junho 27, 2011

NASCER, CRESCER & MULTIPLICAR-SE


A inconstância da vida me assusta. "Saber" que as coisas não estão ou não ficarão no seu devido lugar, saber que "nascer, crescer e multiplicar-se" não é uma opção e sim ilusão, me sufoca. 
Uma vez eu disse a um amigo: " Eu sei que o mundo dá muitas voltas, mas de volta em volta, eu estou ficando é tonto, amigo". Para alguns, saber que tudo é transitório, que tudo muda é reconfortante, mas essa sensação só é válida se você não está numa situação tão boa assim e logo em seguida pego-me a pensar: " Pela lógica e se o mundo, as coisas e as pessoas estão num infinito ciclo de altos e baixos, então se estou num bom momento, logo, o próximo será um momento ruim...sim, pois nunca ouvir falar que depois da bonanza venha mais bonanza", contudo, este dualismo é latente.

Eu tento não me preocupar com o amanhã, tento me concentrar na filosofia budista que me conforta e muitas vezes me intriga. Mas, não tem como eu não me preocupar. Nunca fui dado a pensamentos inconstantes, sou pragmático, muitas vezes cético e por demais racional, sou capricorniano, sou passional, sou pensamentos. O que me preocupa não é o amanhã, pois, ele não existe, o que me preocupa são os infinitos amanhãs que insistem em existir no meu dia-a-dia. Quando uma coisa me incomoda, insatisfaz ou "não é mais útil"( sim, útil ou inútil, todo ser humano é um parasita por natureza: parasitamos o outro em busca de afeto, parasitamos os amigos em busca de atenção, parasitamos os catedráticos em busca de conhecimento e parasitamos nosso passado em busca de auto-sabotagem), eu simplesmente descarto, ignoro...finjo que não existe.

Estamos vivendo todos os dias as transformações tecnológicas da vida moderna que ultrapassam nosso amanhã e nos remetem a uma vida sem espaço-tempo; e eu aqui, às vezes, pensando nessa coisa tão antiga, fugaz e inútil: o passado, mas por que será que isso eu não consigo ignorar?

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