic) na semana passada no gostoso (e gostosa) Marília Gabi Gabriela. É preciso ter peito para fazer-se uma declaração dessa em público. E, quem tem peito, geralmente, são as mulheres. E a Marília retrucou:

- Mulher também.


Escrevi e montei uma peça há uns anos atrás, chamada Bésame Mucho (que depois virou filme do Ramalho). Esta peça tratava justamente deste assunto. A relação de ternura entre dois homens.


Da infância até a maturidade. Antes que alguém viesse dizer que era coisa de viado, tive que inventar uma palavra para explicar a relação entre os dois personagens masculinos. A palavra era "homoternurismo" e, para minha infelicidade, até hoje não se incorporou ao Aurélio.


Mulher é bom, é ótimo, nem se discute.
Mas que os homens preferem os homens, também não se discute. Desde a infância, menino gosta de brincar com menino. Clube do Bolinha. Menina não entra! Na adolescência, é a mesma coisa.


Temos olhos para os seios e os bumbuns da meninas, mas no meu time de futebol elas não entravam. Era rapaz de um lado e as meninas do outro.


A gente casa, ama a esposa da gente, tem filhos, mas não vê a hora de ir para o botequim tomar umas e outras com os amigos. Os amigos do peito. Já notaram que os homens não têm amigas do peito? Têm amigas com peito.


Na hora da confidência mais confidencial, na hora do aperto, do ombro amigo, é o amigo do peito (para se chorar) que está ali.
Favor não confundirem, jamais, homoternurismo com homossexualismo.


E a gente vai crescendo e vai formando o nosso time de amigos eternos, confiáveis, pau (ops!) pra toda obra.
O domingo, por exemplo, foi feito para se passar com os amigos.


O jogo de futebol, os gols na televisão, a cervejinha gelada. Mas qual é a mulher que não quer ir a "um cineminha" no domingo? Devia ser proibido mulheres aos domingos, dizia um meu amigo do peito, casado.


Tudo isso que eu escrevi aí em cima, se for mesmo válido, só é válido até uma certa idade. A idade que eu estou agora.
Quase cinquenta anos, cheio de amigos e sem nenhuma mulher. Talvez por pensar assim.

"Um misógino!", diriam elas. Mas o mesmo Aurélio, que não consolidou o homoternurismo, diz que misoginia é uma "repulsa mórbida do homem ao contato sexual com as mulheres". Não é o caso.


E, outro dia, discutia isso com um velho amigo velho de 84 anos. Ele concordou, em termos, do alto de sua sabedoria de ancião. Mas fez uma ressalva. Jogou na minha cara:


- Daqui para a frente, é melhor começar a convidar mulheres para ir ao jogo de futebol. É melhor ir aprendendo a tomar caipirinha com mulheres no sábado antes da feijoada. Já está na hora de parar de reparar apenas nos seios e nas bundinhas da mulheres. As mulheres têm mais alma que os homens!


- E daí?, respondeu o machão aqui.
- E dai, meu filho, que você na velhice vai ficar chato, intransigente, metódico, sistemático. Aliás, já está ficando.


E não tem nenhum amigo do peito nessa hora para te socorrer. Se você chegar sozinho na velhice, não conte comigo, que eu já fui embora. Quem sempre cuidou de você foram as mulheres. A começar pela sua mãe.
- Você está querendo que eu arrume uma outra mãe?


- Não, meu filho. Uma mulher. Vai por mim, mulher é muito melhor que homem. E quanto mais velhas ficam, melhor nos entendem. Ao contrário dos homens.


E pediu mais uma caipirinha, enquanto olhava o traseiro da jovem, muito jovem, garçonete. Encerrou, com o olhar distante:


- Mulher é o que há, menino! Trate logo de arrumar uma, enquanto você está vivo... E quer saber de mais uma coisa? Esse papo de homoternurismo, pra mim, é coisa de viado!

O Estado de S. Paulo- 29/05/95


Texto de Mário Prata. Esse texto é interessante por flagra a costante angustia masculina em não demonstrar emoção. Retrata fielmante no final o verdadeiro machismo puro e simples e isso sem falar na propria disconcertância de achar que há algo errado quando resolve exprimir emoção. Pura bobagem.

AUTO-RETRATO

No retrato que me faço - traço a traço - às vezes me pinto nuvem, às vezes me pinto árvore...


às vezes me pinto coisas de que nem há mais lembrança... ou coisas que não existem mas que um dia existirão...


e, desta lida, em que busco - pouco a pouco - minha eterna semelhança,
no final, que restará? Um desenho de criança... Terminado por um louco!


(Mário Quintana).

abril 02, 2006

EU, COMIGO E EU MESMO

Quando acordo e vejo que inda nao amanheceu, me pego olhando para o teto e pensando nas mesmas coisas dos dias anteriores:
quem sou eu de verdade?
quem sou de mentira?


nesses momentos de auto-compreensao, sempre se enchia de dúvidas sobre si mesmo. E a depender do dia, se bom, achava-se ser de verdade, se nao, acahava-se a pior das mentiras.


Quando ouço os animais cantando, assim que amanhece, sinto como se fosse uma deixa; como se me mandasse: --Olha, os animais estão cantando, hora de subir, como se eu fosse o sol.


Sempre que sorriu entre os outros, as gracinhas, os afetos...Ao abriri meus olhos na madrugada sempre me pergunto: Sou eu? É neste sorriso que eu vivo ou me escondo?


Toda noite sempre as mesmas horas tinha o mesmo sonho. Lembrava de sua infância e a qualquer lugar que fosse, no sonho, sempre se via com um travesseiro pequeno a quem chamava só de bobó. Logo depois, que se lembrava desse nome, acordava e esquecia do sonho, como se tivesse perdido a divisão entre si(sonho) e ele mesmo(realidade), ou será o inverso?


Nunca falei para os outros, mas sempre que estava com eles eu me sentia bem, alegre. Em seguida vinha uma tristeza repentina de saber que aquele "bem" iria acabar, depois disso então, eu simplesmente só vingia sorrir.
Acredito que para cada um que conheça: amigos , familia e amores, haja um eu diferente. Para uns muito triste ara outros nem tanto.


Todas as vezes que vou descobrir quem eu sou para mim mesmo, eu durmo e nunca sei a resposta. Eu volto a fingir que estou sorrindo ou entao a me entristecer tentando encontrá-la.


Bobó sempre esteve com ele desde que nascera. Com ele já é a quarta geraçao a que este travesseiro acompanha. Apesar de dormir todos os dias com Bobó. Ele nunca se deu conta de que este pequeno travesseiro sempre foi o mesmo, aquele confeccionado por sua bisavó. Ele nunca prestou muita atençao nisso, nunca observou por baixo de qualquer fronha haverá sempre uma incrição: seja você mesmo!



Um conto meio confuso, que escrevi em meados de novembro do ano passado.

A HORA DA ESTRELA

Eu sempre achei que seria bom para mim nunca parar de sonhar. quando era criança eu sonhava até demais. Já sonhei em ser veterinário, já sonhei que eu nao seria veterinário, mas as vezes eu estrapolava os sonhos e contava tudo o que havia se passado em meu sono a um travesseiro. O meu travesseiro, que até hoje está comigo. Costurado pela minha bisavó, numa época em que nem travesseiros se podia comprar.


Sinto falta de conversar com ele, quando lembro disso parace que tenho a certeza de que já não mais há tempo pra sonhar. Lembro também da minha bisavó e me pergunto: O que será que ela pensou, o que sonhou quando vez esse travesseiro: verde escuro, cheio de retalhos e com uma estrela costurada em um dos lados.


Será que essa a nossa herança? Lembrar que sempre se deve sonhar? Ou será que um dia minha estrela brilhará e eu realizarei meu sonho? Tomara que eu não seja nehuma Macabea, nem que a minha estrela tenha hora. Macabea, que de tanto sonhar esqueceu de viver, por que viver era dor então preferiu sonhar.


Sonhar tambem não é dor? Sonhar é futuro, você nunca sabe se vai acontecer. Eu sonho sim, até sonho que sonho, só não quero um dia saber que sonhei, por que esse verbo no passado já traz por si só uma angústia tardia demais.

Alguns sonhos nunca se realizam, outros um dia morre e quando isso acontece é impossível não se questionar por que um dia chegou a sonhar.

abril 01, 2006

SEXA

- Pai...
- Hmmm?
- Como é o feminino de sexo?
- O quê?
- O feminino de sexo.
- Não tem.
- Sexo não tem feminino?
- Não.
- Só tem sexo masculino?
- É. Quer dizer, não. Existem dois sexos. Masculino e feminino.
- E como é o feminino de sexo?
- Não tem feminino. Sexo é sempre masculino.
- Mas tu mesmo disse que tem sexo masculino e feminino.
- O sexo pode ser masculino ou feminino. A palavra "sexo" é masculina. O sexo masculino, o sexo feminino.
- Não devia ser "a sexa"?
- Não.
- Por que não?
- Porque não! Desculpe. Porque não. "Sexo" é sempre masculino.
- O sexo da mulher é masculino?
- É. Não! O sexo da mulher é feminino.
- E como é o feminino?
- Sexo mesmo. Igual ao do homem.
- O sexo da mulher é igual ao do homem?
- É. Quer dizer... Olha aqui. Tem o sexo masculino e o sexo feminino, certo?
- Certo.
- São duas coisas diferentes.
- Então como é o feminino de sexo?
- É igual ao masculino.
- Mas não são diferentes?
- Não. Ou, são! Mas a palavra é a mesma. Muda o sexo, mas não muda a palavra.
- Mas então não muda o sexo. É sempre masculino.
- A palavra é masculina.
- Não. "A palavra" é feminino. Se fosse masculina seria "o pal..."
- Chega! Vai brincar, vai.
O garoto sai e a mãe entra. O pai comenta:
- Temos que ficar de olho nesse guri...
- Por quê?
- Ele só pensa em gramática.

Veríssimo, Luís Fernando. Comédias Para se Ler na Escola. Rio de Janeiro/RJ: Objetiva, 2001. pg 53 - 54.

PROCURA-SE AMIGO

Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimento, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto dos ventos e das canções da brisa.


Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.


Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja de todo impuro, mas não deve ser vulgar.


Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objectivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoas tristes e compreender o imenso vazio dos solitários.


Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.
Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grande chuvas e das recordações de infância.


Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.


Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.


Vinícius de Moraes.

LARANJA (QUASE) MECÂNICA

É uma verdadeira palhaçada o que está acontecendo aqui neste estado. O governo estadual decidiu terceirisar a marenda escolar e está acontecendo o maior avorosso por parte de algumas diretorias de escolas públicas.


Bem, pensemos o seguinte: Se está terceirisado, o mínimo que pode acontecer é uma melhora na distribuição de tal merenda para as crianças, uma vez que, não mais estará nas mãos dos diretores tarefa tão estafante.


É obvio que o assunto aqui não se trata de alimento, mas sim de uma questão tão antiga quanto se tem notícia: o valor do dinheiro.


Os diretores estão revoltosos por que deixarão de receber o dinheiro destinado a alimentação dos alunos, dinheiro este que certamente nem metade era para causa tão nobre. Os diretores deixarão de sentir em suas mãos este fardo de pensar em qual alimento saudável nutrirá as pobres crianças. Não, não me passou nem por um minuto sequer que o motivo da revolta, seria o fim do desvio de verba.


Há ainda um conjunto de país que se dizem também viementemente enganados por tal ação estadual. Ora, para eles nem importa muito o que é terceirisado, se vem do número três, então quer dizer menos merenda para nossos filhos.


"Quando a merenda era distribuída aqui(no colégio) sabíamos de onde vinha, agora a gente já não sabe mais". Disse um garoto de uma das escolas. Certamente ele deve ter um supermecado próprio em casa, já que, as frutas vem de outros estados(em sua maioria), os ovos, a farinha de trigo, o leite, enfim, ele certamente nunca ouvio falar em trangênicos, que até certo dia comíamos e nem sabíamos se era modificado genéticamente.


Mas eu particulramente não o culpo, já que sabemos de onde vem a educação escolar que ele recebe, quem sabe não seria a hora de terceirisa-la, talvez pela Holanda ou quem sabe pela Itália. Bom, pelo menos algumas laranjas e uvas(respectivamente) a gente sabe que vêem de lá, de um ou de outro.

AQUELE CARA


Você já viu aquele cara que de tão tímido, mau olha ou sequer olhou para cima? Já observou que esse cara, ao entrar em um ônibus, nem sequer olha para os lados, com medo do olhar amedrontador de todos aqueles povos que ele nunca conheceu.


Aquele cara nunca ousou observar qualquer pessoa que fosse, pois era tímido demais. Nunca ousou olhar no olho de nenhuma garota do colégio. Ela era linda; e ele...Não se sabe.


Aquele cara jamais saia para festas, clubes ou aniversários. Estar fora de seu quarto, para ele, era um absurdo, o seu eu-mundo está no escuro onde dorme.


Aquele cara ainda hoje, talvez, seja inocente, imaturo para o mundo que o cerca.


aquele cara no mínimo vivia para si só, por que assim ele era feliz. Era assim que ele vivia, acordava, dormia, aliás, ele viveu algum dia?
Aquele cara era eu.